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Lançamento de um relógio da Swatch gera confrontos e fecha lojas em vários locais no mundo

Lançamento de um relógio da Swatch gera confrontos e fecha lojas em vários locais no mundo

O lançamento de um relógio de bolso exclusivo da Swatch numa parceria com a Audemars Piguet provocou um frenesim que forçou lojas em todo o mundo a fechar e, em alguns casos, obrigou polícias e seguranças a lidar com grandes multidões.
A coleção de relógios Royal Pop começou a ser vendida no sábado em lojas selecionadas em todo o mundo. À semelhança de vendas anteriores deste tipo, algumas pessoas fizeram fila durante dias para conseguir um dos oito modelos.
Mas a intensidade do interesse pelo produto, tanto online como nas lojas , dividiu opiniões sobre marketing responsável e sobre se os relógios valem realmente a pena. Mais conhecida pelos seus relógios coloridos da década de 1980, a Swatch descreveu a coleção “Royal Pop” como “uma colaboração disruptiva entre dois ícones da relojoaria suíça”. Embora as vendas originais da coleção tenham ocorrido exclusivamente em lojas selecionadas — com cada pessoa só podendo comprar um relógio a 448 dólares (396 euros) —, foram impulsionadas por uma campanha online que durou meses.
A especialista em retalho Catherine Shuttleworth dizque a Swatch fez um trabalho fantástico a divulgar o produto, aproveitando o gosto dos consumidores mais jovens por colaborações, exclusividade e de novidade.
“O hype funcionou”, disse ela à BBC, acrescentando que os consumidores conseguiam pagar uma fração do custo normal por um produto da Audemars Piguet. A crítica e podcaster Britt Pearce concorda — e diz que este tipo de colaborações são “um fenómeno passageiro, mas um fenómeno passageiro muito empolgante”.
No Reino Unido, a Swatch fechou as suas lojas em várias cidades depois de centenas de pessoas terem feito fila na rua e a polícia ter sido chamada. Houve relatos de comportamento ameaçador e pelo menos uma detenção. Também houve relatos de confrontos em Amesterdão e Milão, tal como em cidades da Ásia e do Médio Oriente.
De acordo com a agência de notícias “Reuters”, a polícia disparou gás lacrimogéneo para controlar 300 pessoas à porta de uma loja da Swatch perto de Paris, e quatro pessoas relataram ter sido agredidas na multidão à porta de uma loja em Lille, no norte de França. Em Nova Iorque, alguns acamparam durante uma semana e houve relatos de pessoas que passaram mal durante a espera.
Numa publicação nas redes sociais, depois de multidões se terem reunido em filiais em todo o mundo, a Swatch pediu às pessoas que “não corressem para as lojas em grande número” e fechou as suas lojas por razões de segurança quando as multidões se tornaram demasiado grandes.
Britt Pearce disse que a Swatch parece “estar a criar situações perigosas para as pessoas colecionarem um relógio”. “Acho que eles sabem exatamente o que estão a fazer”, acrescentou.
Shuttleworth, por seu lado, sugeriu que a Swatch não poderia ter previsto o surgimento da violência. A mesma especialista referiu que as vendas online também registaram problemas, com pessoas a usar bots e outras tecnologias para tentar contornar o sistema.
 
Segunda-feira, dia 18 de maio, a Swatch divulgou um comunicado afirmando que a resposta à coleção Royal Pop foi “fenomenal em todo o mundo”, acrescentando que os problemas ocorreram em apenas 20 das 220 lojas onde os relógios foram colocados à venda.
A marca comparou o lançamento ao do “MoonSwatch” — uma colaboração de 2022 com a fabricante de relógios de luxo Omega — quando a polícia foi chamada e lojas foram encerradas.
“Tal como aconteceu com o MoonSwatch, a situação normalizou-se um pouco após o dia do lançamento, sobretudo depois de termos comunicado novamente que a coleção Royal Pop estará disponível durante vários meses”, acrescentou a Swatch.
Britt Pearce disse que visitou uma das lojas da Swatch em Londres na noite de sexta-feira, dia 15, e viu os seguranças “perderem um pouco o controlo” à medida que a multidão crescia antes do lançamento. Afirmou também ter visto pessoas a sair da loja depois de comprar um relógio a serem abordadas por indivíduos que se ofereciam para pagar o dobro do valor.
Compra e revenda
Enquanto algumas pessoas estavam nas filas para comprar os relógios, outras fizeram-nos para revender online. Jaylen disse à BBC que comprou um dos relógios, com um preço de 335 libras (393 euros), no domingo, e vendeu-o por pouco mais de mil libras (1.175 euros).”Vou voltar para comprar mais. É um por pessoa, mas tenho amigos a quem paguei para os conseguir noutras lojas”, disse.
Embora haja relatos de relógios Royal Pop a serem revendidos por grandes quantias online, a revista britânica especializada em relógios “WatchPro” alertou que alguns desses anúncios são falsos. A BBC viu também alguns relógios Royal Pop listados no eBay entre as 3 mil e as 5 mil libras (entre 3.525 e 5.875 euros). Ahmed, que também comprou um dos relógios, disse à BBC que estava a pensar a longo prazo e que ficaria com o seu por agora, prevendo que deverá valorizar significativamente quando a venda limitada terminar. “Já estão a passar das mil libras no mercado, por isso quando pararem completamente de os produzir e não houver mais a ser lançados… é uma decisão óbvia”, disse.
“Sinto que é algo que pode ser guardado.ode ser memorável, valioso e aumentar de valor ao longo do tempo se for de stock limitado”, disse Corzo, que estava na fila há dias e afirmou ter notado uma melhoria na comunicação e cooperação entre as pessoas na multidão.
“A Swatch colaborou com uma marca muito boa, que é a Audemars Piguet. E é muito bom ter isto na minha coleção de relógios”, disse outro homem, que ficou na fila durante dois dias e dormiu numa tenda.
Outros não se entusiasmaram. “Não acho que valha o dinheiro nem o tempo de estar na fila”, disse Tabassum, de 18 anos, em Birmingham. “Para quê tanto alarido?”, disse a sua amiga Meredith.
Britt Pearce disse que tinha ficado entusiasmada com a colaboração entre duas marcas de relógios de renome e achou que poderia levar as pessoas a interessarem-se mais por relógios.
Porém, a sua experiência na loja de Londres diminuiu esse entusiasmo. “Diria que ir lá e fazer parte disto acabou por prejudicar a minha perceção”, disse.

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