Ebury não espera cortes de juros pela Fed este ano
A instituição financeira Ebury prevê que a Reserva Federal norte-americana (Fed) não corte juros este ano. Esta perspetiva foi transmitida durante um webinar relativamente aos impactos do conflito no Médio Oriente nos mercados financeiros que contou com a participação do seu economista chefe, Enrique Diaz-Alvarez, e do seu responsável pela estratégia de mercado, Matthew Ryan.
Matthew Ryan salientou que riscos mais elevados de inflação, devido ao conflito no Médio Oriente, que começou em fevereiro, entre Estados Unidos, Israel e Irão, leva a que cenários de cortes de juros pelos bancos centrais estejam “fora da mesa”.
No cenário traçado pela Ebury “é garantido” que o Banco Central Europeu (BCE) aumente os juros em junho. Contudo Matthew Ryan considera que a perspetiva de aumentos de juros pelo BCE em 75 pontos base, em 2026, é “exagerado” face a um outlook de crescimento económico mais fraco para a Europa.
Durante o webinar foi ainda destacado que tanto a zona euro como o Reino Unido estão mais expostos à crise energética, derivada do Médio Oriente, em comparação com os Estados Unidos.
Relativamente ao cenário traçado para o Banco de Inglaterra, o estrategista da Ebury salientou que “há menos urgência para aumentos” [nas taxas de juro] devido a fatores como “um mercado laboral e um crescimento [económico] frágil”. Contudo a financeira considera que “é possível” um aumento das taxas de juro em julho.
Na análise entre os vencedores e os derrotados do conflito no Médio Oriente Enrique Diaz-Alvarez coloca como vencedores o dólar, devido ao seu estatuto de refúgio monetário mundial e por ser utilizado para a exportação de energia, os exportadores de petróleo, o yuan chinês, tendo em conta o reforço feito pela China no seu stock de petróleo e por existir um risco limitado de uma segunda onda de riscos inflacionários derivado do conflito no Médio Oriente, e os ativos de refúgio tradicionais como por exemplo o franco suíço e o yen japonês.
Entre os perdedores estão o euro, devido às importações de petróleo e por inventários de gás natural baixos. Os importadores de petróleo estão também entre os derrotados. Aqui inclui-se a Europa, a Ásia e alguns países da América Latina.
A Hungria integra também esta lista de perdedores por dentro do continente europeu estar entre os países que estão mais expostos a flutuações no preço do petróleo. Na lista entra também a Ásia por 80% a 90% do seu petróleo estar ligado ao Estreito de Ormuz, um canal que tem estado condicionado pelo conflito no Médio Oriente.
A Ebury possui uma visão negativa sobre o dólar e alerta para um possível sell-off nas obrigações norte-americanas. Contudo salienta que estes efeitos negativos (downside) podem ser contidos com um crescimento forte da economia norte-americana.
Quanto ao euro a financeira vê alguns motivos para algum otimismo. Isto deve-se a fatores como a Europa ser uma “alternativa segura e estável” face aos Estados Unidos, por a diferença nas taxas de juros entre a Europa e os Estados Unidos poder ser reduzida com as perspetivas de aumentos dos juros pelo BCE, e por o pacote de estímulos alemão poder apontar para aumentos no crescimento.
Relativamente à confirmação de Kevin Warsh, como o novo presidente da Fed, a Ebury vê dois grandes riscos. Um deles é a perda de forward guidance, “trazendo mais incerteza”, e um encolhimento da folha de balanços do banco central norte-americano, o que poderia trazer yields do tesouro mais altas.
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