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Empresas portugueses negligenciam aplicação de IA em áreas que geram receita direta

Empresas portugueses negligenciam aplicação de IA em áreas que geram receita direta

“O período de se brincar com a Inteligência Artificial (IA) terminou e deu lugar à necessidade urgente de industrialização e integração massiva nas organizações”, indica Nuno Costa, Strategic Value Principal Director da NTT DATA Portugal, no estudo que a empresa realizou em 2025. 
Na apresentação que fez no Seguros Summit 2026, que se realizou esta quarta-feira, 20 de maio, em Lisboa, organizado pelo Jornal Económico (JE), o responsável revelou dados sobre o relatório 2026 Global AI Report. 
No estudo de 2026 é revelado que apenas quinze por cento das organizações mundiais são atualmente consideradas líderes na implementação da IA. De acordo com Nuno Costa,  este grupo restrito de empresas destaca-se por integrar a tecnologia de forma nativa na sua estratégia central e por obter retornos financeiros significativamente superiores aos dos seus concorrentes diretos.  
Segundo os dados recolhidos junto de mais de dois mil e trezentos decisores em trinta e quatro mercados, os líderes tecnológicos têm uma probabilidade duas vezes e meia superior de registar um crescimento de receita acima dos 10%.

A eficiência operacional também se manifesta de forma clara nas margens de lucro, uma vez que estas empresas são três vezes e meia mais propensas a atingir margens iguais ou superiores a quinze por cento através do uso destas ferramentas
Panorama português
Segundo o estudo, o panorama em Portugal apresenta particularidades relevantes e alguns desafios face à média internacional. O estudo da NTT Data indica que 54% por cento das empresas nacionais possuem uma estratégia de IA bem definida ou em curso, o que contrasta com os setenta por cento registados na amostra global. O relatório identifica um paradoxo no mercado português, onde se verifica uma forte aposta na otimização de processos internos de apoio mas uma relativa negligência na aplicação da tecnologia em áreas que geram receita direta e interação com o cliente.
Apesar de a quase totalidade das organizações globais planear reforçar o investimento nesta área, Portugal demonstra atualmente uma maior contenção orçamental. O nível de investimento significativo planeado para os próximos dois anos no país fixa-se nos 31%, um valor que se situa inclusivamente abaixo dos 45% apresentados pelas empresas tecnologicamente menos avançadas a nível mundial. 
A gestão da mudança organizacional é apontada pelo estudo como um fator crítico para o sucesso de qualquer implementação tecnológica. Em Portugal, existe uma base emocional favorável, uma vez que 78% dos colaboradores demonstram um sentimento positivo e de confiança perante a inteligência artificial. O documento sublinha que os líderes de sucesso utilizam estas ferramentas para amplificar o impacto de profissionais experientes e altamente qualificados em vez de optarem pela sua substituição 
IA no setor dos seguros
No setor específico das seguradoras, observa-se uma tendência clara de evolução da automação básica para a fase da agentificação. Estes novos sistemas inteligentes conseguem interpretar contextos e tomar decisões autónomas em processos complexos que abrangem desde a gestão de sinistros até à avaliação de risco em tempo real. De acordo com Nuno Costa, no início o setor focou-se na automação de tarefas repetitivas, evoluindo depois para a fase dos copilotos, onde a IA apoia a decisão humana para aumentar a produtividade. Atualmente, a tendência central é a agentification, na qual os agentes de IA interpretam contextos e agem de forma autónoma, orquestrando processos de negócio completos em vez de apenas tarefas isoladas.
Segundo dados do estudo, as principais áreas de impacto desta transformação operacional incluem: Gestão de Sinistros, que é  considerado o caso mais transformacional, a IA permite a automação total do processo, desde a análise inteligente de documentos e fotos até à tomada de decisões autónomas e pagamentos automáticos. Isto resulta numa redução significativa do tempo de resolução e dos custos operacionais. A Avaliação de Risco no qual a tecnologia possibilita a avaliação de risco e o ajuste de preços (pricing) em tempo real, baseados no perfil do cliente, o que acelera o tempo de resposta nas propostas. O atendimento que evoluiu de um modelo reativo para assistentes inteligentes orientados à ação, que conseguem executar tarefas diretamente nos sistemas, como realizar alterações em apólices ou agendar acompanhamentos. A utilização de IA permite criar experiências personalizadas no setor dos seguros como por exemplo a validação automática de dados e formulários pré-preenchidos, o que reduz erros e melhora a relação inicial com o cliente.

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