A carregar agora

Comité de Basileia avança revisão sobre criptoativos e reforço da gestão de risco tecnológico

Comité de Basileia avança revisão sobre criptoativos e reforço da gestão de risco tecnológico

O Comité de Basileia para a Supervisão Bancária anunciou, esta quarta-feira, um conjunto de iniciativas destinadas a reforçar a resiliência do sistema financeiro global, com destaque para a gestão de riscos tecnológicos, a revisão das regras prudenciais para criptoativos e possíveis atualizações nas normas de liquidez bancária.
A decisão foi tomada durante a reunião realizada em Basileia, nos dias 19 e 20 de maio de 2026, onde os membros avaliaram os principais riscos que afetam o setor financeiro internacional.
Segundo o Comité, o sistema bancário global continua sólido, sustentado por níveis robustos de capital e liquidez. Ainda assim, os supervisores alertaram que o aumento das tensões geopolíticas, incluindo o conflito no Médio Oriente, poderá gerar impactos indiretos relevantes na economia mundial.
Entre os riscos identificados estão pressões inflacionistas, disrupções nas cadeias de abastecimento e efeitos sobre setores estratégicos como energia e agricultura. O organismo defendeu, por isso, vigilância contínua por parte dos bancos e das autoridades reguladoras.
Basel Committee preocupado com os fundos de crédito
Os membros também analisaram a evolução da intermediação financeira fora do setor bancário tradicional, especialmente no segmento de crédito privado. Embora as exposições diretas dos bancos ainda sejam consideradas controladas, o Comité demonstrou preocupação com riscos indiretos e interligações entre instituições financeiras.
Outro tema em destaque foi o avanço da inteligência artificial. O Comité reconheceu que modelos avançados de IA podem ajudar bancos e supervisores a identificar vulnerabilidades cibernéticas e fortalecer mecanismos de defesa. Mas, alertou que o uso malicioso destas tecnologias poderá aumentar significativamente a velocidade e a dimensão de incidentes cibernéticos.
No âmbito da digitalização, o Comité aprovou a publicação de um relatório sobre práticas de gestão de risco relacionadas com tecnologias de informação e comunicação (ICT). O documento reúne exemplos observados em diferentes jurisdições para lidar com incidentes tecnológicos não maliciosos.
A entidade destacou que a resiliência operacional dos bancos perante falhas tecnológicas tornou-se um elemento central da gestão de risco operacional, sobretudo num ambiente cada vez mais digitalizado. O relatório deverá ser divulgado no próximo mês.
Revisão das regras para criptoativos
O Comité confirmou ainda o avanço da revisão direcionada das normas prudenciais aplicáveis às exposições bancárias a criptoativos. A revisão pretende adaptar o enquadramento regulatório às mudanças recentes do mercado e aos riscos associados aos ativos digitais. Novas informações sobre este processo deverão ser divulgadas ainda este ano.
Outro ponto importante discutido, segundo o comunicado, foi a eventual atualização dos “Princípios para uma Gestão e Supervisão Sólida do Risco de Liquidez”, publicados originalmente em 2008.
De acordo com o Comité, as mudanças regulatórias e estruturais ocorridas desde a crise financeira global justificam uma reavaliação das atuais orientações para garantir que continuam adequadas ao contexto atual do sistema financeiro.
O Comité também aprovou um plano de trabalho para aprofundar a análise dos impactos financeiros de eventos climáticos extremos sobre os bancos. O estudo irá examinar como as instituições financeiras avaliam e gerem riscos físicos relacionados com fenómenos climáticos severos, bem como o papel dos seguros na mitigação desses impactos.
As conclusões preliminares destes trabalhos deverão ser apresentadas ao longo de 2026.

Share this content:

Publicar comentário