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“AD é um património comum.” Nuno Melo recusa que CDS seja “muleta” do PSD

“AD é um património comum.” Nuno Melo recusa que CDS seja “muleta” do PSD

O presidente do CDS-PP recusou este domingo que o partido seja “muleta” do PSD, salientando que os centristas não integram a AD “por favor” nem se confundem ou diluem, e apontou que como objetivo o crescimento.
No encerramento do 32.º Congresso do CDS, no qual foi reeleito para o terceiro mandato à frente do partido, Nuno Melo dirigiu-se aos dirigentes do PSD presentes em Alcobaça e afirmou que o partido “não está aqui por favor nem é muleta”.
“A AD é um património comum e na AD, à nossa escala, nós contribuímos com trabalho, com ideias, com recursos, com pessoas e com votos”, indicou.
O líder centrista apontou que a coligação “é um caminho do PSD, mas este é também um caminho do CDS” e defendeu que esta relação “só faz sentido porque é de respeito mútuo, é uma relação entre dois partidos, dois grandes partidos independentemente da mensurabilidade eleitoral de cada momento”.
“E, já agora, outra coisa que eu quero que fique muito claro, o CDS não é uma tendência, o CDS não se funde e seguramente o CDS não se dilui. O CDS, meus amigos, é um património fundamental da democracia em Portugal e com toda a legitimidade o CDS quer ser maior no futuro, com toda a legitimidade nós queremos ser maior no futuro, e com muito trabalho e com essa legitimidade, meus amigos, nós vamos crescer”, afirmou, numa referência indireta ao ex-dirigente Diogo Feio que sugeriu uma fusão dos dois partidos.
E considerou que a AD é “um ativo sem preço”.
No seu discurso de consagração, Nuno Melo sustentou que os centristas “são relevantes”.
“Somos relevantes onde vamos a votos sozinhos, somos relevantes onde concorremos em AD. As vitórias da AD foram do PSD, mas foram também do CDS, e eu acredito até que a AD é uma forma que soma além dos partidos”, disse.
Assinalando que “não houve uma vez que a AD tivesse concorrido em eleições legislativas que alguma vez tivesse perdido”, Melo apontou que a coligação “é um património que se afirma e afirma-se pelos resultados”.
Na sua intervenção, o presidente do CDS salientou que o partido “nasceu à prova de bala” e vai desiludir “uma e outra vez” aqueles que disserem ou desejarem o fim do partido, defendendo que “continua a fazer tanto sentido em 2026, como fez em 1974”, sendo “o braço lúcido da direita em Portugal”.
Melo disse que este mandato de dois anos é uma oportunidade para o CDS “criar músculo, criar condições para todos os desafios do futuro”.
O ministro da Defesa Nacional referiu-se ainda ao trabalho do Governo, que considerou ter feito “mais em dois anos pela paz social, do que o PS em oito”.
Sobre a sua pasta, a Defesa, descreveu, foi trazida “para a primeira liga da política”.
No seu discurso, Melo anunciou que o partido vai a jogo na revisão constitucional desencadeada pelo Chega, partido a quem dirigiu várias críticas, acusando de ser “o melhor aliado da esquerda”.
O presidente do CDS considerou também “um disparate” a proposta do Chega de descida da idade da reforma e acusou o partido de estar mais centrado nas próximas eleições do que nas gerações seguintes.
Nuno Melo foi hoje reeleito líder do CDS-PP, com 89,7% dos votos, num congresso dominado pela discussão sobre o futuro do partido na coligação com o PSD.
Foi seu opositor Nuno Correia da Silva, cuja moção de estratégia global apenas conseguiu oito votos. O antigo deputado defendeu que o partido precisa de se afirmar mais face ao PSD.
O tema da coligação foi motivado, em grande parte, pela moção da Juventude Popular, que defendeu na sua moção — que acabou por não levar a votos — que o partido deve preparar-se para ir a votos sozinho.
Neste ponto, Manuel Monteiro, o único o antigo líder a ir a Alcobaça, defendeu que, de um parceiro de coligação espera-se lealdade e compromisso, mas que os partidos devem estar sempre preparados para concorrer a eleições em listas próprias.
“Enquanto está junto é leal, mas nunca deixa de ter as chaves do seu próprio carro no seu próprio bolso para, se necessário, se pôr à estrada e caminhar sozinho”, afirmou.
O ex-presidente criticou também a ausência de “pesos pesados” do partido no congresso, ironizando que provavelmente alguns “são tão pesados, tão pesados, que temiam que o palco fosse abaixo e entenderam não estar”.

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