Banco de Portugal alerta para novas tendências na fraude digital e reforça aposta em literacia financeira
“A fraude não é um fenómeno de hoje”, mas os seus métodos estão cada vez mais digitais e sofisticados. Foi esta a mensagem deixada ontem, 13 de maio, por Álvaro Santos Pereira, Governador do Banco de Portugal, em Ponta Delgada.
O Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, esteve na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, para uma apresentação subordinada ao tema “Literacia Financeira e Fraude Digital”.
Logo na abertura, sublinhou que “a fraude não é um fenómeno de hoje”, mas alertou para a rápida evolução dos métodos usados, cada vez mais assentes no digital e com elevado grau de sofisticação.
Ao longo da intervenção, detalhou as principais tendências identificadas pelo Banco de Portugal: nas operações com cartão, 70% da fraude na ótica do emitente resulta já da emissão de ordens de pagamento pelo próprio infrator, incluindo situações de roubo de dados do cartão, e nas transferências bancárias a manipulação do ordenante deixou de ser o tipo de fraude mais frequente, com 84% dos casos a ocorrerem também por emissão fraudulenta da ordem por parte do infrator.
O impacto destas práticas é desigual: enquanto nas operações com cartão 54,51% das perdas foram suportadas pelos prestadores de serviços de pagamento, nas transferências 84,11% das perdas recaíram diretamente sobre os utilizadores.
Perante este cenário, Álvaro Santos Pereira destacou o enquadramento do fenómeno da fraude digital e o seu impacto no sistema financeiro, enquadrando a resposta do Banco de Portugal no seu Plano Estratégico. Reforçou que a literacia financeira tem um papel central na prevenção, sendo uma das prioridades da instituição.
Nesse sentido, sublinhou, estão em curso campanhas de sensibilização em duas frentes complementares: através das redes sociais, com alertas para burlas em sites de usados, contas bloqueadas e contactos suspeitos, e através dos órgãos de comunicação social, com conteúdos como “O Segredo dos Números” e “Crédito ao Conselho” em parceria com a RTP e a Antena 1.
A concluir, o Governador frisou que conhecer os padrões da fraude é essencial para a evitar e que só com cidadãos mais informados e atentos se consegue reduzir o risco.
Deixou ainda três recomendações práticas: desconfiar de pedidos urgentes de dados pessoais ou bancários, confirmar sempre a legitimidade de transferências antes de as autorizar e nunca partilhar códigos de acesso ou de autenticação.
A mensagem final foi clara: num contexto em que o crime financeiro se adapta rapidamente à tecnologia, a informação e a prevenção são as melhores defesas.
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