A carregar agora

Volatilidade do petróleo, incerteza geopolítica e antecipação dos resultados da Nvidia ditam abertura cautelosa das bolsas

Volatilidade do petróleo, incerteza geopolítica e antecipação dos resultados da Nvidia ditam abertura cautelosa das bolsas

Espera-se uma abertura mista das bolsas esta terça-feira ou com viés cauteloso. O tema central que vai continuar a moldar o sentimento dos mercados esta terça-feira é a escalada das tensões no Médio Oriente. Os investidores mantêm-se atentos à retórica de Trump relativamente ao Irão e a eventuais sinais de “descalada” — ou de nova deterioração — no conflito.
Os resultados da Home Depot marcarão Wall Street e os investidores continuarão atentos aos preços do barril de petróleo, tanto na Europa como nos EUA. Estes serão os principais drivers intradiários.
O impasse entre os EUA e o Irão continua a impulsionar os preços do petróleo, enquanto os estrategistas do Morgan Stanley alertam que a alta global dos juros pode provocar a primeira correção relevante das bolsas desde março.
Nos Estados Unidos haverá também a divulgação do indicador das Pending Home Sales (vendas pendentes de casas). Um dado secundário, mas que ajuda a medir força do setor imobiliário em ambiente de juros altos.
Esta segunda-feira as principais bolsas europeias fecharam a primeira sessão da semana em terreno positivo, e Lisboa não foi exceção. O PSI, principal índice da bolsa de Lisboa, fechou a subir 1,21% para os 9.142,55 pontos. Entre as empresas que registaram os maiores ganhos esteve a Mota-Engil, que subiu 2,66% para os 4,93 euros por ação, seguida da EDP, que avançou 2,43% para os 4,38 euros por título, e da Galp, que valorizou 2,33% para os 20,18 euros por ação. Também em terreno positivo, a Jerónimo Martins fechou o dia com uma subida de 1,90%. Pelo contrário, entre as empresas que encerraram a sessão com perdas estiveram a Semapa, que recuou 1,09% para os 22,75 euros por ação, a Corticeira Amorim, que caiu 0,57%, e ainda o BCP e a Ibersol, que deslizaram ambos 0,34%.
“As principais praças europeias encerraram em alta esta segunda-feira, motivadas notícias veiculadas pela comunicação iraniana, a referirem que os EUA propuseram uma suspensão temporária das sanções ao petróleo do Irão, uma exigência fundamental de Teerão para concordar com um acordo de paz e reabrir o Estreito de Ormuz. Ainda assim, a Bloomberg refere que a proposta atualizada do Irão para um acordo que ponha fim à guerra terá sido considerada insuficiente para a Casa Branca”, segundo a análise da MTrader.
Wall Street fechou mista com o Dow Jones a subir, mas o S&P 500 e o Nasdaq a caírem.
O barril de petróleo Brent chegou a subir para os 111 dólares no mercado de futuros de Londres, num contexto de novas tensões no Médio Oriente. Ou seja, chegaram a negociar em máximos de duas semanas esta segunda-feira de manhã. Mas inverteram a tendência e corrigiram ligeiramente om alguns sinais de negociações entre os EUA e o Irão, outra vez.
O presidente Donald Trump publicou nas redes sociais nesta segunda-feira que estava a adiar um ataque militar planeado contra o Irão, agendado para terça-feira, enquanto os esforços para chegar a um acordo continuam, acrescentando que os Estados Unidos estavam prontos para retomar o ataque caso não fosse alcançado um acordo. Isto ocorreu tendo em conta os pedidos do emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, disse o presidente dos Estados Unidos.
O presidente dos EUA afirmou mesmo na publicação que estes líderes pediram o adiamento do ataque planeado, “pois estão em curso negociações sérias e, na sua opinião, como grandes líderes e aliados, será assinado um acordo, que será muito aceitável para os Estados Unidos da América, bem como para todos os países do Médio Oriente e de outras regiões”.
A inversão da escalada do petróleo deu-se também depois de um meio de comunicação iraniano ter informado que os EUA propuseram uma suspensão temporária das sanções sobre o petróleo da República Islâmica, uma exigência-chave de Teerão para concordar com um acordo de paz e reabrir o Estreito de Ormuz.
Entretanto, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou esta segunda-feira, na rede social X, a emissão de uma licença geral temporária de 30 dias para permitir que os países mais vulneráveis continuem a ter acesso ao petróleo russo atualmente retido no mar devido às sanções e restrições comerciais.
Segundo o governante norte-americano, a medida pretende dar “flexibilidade adicional” às economias mais dependentes das importações energéticas, enquanto Washington trabalha na atribuição de licenças específicas, conforme necessário.
Entretanto esta terça começa a visita de Estado de Vladimir Putin à China, para um encontro com o homólogo chinês Xi Jinping. A visita realiza-se menos de uma semana depois da ida de Donald Trump a Pequim, e segundo notícias russas o presidente da Federação Russa tem elevadas expectativas para este encontro de dois dias na China.
O presidente norte-americano sugeriu ainda esta segunda-feira que a Reserva Federal (Fed) poderá ter de esperar até que os Estados Unidos terminem a guerra com o Irão para cortar as taxas de juro.
A redução das taxas de juro é um dos principais objetivos de Donald Trump, sobretudo após a recente nomeação de Kevin Warsh, escolhido por si mesmo, como presidente do banco central dos Estados Unidos. “Não se podem analisar os números até que a guerra termine”, reconheceu. Kevin Warsh toma posse como presidente da Fed na sexta-feira.
As atas da última reunião da Fed (a última presidida por Jerome Powell, antes de Kevin Warsh assumir a presidência) saem na quarta-feira e os investidores vão escrutinar o mapa de dissidências para calibrar o rumo da política monetária.
As yields dos Treasuries têm subido, refletindo os receios de que um choque prolongado na oferta de petróleo possa desencadear uma nova onda de inflação — o que limitaria a capacidade da Fed de cortar taxas no futuro próximo.
Do lado da política monetária, a dirigente do Banco de Inglaterra Megan Greene alertou que os bancos centrais não devem assumir que o impacto inflacionário da guerra será temporário, e que não podem “esperar para ver” todas as evidências antes de agir sobre os juros. Este tom hawkish pode pesar sobre os índices europeus, em particular nos setores mais sensíveis às taxas.
Nas empresas, o grande foco da semana é a apresentação de resultados da Nvidia, agendada para quarta-feira após o fecho do mercado. O consenso de Wall Street aponta para receitas de 78 mil milhões de dólares e um EPS de 1,77 dólares, o que representaria um crescimento de 78% em termos homólogos.

Share this content:

Publicar comentário