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90% dos projetos de combustíveis de baixo carbono continuam sem avançar

90% dos projetos de combustíveis de baixo carbono continuam sem avançar

O investimento em combustíveis de baixo carbono (biocombustíveis ou sintéticos (e-fuels)) vai cobrir apenas 25% do consumo até 2030. Para atingir as ambições globais precisaria de quadruplicar até ao final da década. E isto num momento da maior crise energética mundial de sempre.
A conclusão é de um estudo da Bain & Company em parceria com o Fórum Económico Mundial (WEF).
Os combustíveis de baixo carbono surgem como uma alternativa, ao usar lixo orgânico, resíduos agrícolas ou biomassa, ou pelo uso de eletricidade renováveis.
O investimento em nova capacidade de produção subiu 30% em 2025, atingindo os 25 mil milhões de dólares, mas longe dos 100 mil milhões anuais necessários até 2030 para cumprir os objetivos globais da transição energética.
Apenas 10% dos projetos de combustíveis limpos previstos até 2030 já atingiram a fase final de investimento o que “evidencia a dificuldade em transformar ambição em execução industrial”.
A Bain sublinha que os combustíveis limpos terão um “papel decisivo na descarbonização de setores em que a eletrificação direta continua limitada, como a aviação, o transporte marítimo e segmentos da indústria pesada”, podendo vir a pesar mais de 50% no mix energético em 2050.
“Apesar do consenso sobre o papel crucial destes combustíveis na transição energética, o mercado mantém-se num ciclo de incerteza: investidores aguardam sinais claros de procura e estabilidade regulatória, mantendo projetos estagnados por custos elevados e riscos financeiros persistentes”, disse Francisco Sepúlveda da Bain & Company.
“A indústria já demonstrou capacidade tecnológica. O principal bloqueio deixou de ser técnico e passou a ser económico e regulatório. Sem escala de investimento e maior rapidez na execução, os combustíveis limpos arriscam ficar aquém do papel crítico que lhes é atribuído na transição energética global”, afirmou, por sua vez, Diogo Rebelo da Bain.
Cerca de 75% da produção de combustíveis fósseis está concentrada nos EUA, Médio Oriente e Rússia, o que cria desequilíbrios, risco de disrupção de fornecimento, volatilidade de preço e risco geopolítico.
Os biocombustíveis já ajudaram a reduzir a dependência externa de vários países, nos combustíveis para transporte, entre 5%-15% em vários países, sendo ainda maior no Brasil, Indonésia, Índia e Malásia.
A Bain aponta que cada milhão investido na produção de biocombustíveis ou e-fuels gera entre 10 a 30 postos de trabalho, face aos 5 a 10 dos combustíveis convencionais.
A consultora salienta que estes combustíveis continuam e vão continuar a ser mais caros de produzir face aos fósseis, mas fatores como segurança energética, oportunidade económica e benefícios ambientais vão torná-los competitivos.
“Estes combustíveis são chave para atingir um sistema energético mais seguro, equilibrado e sustentável”, segundo a Bain: “reduzem a dependência de importações e exposição aos mercados de combustíveis fósseis, estimulam cadeias de abastecimento internas e criam oportunidades de emprego”.

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