Reino Unido: noite negra para os trabalhistas de Keir Starmer
As eleições municipais no Reino Unido e para os parlamentos da Escócia e do País de Gales (136 conselhos locais na Inglaterra), onde estão em jogo 5.014 lugares determinaram, numa altura em que ainda falta apurar os resultados em muitas cidades, uma noite negra para os trabalhistas, como indicavam todas as sondagens.
Numa primeira abordagem dos resultados já conhecidos, os analistas indicam que, na Inglaterra, o Partido Trabalhista perdeu o controlo de cinco conselhos municipais – Hartlepool, Redditch, Tamworth, Exeter e Tameside – e, no geral, já perdeu mais de 150 lugares.
A extrema-direita do Reform UK tem visto um crescimento expressivo em todo o país, conquistando mais de 225 lugares em conselhos municipais – embora o partido ainda não tenha obtido o controlo total de nenhum conselho, em parte porque em muitas áreas apenas um terço das cadeiras estava em disputa.
Os Verdes observam um aumento das suas percentagens de votos em relação a 2022, mas têm tido dificuldades para converter esse aumento em ganhos significativos de lugares, uma vez que o sistema eleitoral beneficia os grandes partidos.
Já os Liberais Democratas conquistaram Stockport e Portsmouth, e ganharam todos os lugares do conselho em Richmond. No entanto, perderam o controlo de Hull, tornando, para já, a sua vitória pouco consistente.
Finalmente, os conservadores perderam mais de 50 cadeiras no total, dando indicações de que estas podem não ser as eleições em que vão recuperar a sua antiga, tradicional e histórica posição política.
Entretanto, o primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer – que nestas eleições joga o seu futuro político, prepara-se para um dia difícil: ao longo da noite, multiplicaram-se os apelos para que o partido debata em profundidade o que está a correr mal, depois de ter conseguido uma vitória esmagadora nas eleições gerais de 2024 (quando ganhou 411 lugares em 650 na Câmara dos Comuns). Para já, as reações seguem em dois sentidos: aqueles que dizem que o partido deve ponderar o seu futuro com Keir Starmer; e aqueles que dizem que é hora de o atual líder dar lugar a uma nova liderança. Recorde-se que, para substituir o primeiro-ministro, o país não tem necessariamente de seguir para eleições antecipadas – que tradicionalmente agradam muito pouco aos britânicos.
Seis conselhos distritais, seis conselhos unitários, seis conselhos de condado, três conselhos distritais e, Londres e outros 73 conselhos estavam também a votos eleições para metade ou um terço dos lugares. Houve também seis eleições para presidentes de câmara, em Croydon, Hackney, Lewisham, Newham, Tower Hamlets e Watford.
Não há ainda qual indicação sobre as votações em Gales e na Escócia.
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