G7 reúne em Paris para tentar encontrar uma resposta comum ao caos instalado
Os ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do grupo dos sete países mais ricos do mundo (G7) iniciaram esta segunda-feira, em Paris, uma reunião que, marcada por forte tensão económica e geopolítica, pretende encontrar uma resposta para esses desafios. Entre os principais temas debatidos estão a inflação, a volatilidade dos mercados mobiliários, a guerra no Médio Oriente, a dependência de minerais críticos (nas mãos da China) e a estabilidade energética global.
Segundo as agências noticiosas, os participantes alertaram para o aumento das taxas de juro e para a recente venda massiva de obrigações soberanas, num contexto de receios inflacionistas ligados ao conflito com o Irão. É a formação de uma ‘tempestade perfeita’, que, se não for atempadamente reprimida, pode ter consequências globais muito nefastas.
França, que preside ao G7 em 2026, defendeu medidas coordenadas para responder aos desequilíbrios comerciais mundiais — sobretudo o défice externo dos Estados Unidos e o excedente comercial chinês. O tema foi debatido na cimeira da semana passada entre as duas maiores economias do mundo – e as propostas apresentadas seguem no sentido de um equilíbrio da balança comercial. Mas o tema esteve em cima da mesa – uma vez que a lista de países que têm balanças comerciais desequilibradas com a China é enorme.
Neste contexto, o grupo quer acelerar investimentos conjuntos em cadeias alternativas de abastecimento de minerais críticos, considerados estratégicos para defesa, tecnologia e transição energética. Mas a decisão será difícil de levar adiante: a China tem em seu poder a maioria doestes minerais críticos no seu estado natural – nomeadamente as terras raras – e a esmagadora maioria da sua mineração e transformação.
Os Estados Unidos têm feito esforços para rodear o problema – desde logo com a criação de um grupo de países que aceitam aliar-se aos Estados Unidos para promover cadeias alternativas à China. O problema é, neste caso, de quantidade.
Segundo as agências noticiosas, vários ministros presentes alertaram para que um agravamento do conflito no Médio Oriente pode afetar seriamente o fornecimento global de petróleo. O G7 mantém-se preparado para agir para estabilizar os mercados energéticos, embora sem anunciar novas libertações imediatas de reservas estratégicas.
Persistem divergências internas, sobretudo em relação às políticas comerciais dos EUA e às sanções internacionais, mas os membros do grupo tentam preservar uma frente comum antes da cimeira de líderes do G7 em Évian, em junho. A reunião decorre sob presidência francesa e participam também representantes do FMI, Banco Mundial, OCDE e países convidados como Índia, Brasil, Coreia do Sul e Quénia.
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