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ONU diz que ataques com drones mataram quase 900 civis no Sudão este ano

ONU diz que ataques com drones mataram quase 900 civis no Sudão este ano

Quase 900 civis morreram em ataques com drones no Sudão entre janeiro e abril deste ano, informou esta segunda-feira, 11 de maio, a ONU, que advertiu que este tipo de operação arrasta o conflito sudanês para uma fase “ainda mais letal”.
Mais de três anos de guerra civil no Sudão provocaram dezenas de milhares de mortos, mais de 11 milhões de deslocados e deixaram várias regiões à beira da fome.
As operações com drones do Exército sudanês e das paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF), em confronto desde abril de 2023, intensificaram-se nos últimos meses em todo o país. “Os ataques com drones foram responsáveis por, pelo menos, 880 mortes de civis entre janeiro e abril deste ano”, informou o gabinete de Direitos Humanos da ONU.
“Os drones armados tornaram-se a principal causa de morte de civis”, afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. Segundo o próprio, “se não for adotada uma ação imediatamente, o conflito está prestes a entrar numa nova fase, ainda mais letal”.
Os mercados tornaram-se alvos frequentes dos ataques, com pelo menos 28 a causar vítimas civis nos primeiros quatro meses do ano. Os centros de saúde foram atingidos em, pelo menos, 12 ocasiões.
As negociações para um cessar-fogo continuam estagnadas. Iniciativas lideradas pelos EUA, países árabes, União Africana e outros atores, que visavam uma trégua, fracassaram nos últimos anos. Também tem havido poucos ganhos territoriais de ambos os lados.
A guerra opõe Abdel Fattah al-Burhan, comandante do exército regular, a Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemeti e líder das RSF — um grupo paramilitar que procura controlar o Estado após a queda do antigo regime.
Num país que já registava índices elevados de pobreza e problemas socioeconómicos antes do conflito, a guerra está a desmantelar as estruturas básicas de sobrevivência, afirmam organizações humanitárias.
A crise atinge as crianças com intensidade. Mais de 15 mil menores de cinco anos foram internados por desnutrição aguda no último ano, enquanto as doenças se propagam devido ao colapso do sistema de saúde, afirma a organização Médicos Sem Fronteiras.
Os programas de vacinação foram interrompidos e a vigilância epidemiológica deixou de funcionar, o que favorece surtos de sarampo, cólera e hepatite E em várias regiões do país. Em todo o território, 37% das unidades de saúde estão inoperantes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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