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Administração do Commerzbank rejeita formalmente a OPA do UniCredit

Administração do Commerzbank rejeita formalmente a OPA do UniCredit

O conselho de administração e o conselho de supervisão do Commerzbank recomendaram esta segunda-feira aos acionistas que rejeitem a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela UniCredit, concluindo que a proposta subavalia o banco alemão e encerra riscos consideráveis para todas as partes.
A rejeição foi formalizada numa declaração fundamentada de 137 páginas, elaborada após análise do documento da OPA apresentado pela UniCredit a 5 de Maio. Os órgãos de governo do banco concluíram que a oferta “não reflete o valor fundamental do Commerzbank” e que é “vaga e envolve riscos consideráveis”.
O valor implícito da oferta — fixado em 34,56 euros por ação — ficou abaixo do preço de fecho do Commerzbank na última sexta-feira, de 36,48 euros. Desde o anúncio da proposta, as ações do banco fecharam acima do valor implícito da oferta em todas as sessões. Os analistas independentes apontam para um preço-alvo mediano de cerca de 41,50 euros por ação.
A oferta da UniCredit, avaliado em 37 mil milhões de euros, foi rejeitada ao fim de 19 meses de disputa pela tomada de controlo do segundo maior banco comercial alemão.
A CEO do Commerzbank, Bettina Orlopp, na sua avaliação,  diz que “o que é descrito como uma combinação é, na realidade, uma proposta de reestruturação que teria um impacto massivo no nosso modelo de negócio comprovado e rentável”.
“A oferta de aquisição do UniCredit não oferece um prémio adequado aos nossos acionistas. O que é descrito como uma combinação é, na verdade, uma proposta de reestruturação que impactaria massivamente o nosso modelo de negócio comprovado e rentável”, afirmou a CEO do Commerzbank, Bettina Orlopp.
O presidente do conselho de supervisão, Jens Weidmann, acrescentou que as “propostas especulativas” da UniCredit colocam em risco as relações com os clientes e a motivação dos trabalhadores.
Os conselhos acusam ainda a UniCredit de avaliar incorretamente as perdas de receitas, o potencial de poupança de custos, as despesas de reestruturação e o calendário de implementação, classificando os pressupostos de sinergias apresentados pelo banco italiano como “especulativos”.
A estrutura da oferta consiste numa troca de ações em títulos UniCredit, com liquidação prevista apenas para 2027.
Em contraposição, o Commerzbank apresentou a sua estratégia “Momentum 2030”, que prevê o aumento das receitas para 16,8 mil milhões de euros até 2030 e o crescimento do lucro líquido para 5,9 mil milhões de euros, com um rácio de eficiência de 43% (incluindo contribuições obrigatórias) e um retorno sobre o capital tangível de 21%.
O banco pretende ainda devolver aos acionistas cerca de metade da sua atual capitalização bolsista através de dividendos e recompras de ações até 2030, propondo um dividendo recorde de 1,10 euros por ação referente ao exercício de 2025.
O UniCredit tornou-se o maior acionista do Commerzbank e detém perto de 30% do capital.
A rejeição formal deverá prolongar a batalha pela tomada de controlo, com a assembleia geral anual do banco alemão marcada para esta quarta-feira.
O CEO da UniCredit, Andrea Orcel, tem argumentado que o Commerzbank não está a aproveitar o seu pleno potencial e que a Europa necessita de bancos de maior dimensão num contexto geopolítico cada vez mais instável, alertando inclusivamente que a “trajectória actual” do banco alemão “coloca em risco a sua sobrevivência a médio prazo”. O banco italiano disse esta segunda-feira que discorda “fundamentalmente” de grande parte das afirmações do Commerzbank. FinanceFeeds

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