Compra da ITA Airways pela Lufthansa não bloqueia interesse pela TAP
O negócio da compra da totalidade da ITA Airwaya em nada colide com a possibilidade de aquisição da transportadora aérea portuguesa, a TAP – que assim continua em carteira. Questionado pelos jornalistas acerca de um possível impacto do negócio da ITA no interesse sobre a privatização da TAP, Paulo Geisler, CEO da Lufthansa Group Services Portugal (LGSP), garantiu que uma coisa “não tem nada a ver” com a outra. Outra coisa não seria de esperar, uma vez que o negócio da ITA é um aumento de posição, enquanto a compra da TAP é um negócio estrutural para a Lufthansa.
Recorde-se que o grupo vai exercer em junho a opção de compra de uma participação maioritária na italiana ITA Airways, aumentando a participação de 41% para 90%, por 325 milhões de euros. De acordo com a informação divulgada, citada pela Lusa, o conselho de supervisão aprovou a decisão do comité executivo, estando, agora, a aquisição da participação de 49% sujeita à aprovação da Comissão Europeia (CE) e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
A Lufthansa prevê concluir a transação no primeiro trimestre de 2027. Uma vez concluída, a ITA Airways será totalmente integrada no grupo de companhias aéreas da Lufthansa, tanto a nível operacional como financeiro. Desde 17 de janeiro de 2025, a Lufthansa detém uma participação minoritária de 41% na companhia aérea italiana ITA Airways. A Lufthansa acordou em junho de 2023 com o ministério da Economia e Finanças italiano a opção de adquirir uma participação adicional de 49%. Desta forma, o ministério da Economia e Finanças italiano mantém uma participação de 10% na ITA Airways, que em 2028 será também adquirida pela Lufthansa.
“Após a aquisição da primeira participação de 41% na ITA Airways no ano passado, prometemos a integração mais rápida da nossa história”, afirmou hoje o presidente executivo (CEO) do grupo Lufthansa, Carsten Spohr, na assembleia-geral de acionistas.
Em comunicado igualmente citado pela Lusa, o presidente executivo (CEO) da ITA Airways, Jörg Eberhart, congratulou-se com um “passo de grande importância industrial e estratégica” para a companhia e considerou que “a integração completa no seio do grupo Lufthansa irá permitir competir com mais força nos mercados internacionais”.
Esta tarde, a LGSP, subsidiária integral da Deutsche Lufthansa AG (Lufthansa Commercial Holding GmbH), fundada em maio de 2011 e com sua sede operacional em Portugal, organizou uma sessão comemorativa dos 45 anos de voos para o Porto e 15 anos da própria Lufthansa LGSP.
A unidade evoluiu da Divisão de Operações Terrestres da Lufthansa na Europa, como uma entidade portuguesa separada e independente para serviços de assistência em terra nos aeroportos portugueses, para um fornecedor global de Vendas Remotas e Centro de Competência em Operações Terrestres, bem como desenvolvedor e testador de Serviços Inovadores para Companhias Aéreas. A Gestão Remota de Estações também é oferecida no Funchal e em Ponta Delgada.
A LGSP opera quatro centros de atendimento ao cliente: três nos principais aeroportos portugueses, Lisboa, Porto e Faro, e um na sede em Porto, localizada na zona financeira da cidade. “Portugal tornou-se um local atrativo para novos negócios na área da digitalização, oferecendo um ambiente de startups vibrante, criativo e inovador. Com sua excelente infraestrutura de transportes e telecomunicações, incentivos governamentais ao investimento e altos níveis de estabilidade política, jurídica, económica e social, Portugal tem se destacado nos últimos anos na atração de empresas de setores em expansão. Há mão de obra qualificada disponível no mercado”, refere a empresa. O acesso aos mercados europeus de 500 milhões de pessoas, uma localização próxima dos EUA e do Canadá – e simultaneamente ao Reino Unido -, e uma ponte para os mercados de língua portuguesa, de 260 milhões de pessoas, são as principais valências do mercado português. Que serve não só para se compreender a criação da LGSP, mas também, em parte, o interesse da casa-mãe em adquirir a transportadora aérea portuguesa.
“Os 45 anos de presença do Grupo Lufthansa no Aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto demonstram a consistência de uma relação construída com confiança e compromisso com a qualidade operacional. Esta é uma parceria relevante para a conectividade da região Norte, tanto na mobilidade de passageiros, como no apoio às cadeias logísticas e à atividade empresarial, e que muito valorizamos. Estamos todos de parabéns por este sucesso conjunto”, afirmou Rui Alves, diretor do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, durante a sessão.
“Os 15 anos da Lufthansa Ground Services Portugal representam uma história de crescimento, inovação e afirmação internacional. A LGSP marcou um passo histórico ao tornar-se a primeira empresa portuguesa 100% detida pelo Lufthansa Group, estabelecendo a sua sede no Porto. O que começou com a prestação de serviços aeroportuários nos aeroportos do Porto, Lisboa e Faro evoluiu rapidamente para o primeiro centro de competências para a aviação global Hoje, com mais de 360 profissionais especializados, a LGSP apoia remotamente mais de 350 aeroportos e agentes de viagens em todo o mundo, desempenhando um papel estratégico no desenvolvimento e lançamento de inúmeros produtos inovadores para o Lufthansa Group, ao mesmo tempo que leva o nome do Porto aos quatro cantos do mundos” sublinhou Paulo Geisler.
Também a Lufthansa Cargo tem acompanhado o desenvolvimento da operação do grupo em Portugal, contribuindo para a ligação das empresas portuguesas aos principais mercados internacionais. “A conectividade aérea é essencial não apenas para passageiros, mas também para empresas e cadeias logísticas. A partir de Portugal, e em particular da região Norte, a Lufthansa Cargo tem contribuído para aproximar produtores, exportadores e mercados internacionais, oferecendo soluções fiáveis e integradas na rede global do Grupo Lufthansa”, referiu Luísa Santos, Country Manager Lufthansa Cargo Portugal.
A presença do Grupo Lufthansa no Norte de Portugal é reforçada pela Lufthansa Technik Portugal, instalada recentemente em Santa Maria da Feira, que representa uma aposta estratégica na capacidade industrial, técnica e de engenharia da região. “A Lufthansa Technik Portugal é um exemplo claro da confiança do Grupo Lufthansa no talento, na capacidade técnica e no potencial industrial do Norte de Portugal. A partir de Santa Maria da Feira, estamos a desenvolver uma operação altamente especializada, que contribui para a criação de emprego qualificado e para o reforço da posição de Portugal no setor aeronáutico europeu”, destacou Torsten Raabe, CEO da Lufthansa Technik Portugal.
Ao longo da sessão institucional, os responsáveis das várias empresas do Grupo Lufthansa em Portugal destacaram os principais marcos da presença da Lufthansa no Porto, a evolução da operação no país e o contributo das diferentes unidades do grupo para a conectividade aérea, a qualidade operacional e o desenvolvimento económico regional. “Os 45 anos de voos da Lufthansa para o Porto são um marco muito significativo e refletem a importância crescente da região Norte na nossa operação em Portugal. Temos orgulho em dizer que a Lufthansa nunca deixou de servir o Porto, nem mesmo durante a pandemia, e que esta ligação representa hoje muito mais do que uma rota aérea: é uma ponte entre pessoas, culturas e economias. No verão de 2026, o Lufthansa Group oferecerá até 120 voos semanais a partir do Porto, mais 7% do que no verão de 2025, garantindo acesso a mais de 330 destinos globais através do nosso sistema multi-hub. Estes números demonstram que o Lufthansa Group está a apoiar o turismo, o comércio e o investimento entre o Norte de Portugal, a Europa Central e o resto do mundo”, afirmou Thomas Ahlers, General Manager Sales Lufthansa Group em Portugal.
Com presença no Porto há 45 anos, a Lufthansa tem acompanhado a evolução da cidade e da região Norte enquanto destino económico, turístico, académico e empresarial de crescente relevância internacional. A ligação aérea entre o Porto e a rede do Lufthansa Group tem contribuído para aproximar a região dos principais centros europeus e internacionais, apoiando a mobilidade de passageiros, empresas e comunidades.
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