Trump e Xi Jinping avaliam cortes de tarifas sobre trocas comerciais de 30 mil milhões
Os Estados Unidos e a China devem avançar esta semana, ainda que lentamente, rumo a um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis, com cada lado a identificar cerca de 30 mil milhões de dólares em produtos sobre os quais poderiam reduzir tarifas recíprocas. O chamado Conselho de Comércio foi abordado pela primeira vez pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em março, como um acordo fundamental a ser acorda na cimeira desta semana entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, refere a CNN
Os contornos do plano ainda são vagos, mas representam uma mudança sensível na relação entre as duas maiores economias do mundo, marcadas por desentendimentos de diversa ordem e pela imposição de tarifas severas às exportações da China para os Estados Unidos – entretanto suspensas. Mas, convém referir, este acordo incide apenas sobre o comércio em setores não estratégicos: aqueles que são sensíveis e implicam com a segurança de cada um dos países envolvidos não fazem parte.
A China mantém uma tarifa geral de 10% sobre todas as importações dos Estados Unidos, igualando a atual tarifa temporária de 10% dos norte-americanos sobre os produtos chineses. Além disso, Pequim impõe tarifas retaliatórias de 10% sobre o petróleo bruto norte-americano, 15% sobre o gás natural liquefeito, 15% sobre o carvão e até 55% sobre a carne bovina. Os Estados Unidos mantêm tarifas de 7,5% sobre uma série de produtos de consumo chineses impostos em 2019, no auge da guerra comercial com a China no primeiro mandato de Trump – que foram posteriormente confirmadas pelo seu sucessor, Joe Biden.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, reuniram esta quarta-feira ao longo de três horas, para estabelecerem as bases finais das propostas económicas que Trump e Xi Jinping discutirão em Pequim nestes dois próximos dias.
Entretanto, segundo a agência Reuters, a China está a reagir negativamente à proposta de legislação norte-americana que restringiria os fabricantes de chips na corrida global pela IA. A proposta, conhecida como Lei Match, deve ser debatida durante a visita. A administração Trump hesitou em impor novas regulamentações às exportações de tecnologia para a China, apesar das preocupações com a segurança nacional, mas o Congresso tomou medidas para preencher essa lacuna. No mês passado, foi apreciado tanto na Câmara dos Representantes como no Senado um projeto de lei que dificultaria a produção de semicondutores de IA por fabricantes chineses de chips. Se a lei avançar a China preparará medidas retaliatórias. Em abril, o Ministério do Comércio da China convocou representantes da indústria de semicondutores dos Estados Unidos para uma reunião na embaixada em Washington para discutir o tema, incluindo a Lei Match. A Casa Branca não se posicionou publicamente sobre a proposta de lei.
Depois da votação na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, em 22 de abril, que aprovou a legislação proposta, o Ministério do Comércio da China afirmou que “caso os projetos de lei em questão sejam promulgados, eles prejudicarão gravemente a ordem económica e comercial internacional”. A China “tomará decisivamente as medidas necessárias para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”.
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