A carregar agora

Depois do TACO, o NACHO: mercados duvidam que Trump consiga abrir Ormuz

Depois do TACO, o NACHO: mercados duvidam que Trump consiga abrir Ormuz

Do TACO, ou seja, ‘Trump Always Chickens Out’ (Trump Acobarda-se Sempre, em português), o mercado virou-se nos últimos dias para nova sigla a fazer pouco dos avanços e recuos da administração norte-americana, desta feita com um foco no Golfo: o NACHO, ou ‘Not A Chance Hormuz Opens’ (Nenhuma Hipótese de Ormuz Abrir, em português).
A incerteza em torno do estreito por onde passa grande parte do petróleo, gás natural e inúmeros outros bens trocados a nível global levou analistas e investidores a criarem nova sigla para caracterizar de forma bem-humorada o desnorte que reina, mantendo a referência à culinária mexicana. No essencial, os mercados duvidam cada vez mais de uma resolução duradoura em breve para o impasse.
“Nunca acreditei no meme TACO […], mas o NACHO soa certo: Ormuz não vai abrir até que os danos económicos do seu encerramento sejam muito maiores”, escreveu o Nobel da Economia Paul Krugman no seu blog no Substack a semana passada, criticando a condução da guerra no Irão pelo presidente norte-americano.
Para Krugman, a crise em Ormuz resulta do “ego” e incompetência de Trump, que “nunca poderá admitir uma derrota” apesar de ser cada vez mais evidente que, “mais ou menos de forma isolada, conduziu os EUA à maior derrota estratégica da sua história” e da noção iraniana de que “qualquer acordo com os EUA não valeria, na prática, nada”.
O cessar-fogo que vigora entre as duas partes chegou a alimentar alguma esperança nos mercados para uma resolução do conflito, mas esse efeito dissipou-se nos últimos dias com a troca de projéteis e nova escalada da retórica. Recorde-se que o barril de petróleo chegou a 126 dólares (107,08 euros) no final de abril fruto da guerra iniciada por EUA e Israel contra o Irão, tendo desde então recuado para valores mais próximos dos 100 dólares.
Contudo, tal continua a representar uma subida de mais de 30% em relação ao barril antes da guerra, o que já fez disparar novamente a inflação na Europa e EUA, além de arriscar uma escassez de alguns bens, incluindo gás natural, para inúmeros países. Nos EUA, o preço da gasolina está acima de 4 dólares por galão, ou seja, por 3,78 litros de combustível, um disparo que leva o indicador a estes níveis pela primeira vez desde 2022, em plena crise inflacionista pós-Covid.
Ao mesmo tempo, questões como os seguros de transporte dispararam com as hostilidades e o agravamento da violência na região. Dados da eToro apontam para um pico de 2,5% do valor transitado como prémio de seguro em março, o que compara com uma média de 0,1% antes dos bombardeamentos americanos e israelitas, e, apesar da queda desde então, continuam mais de oito vezes acima dos valores pré-guerra.
Perante este cenário e a expectativa de que os constrangimentos não irão aliviar em breve, boa parte do mercado inclina-se cada vez mais para a teoria de que este será o novo normal em termos macroeconómicos, o que aumentaria significativamente as probabilidades de uma recessão global como resultado do bloqueio.

Share this content:

Publicar comentário