Cabo-verdianos já votam para as oitavas eleições legislativas
Janete Santos foi este domingo uma das primeiras a votar para as oitavas eleições legislativas em Cabo Verde, numa das mesas da Escola Secundária Cesaltina Ramos, também conhecida como Escola Técnica, na capital, Praia.
“É muito importante votar, é um passo importante, o que estamos a dar hoje”, referiu, preocupada com a abstenção.
“É complicado haver uma parcela da população que não se interessa, que não quer exercer o voto”, acrescentou, apelando a que todos se dirijam às urnas.
Apesar de a abertura da votação estar marcada, em todo o arquipélago, para as 08:00 (10:00 em Lisboa), Janete Santos só o conseguiu fazer passado cerca de meia-hora, devido à verificação dos boletins de voto, urnas e outros procedimentos.
Alguns eleitores já faziam fila quando tudo ficou pronto para a escolha dos 72 deputados do parlamento que ditará a composição do novo Governo.
Ao lado, Dulcelina Furtado foi votar porque, disse, “votar é uma lei”, para mostrar que é “uma cidadã cabo-verdiana”.
Em outra das três mesas da escola, Francisco Tavares também votou cedo, porque é algo que ninguém pode fazer por ele.
“Cada um escolhe à sua maneira, eu já fiz a minha escolha, os outros podem fazer a sua também”, disse à Lusa o cidadão cabo-verdiano que diz que sempre votou.
Da mesma forma, Samira Pereira exerce o seu direito “pelo melhor do país”.
“É simples, é fácil e é bonito”, rematou, antes de sair do recinto da escola, onde as filas começavam a crescer à medida que a manhã avançava.
As eleições de hoje vão decorrer em cerca de mil mesas de voto nas ilhas, onde estarão abertas até às 18:00 (20:00 em Lisboa), enquanto junto da diáspora haverá mais de 200 com o seu próprio horário – só em Portugal serão 84 mesas.
São chamados às urnas 344.284 inscritos no arquipélago e 72.051 no estrangeiro.
Em comparação com as últimas legislativas, em 2021, há um crescimento de 6%, mais expressivo junto da diáspora.
Na sexta-feira, o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, apelou à participação nas eleições, considerando que “a abstenção fragiliza a democracia”.
Nas legislativas de 2016 a abstenção foi de 34%, crescendo para 42% em 2021, durante um período de restrições devido à pandemia de covid-19.
A ilha de Santiago, que inclui a capital, Praia, elege 33 dos 72 deputados e é a única onde há dois círculos eleitorais.
As restantes oito ilhas (cada uma corresponde a um círculo) elegem outros 33 deputados e os três círculos no estrangeiro escolhem seis deputados.
A votação no arquipélago será acompanhada por cerca de 200 observadores internacionais.
Depois do fecho das urnas, a Direção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) tem um portal para divulgação dos resultados provisórios, à medida que os votos forem contados, no endereço eleicoes.cv na Internet, a partir das 19:00 de Cabo Verde (21:00 em Lisboa).
O Movimento para a Democracia (MpD, no poder desde 2016) e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) têm-se alternado na liderança do país, sempre com maiorias absolutas na Assembleia Nacional, desde as primeiras eleições livres, em 1991.
Para estas eleições, os dois partidos apresentaram listas nos 13 círculos eleitorais.
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), terceira força parlamentar, concorre em 10 círculos, ficando de fora nas ilhas Brava, do Maio e da Boa Vista.
O Partido Popular (PP) e o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), sem representação parlamentar, concorrem, cada qual, em seis círculos.
Share this content:


Publicar comentário