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Pedro Alfaro: “Garantir soberania digital é garantir que a inovação tecnológica não compromete o controlo”

Pedro Alfaro: “Garantir soberania digital é garantir que a inovação tecnológica não compromete o controlo”

Qual é a importância da soberania digital?
Atualmente, todas as organizações dependem da tecnologia e, consequentemente, da gestão de dados digitais. É essencial saber exatamente onde os seus dados estão, como são utilizados, quem pode aceder-lhes e em que condições. É isso que está no centro da soberania digital. No contexto atual, marcado pela instabilidade geopolítica e por legislações com impacto além-fronteiras, esta preocupação ganhou uma nova dimensão: não estamos apenas a falar de eficiência ou inovação, mas também de
controlo e previsibilidade. Ter maior domínio sobre os sistemas e a informação ajuda a mitigar riscos que podem ser técnicos, legais, operacionais ou mesmo estratégicos.
No que respeita aos fabricantes de sistemas, é importante verificar não só a proveniência da marca, mas também a dos componentes-chave, como o firmware e chipset. Neste contexto, os fabricantes europeus têm um vasto histórico e uma grande preocupação com garantir a máxima cibersegurança e a continuidade dos serviços.
Em suma, a soberania digital está diretamente ligada à confiança, seja nas soluções, nos parceiros ou na capacidade de garantir a continuidade das operações. No setor da videovigilância e da segurança, esta questão é particularmente sensível, porque estamos a falar de dados críticos – imagens, metadados e informação contextual – que têm impacto direto na proteção de pessoas, infraestruturas e operações.
Garantir soberania digital é garantir que a inovação tecnológica não compromete o controlo, a
conformidade e os valores europeus.
No contexto português, que importância assume a soberania digital?
Em Portugal, a soberania digital é cada vez mais importante, impulsionada pela nossa integração na estratégia digital europeia, alinhada com o RGPD e as outras regulamentações – como o AI Act, o Regulamento da Inteligência Artificial e a Diretiva
NIS2, já transposta para o direito nacional em dezembro 2025. Outras iniciativas nacionais, como o Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD), também reforçam a nossa autonomia digital, atraem investimento e reduzem dependências externas. O objetivo principal é alcançar resiliência estratégica e otimizar processos operacionais.
As novas regulamentações europeias são passos importantes para assegurar esse controlo. No entanto, é essencial adotarmos uma cultura de antecipação, definindo projetos com requisitos mais exigentes e promovendo uma maior sensibilização entre todos os fornecedores de soluções e serviços. A cadeia de valor e distribuição tem uma responsabilidade acrescida na mitigação de riscos, contribuindo para um futuro digital mais seguro e autónomo para Portugal.
De que forma está este tema a ganhar peso nas decisões tecnológicas?
O tema da soberania digital tem vindo a ganhar um peso significativo nas decisões tecnológicas, indo além das discussões jurídicas ou de compliance para influenciar diretamente os cadernos de encargos e a avaliação de fornecedores. Os departamentos de IT e os decisores, cada vez mais conscientes, exigem maior controlo e previsibilidade. Por exemplo, os clientes da Axis Communications analisam as nossas soluções de segurança e gestão de operações de forma mais abrangente, considerando como são desenvolvidas, onde operam e as dependências que implicam. A nossa autonomia total no desenvolvimento tecnológico – do chipset ao firmware e software, com origem europeia – oferece uma grande vantagem, facilitando uma proteção mais robusta. A convergência entre segurança física e sistemas de informação amplia ainda mais este impacto. Critérios como transparência, interoperabilidade e capacidade de evolução tornam-se essenciais para garantir que as organizações mantêm o controlo a longo prazo. No setor da videovigilância, esta tendência é reforçada, pois as câmaras são agora parte integrante da infraestrutura digital. Por isso, a arquitetura aberta, a interoperabilidade, a transparência e a cibersegurança por design são fatores críticos na avaliação das soluções – princípios que sempre estiveram no coração da estratégia da Axis.
A jurisdição associada às soluções é a mais adequada à realidade?
A jurisdição nem sempre acompanha o ritmo acelerado da inovação tecnológica, sendo por vezes limitativa ou simplificada. Enquanto as legislações seguem processos definidos, as organizações mais proativas procuram as melhores soluções disponíveis, indo além do mínimo exigido legalmente. Com a existência de quadros legais de alcance extraterritorial, a legislação aplicável aos fornecedores pode colidir com as exigências europeias. Esta situação levanta dúvidas legítimas para as organizações,
que precisam de garantir conformidade e proteger os seus dados. Por isso, a análise da jurisdição é agora feita com mais detalhe, focando-se na localização da informação, nas condições de acesso e na transparência. Há uma atenção crescente a soluções que ofereçam um enquadramento previsível e alinhado com a realidade europeia, tal como as que na Axis disponibilizamos.
Que peso ganham, nesta matéria, temas como o controlo de fluxos de dados e a cibersegurança/encriptação?
O controlo de fluxos de dados e a cibersegurança, incluindo a encriptação a partir dos equipamentos instalados, são elementos cruciais para a soberania digital. É fundamental saber onde a informação circula e garantir a sua proteção em todas as fases, especialmente porque muitos dispositivos, como sistemas de segurança com vídeo e controlo de acessos, geram dados sensíveis. Mesmo sistemas que se
consideram isolados não estão imunes a vulnerabilidades. A encriptação dos dados, desde a origem no equipamento, é uma salvaguarda essencial para proteger informações sensíveis. A cibersegurança deve ser encarada como uma estratégia transversal, indispensável para construir confiança nas soluções e na sua utilização.
Como garantir o controlo efetivo e reduzir dependências críticas?
Não existe uma solução única para garantir o controlo efetivo e reduzir dependências críticas, mas sim princípios orientadores. A adoção de arquiteturas abertas, interoperáveis e evolutivas é crucial para evitar a dependência excessiva de um único fornecedor. As arquiteturas híbridas desempenham um papel fundamental, combinando edge computing, Cloud e infraestruturas locais. Esta abordagem permite adaptar o tratamento de dados às necessidades específicas de cada contexto, mantendo o controlo sobre a informação mais sensível e assegurando a resiliência operacional. É também essencial selecionar parceiros tecnológicos que ofereçam transparência, alinhamento regulatório e capacidade de evolução a longo prazo. A diversificação de fornecedores, o investimento em competências internas e uma governação clara dos dados são igualmente importantes para reforçar a autonomia e mitigar riscos. Em suma, a soberania digital constrói-se através de escolhas informadas e de uma estratégia que equilibra inovação, segurança e controlo.

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