Paulo Macedo espera que venda do Fundo Discovery à Explorer aconteça até ao fim deste ano
O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Moita de Macedo, revelou na conferência de imprensa dos resultados trimestrais que há negociações com a sociedade gestora Explorer, que gere o fundo de reestruturação detido pelos bancos e que “esperamos que haja algum resultado este ano”.
A Explorer Investments – Sociedade de Capital de Risco está a negociar com os bancos BCP, Caixa Geral de Depósitos, Novobanco e Oitante, a compra do Discovery Portugal Real Estate Fund, cujo Net Asset Value (valor líquido dos ativos) está entre os 800 milhões e os mil milhões de euros.
Esta semana Miguel Maya questionado, não quis comentar as negociações em curso.
Inicialmente a proposta de compra que estava em cima da mesa dos bancos incluía um desconto de 10% sobre o valor do fundo. Os bancos ainda não aceitaram a proposta da Explorer, porque nem todos os bancos estariam de acordo com as condições propostas pela Explorer.
O acordo com banca pretendido pela Explorer incluía ainda financiamento bancário, para além de equity, e de dívida mezzanine no mercado.
Este tem sido um processo longo. Os bancos têm vindo a vender as unidades de participação em fundos de reestruturação, que têm um peso relevante no seu capital, mas as negociações com a Explorer têm sido mais demoradas.
Recorde-se que os donos do fundo Discovery são o BCP, a Caixa Geral de Depósitos, o Novobanco, a Oitante, o Banco Montepio, o Crédito Agrícola e o Bison Bank (estes três com participações mais pequenas).
O contrato de gestão do Discovery remonta a uma altura em que a regra do supervisor bancário era dar a máxima independência às sociedade gestoras para que os bancos retirassem esses ativos dos seus balanços. Mas mais tarde o supervisor bancário acabou a penalizar no capital os bancos com estas participações financeiras.
O Fundo Discovery – constituído em 2012 e tendo concluído o investimento em 2015 – foi, ao longo dos anos, alvo de divergência entre a Explorer e os bancos, nomeadamente por causa das regras de comissionamento e das condições contratuais iniciais que consistem numa comissão fixa sobre o valor do fundo (quanto maior o valor do fundo, maior a comissão) e numa comissão variável em função da mais-valia resultante da venda dos ativos.
A Explorer tem um contrato de gestão do Discovery até 2027, por isso a venda antecipada do fundo implica que a sociedade gestora deixe de receber as comissões que estão contratadas até à maturidade do fundo que é, no máximo, de 15 anos.
Nas contas do primeiro trimestre de 2026, a CGD disse que a exposição a fundos de reestruturação manteve-se estável nos 103 milhões de euros.
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