Distinção a Cavaco Silva é também homenagem a Portugal, diz Durão Barroso
O antigo primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso considerou hoje que a atribuição da Ordem Europeia do Mérito a Aníbal Cavaco Silva é “extremamente justa” e, de certa forma, “também uma homenagem a Portugal”.
Durão Barroso, um dos membros do comité de seleção responsável pela nomeação dos membros da Ordem, hoje entregue aos 20 primeiros laureados numa cerimónia no Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França), reconheceu estar “muito feliz” por o antigo primeiro-ministro e chefe de Estado Cavaco Silva estar entre os primeiros nomeados.
“Faço parte do júri, do comité de seleção que escolheu os primeiros galardoados com esta Ordem Europeia do Mérito, e fiquei muito satisfeito obviamente por termos um português, e um português insigne, como o professor Cavaco Silva, a receber esta condecoração que é muito justa e que, de certa forma, também é uma homenagem a Portugal”, disse, apontando que o país, “desde que aderiu à União Europeia (UE), faz agora 40 anos, esteve sempre e quis sempre estar na primeira linha da integração europeia”.
Apontando que pode “acrescentar algo do ponto de vista pessoal”, já que fazia parte do governo de Cavaco Silva quando Portugal aderiu à UE, “no distante ano de 1986”, tendo testemunhado os primeiros anos de integração, incluindo como secretário de Estado e ministro dos Negócios Estrangeiros, Durão Barroso afirmou que sempre viu em Cavaco “um grande compromisso com a Europa”.
“Acho que é uma distinção extremamente justa, que de certa forma também homenageia Portugal, que está no centro da integração europeia. Portugal, através muitos dos seus protagonistas, tem vindo a fazer avançar a sua imagem e a sua contribuição para a UE, e isso só é possível porque em Portugal há um grande apoio à integração europeia”, reforçou.
“E penso que devíamos estar conscientes disso, porque não é fácil às vezes conciliar aquilo que é o interesse nacional com o interesse mais geral europeu. E eu penso que o professor Cavaco Silva, como o primeiro chefe de governo na altura da nossa integração definiu, digamos assim, um standard, que tem sido seguido em geral pelos diferentes governos do Portugal democrático e devemos congratular-nos com isso”, concluiu.
O comité de seleção da Ordem, composto pela presidente do Parlamento Europeu, dois vice-presidentes e quatro “personalidades europeias eminentes”, entre os quais Durão Barroso, justificou a atribuição da distinção honorífica civil a Cavaco Silva sobretudo pelo papel que o primeiro-ministro português (1985-1995) desempenhou na adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), mas também às “responsabilidades significativas” assumidas na negociação do Ato Único Europeu e no Tratado de Maastricht.
O atual comité de seleção, nomeado pela mesa da assembleia por um período de quatro anos, é composto pela presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, as vice-presidentes Ewa Kopacz e Sophie Wilmès, e as “personalidades europeias eminentes” Michel Barnier, José Manuel Barroso, Josep Borrell e Enrico Letta.
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