Como a Pepsi tenta reinventar-se para travar o domínio da Coca-Cola
Existem poucas rivalidades empresariais tão ferozes e duradouras como a Coca-Cola e a Pepsi. Há mais de um século que as duas empresas lutam pela supremacia no mercado das bebidas gaseificadas. Com o passar do tempo, porém, as duas tornaram-se empresas muito diferentes. As várias marcas da Coca-Cola representam 17% do mercado americano de refrigerantes, comparado com 11% da Pepsi, segundo a consultora Beverage Digest. Já a Pepsi obtém agora mais de metade das suas receitas de alimentos embalados, incluindo marcas como a Lay’s e Quaker Oats.
Os últimos anos têm sido muito mais favoráveis para a Coca-Cola, cujo valor de mercado aumentou 23% desde o início de 2023, enquanto a Pepsi caiu 15%. Os problemas da Pepsi resultam, em parte, dos fortes aumentos de preços aplicados aos seus alimentos e bebidas durante o surto de inflação pós-pandemia, superando até os dos seus concorrentes. Essa estratégia acabou recentemente por se virar contra a empresa, à medida que consumidores preocupados com os custos migraram para marcas emergentes e alternativas de marca própria dos retalhistas.
A Pepsi também está a sofrer com a crescente preocupação dos consumidores com a saúde. A preocupação em torno dos alimentos processados prejudicou o negócio dos snacks. Em setembro do ano passado, o fundo Elliot Management, que detém uma participação de quatro mil milhões de dólares na empresa, exigiu que a Pepsi reduzisse custos, simplificasse a sua gama de produtos, concentrasse o marketing na sua principal linha de bebidas e externalizasse o engarrafamento nos Estados Unidos, entre outras medidas.
Embora a Pepsi tenha conseguido impedir as tentativas do fundo em garantir um lugar no conselho de administração, concordou com várias medidas para apaziguar a Elliott, incluindo baixar preços, eliminar um quinto das suas marcas de snacks e encerrar algumas fábricas. Marcas com fraco desempenho, como a Quaker Oats, poderão também ser vendidas em breve.
Há sinais iniciais de que a mudança de estratégia está a dar resultados. A 16 de abril, a Pepsi informou que os lucros operacionais aumentaram 24% em termos anuais no primeiro trimestre de 2026, superando o aumento de 19% reportado pela Coca-Cola a 28 de abril. Os receios de que a Pepsi pudesse até ser ultrapassada pela Dr Pepper como a segunda maior vendedora de refrigerantes dos Estados Unidos parecem ter diminuído. A aquisição da Poppi, uma popular marca de refrigerantes probiótico, por dois mil milhões de dólares em maio do ano passado, também está a ajudar a impulsionar as vendas de bebidas.
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