DBRS mantém rating de Portugal e melhora “outlook”
Sem surpresas, na segunda avaliação do ano, a agência canadiana DBRS decidiu, esta sexta-feira, manter o rating de Portugal, mas melhorou a perspetiva (outlook) de estável para positiva.
O rating de Portugal está em A (high), o quinto nível mais elevado. As classificações de curto prazo mantiveram-se em R-1 (middle), com tendência estável.
A DBRS agendou três avaliações à divida do Estado português em 2026. A primeira foi a 16 de janeiro, a segunda é hoje 15 de maio, e a última está agendada para 13 de novembro.
A justificar a melhoria da perspectiva estão as contas públicas. Portugal apresentou um excedente orçamental em 2025 e continua a registar uma redução do rácio da dívida pública, tendência que é também sustentada pela projeção de descida para este ano apresentada pelo Conselho das Finanças Públicas.
A nota de rating da DBRS refere que “a decisão reflete a expectativa de que a dívida pública portuguesa continuará a diminuir de forma sustentada nos próximos anos, apoiada por uma gestão orçamental prudente e por uma dinâmica económica favorável”.
Segundo a Morningstar DBRS, Portugal registou em 2025 o terceiro excedente orçamental anual consecutivo, equivalente a 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), superando as previsões e contrastando com o défice médio de 2,9% do PIB na zona euro.
A agência destaca ainda que a dívida pública portuguesa caiu abaixo dos 90% do PIB em 2025 pela primeira vez desde 2009 e deverá situar-se abaixo da média da zona euro ainda este ano, algo que não acontecia desde 2004. O Fundo Monetário Internacional prevê mesmo que o rácio da dívida desça para menos de 80% do PIB até 2028, mesmo num cenário de gradual enfraquecimento das contas públicas.
As perspetivas de crescimento económico de médio prazo continuam a ser consideradas positivas, sustentadas por um mercado de trabalho robusto, pelo impacto dos fundos europeus e por políticas orçamentais de apoio à economia. Apesar disso, a DBRS alerta para riscos associados ao agravamento das tensões geopolíticas e comerciais globais.
A agência considera, no entanto, que os efeitos económicos e orçamentais decorrentes do conflito no Médio Oriente e dos fenómenos meteorológicos severos registados no início de 2026 deverão ser temporários e controláveis. Ainda assim, uma escalada prolongada do conflito, capaz de pressionar os preços da energia e perturbar o abastecimento global, representaria um risco significativo para o crescimento económico e para as finanças públicas portuguesas.
A Morningstar DBRS sublinha também que o perfil de crédito de Portugal beneficia da pertença à zona euro e do enquadramento de governação económica da União Europeia, fatores que reforçam a credibilidade das políticas económicas e a estabilidade macroeconómica.
Além disso, a agência destaca a forte melhoria das contas públicas desde 2016 e a recuperação do setor bancário português após anos de reestruturação dos balanços. Apesar dos progressos, permanecem algumas vulnerabilidades, nomeadamente o ainda elevado nível de dívida pública e externa, bem como o reduzido potencial de crescimento da economia portuguesa.
Ainda assim, a DBRS conclui que os riscos orçamentais e os desequilíbrios externos diminuíram significativamente na última década e que, salvo novos choques adversos, esta trajetória favorável deverá manter-se.
Ainda hoje o Ministro das Finanças destacou a trajetória orçamental positiva de Portugal, referindo que o país apresentou um excedente de 0,7% em 2025, contrariando expectativas iniciais.
“Este resultado permitiu responder aos impactos das tempestades recentes e às consequências do conflito no Irão”, disse o Governante, mantendo ainda assim a previsão de um saldo orçamental próximo do equilíbrio até ao final do ano, evitando um novo défice.
O Governo mantém igualmente a meta de redução da dívida pública, estimando que esta desça para 87,8% do PIB este ano e atinja os 80% até ao final da legislatura.
O contexto geopolítico continua a ser um desafio.
(atualizada)
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