Aeroporto de Lisboa entre os melhores do mundo para ligações para o Mundial de futebol
O índice global da AirAdvisor refere que os aeroportos de Dallas, Chicago, Nova Iorque e Miami, que são as principais portas de entrada para o Mundial de Futebol de 2026, que se inicia a 11 junho, são os piores para ligações. Quanto ao Aeroporto de Lisboa, fica fora desta lista negativa.
O índice avaliou o desempenho operacional dos 20 principais aeroportos mundiais com base no risco de perda de voos de ligação. Nesse ranking o Aeroporto Internacional de Dallas/Fort Worth surge na última posição com uma pontuação de 6,15. “Esta infraestrutura constitui um dos pontos-chave de entrada para os adeptos que se dirigem aos estádios do Texas. Por sua vez, as rotas de Chicago, JFK (Nova Iorque) e Miami gerem a maior parte do tráfego transatlântico para os restantes palcos da competição”, referiu a AirAdvisor.
“No verão passado, cerca de um em cada seis voos em Dallas acumulou atrasos superiores a uma hora em dias de operação normal, o que eleva a taxa de disrupção na época estival para os 16,9% e transforma qualquer escala padrão de 90 minutos numa suposição puramente otimista. O nível de perigo crítico nos Estados Unidos fica completo com o aeroporto de Chicago O’Hare no 19.º lugar, Nova Iorque JFK em 18.º e Miami Internacional na 17.ª posição. Chicago enfrenta uma taxa híbrida de atrasos longos de 13,58% devido à reduzida margem para lidar com perturbações no pico do verão, enquanto Miami lida com uma taxa de 12,13% de atrasos, cerca de um em cada oito voos acumulou pelo menos uma hora de atraso no verão passado, sobretudo devido às tempestades quase diárias que ocorrem entre junho e setembro”, salienta o índice.
O aeroporto nova-iorquino JFK, com 9,91% de voos afetados, sofre com o “efeito de arrastamento gerado pela gestão partilhada de um dos espaços aéreos mais congestionados” do planeta. “No 16.º lugar surge Xangai Pudong, cujos dados merecem cautela, uma vez que as autoridades chinesas apenas contabilizam se o voo operou e não a sua pontualidade real à saída”, refere o índice.
“As pistas, as restrições do espaço aéreo e os padrões de atrasos que deram origem aos dados do verão passado serão os mesmos. A única coisa diferente é o número de passageiros a movimentar-se por eles, e esse número vai aumentar significativamente”, disse o CEO da AirAdvisor, Anton Radchenko.
O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, fica de fora da lista dos piores aeroportos do mundo para ligações no verão. A infraestrutura portuguesa ocupa a quarta posição global, com uma pontuação de 8,65, e integra o grupo de terminais considerados de baixo risco. “O topo deste ranking mundial é liderado pelo aeroporto de Estocolmo Arlanda, que obteve a pontuação máxima de 9,30 devido ao facto de menos de uma em cada 35 partidas registar atrasos significativos. O aeroporto Chopin de Varsóvia está em segundo lugar com 9,15 pontos, seguido de perto por Madrid Barajas na terceira posição, com 8,65 pontos, o mesmo índice alcançado pelo aeroporto Humberto Delgado. A fechar esta lista surge o aeroporto de Roma Fiumicino na quinta posição”, revela o índice.
Na categoria de baixo risco está também o aeroporto de Barcelona El Prat em sexto lugar, seguido por Londres Heathrow e Paris Charles de Gaulle. “A presença destes dois megahubs britânico e francês na faixa mais segura do índice, classificados acima de rivais diretos, constitui um dado inesperado do estudo”, refere a análise.
“Outro dado de destaque é o desempenho de Déli Indira Gandhi, que alcançou o oitavo lugar a nível global com base em dados operacionais diretos, superando grandes capitais europeias e todos os aeroportos norte-americanos avaliados”, acrescentou o índice.
A AirAdvisor salientou que foi identificado um comportamento invulgar nos aeroportos classificados na categoria de risco moderado. “Frankfurt Main surge no 10.º lugar e, embora apresente uma frequência de atrasos relativamente baixa, regista a pior duração média de atraso do mundo, com uma média de 175 minutos de espera sempre que algo corre mal. Logo abaixo, Amesterdão Schiphol ocupa o 11.º posto, penalizado por uma elevada taxa de cancelamentos no primeiro trimestre de 2026. Por outro lado, aeroportos com reputação pública de caos como Los Angeles, em 12.º, e Atlanta Hartsfield-Jackson, em 15.º, demonstraram perfis de disrupção substancialmente mais moderados do que os quatro piores classificados do ranking. Seul Incheon ocupa a 13.ª posição, ostentando a taxa de cancelamento mais baixa do índice (0,18%), embora a instabilidade meteorológica da época de tufões impeça a sua subida na tabela”, salientou o índice.
O CEO da AirAdvisor, Anton Radchenko, salientou que o ranking é baseado nos resultados das interrupções, dependência da rede e espaço aéreo restrito, acrescentando que os aeroportos na parte inferior do ranking partilham condições que “transformam uma única rotação atrasada numa cadeia de ligações perdidas muito antes” do controlo do clima ou do tráfego aéreo entrar em cena. Anton Radchenko referiu também que as perturbações no espaço aéreo do Médio Oriente “alargaram significativamente as rotas de longa distância e aumentaram o consumo de combustível” por rotação.
“As companhias aéreas absorvem isto reduzindo as margens de segurança, aeronaves de reserva, posicionamento da tripulação, janelas de retorno que, de outra forma, impediriam que um atraso se propagasse. As fragilidades estruturais já estão nos dados. Alguns resultados são tranquilizadores, outros preocupantes, e há mesmo conclusões que podem fazer os viajantes repensarem as escalas que têm reservado”, disse Anton Radchenko.
O índice elaborado pela AirAdvisor teve por base quatro critérios, que foram a frequência que os voos acumulam pelo menos uma hora de atraso (45% da pontuação); taxa de cancelamentos (25%); duração média do atraso (15%) e volume total de voos no verão, pontuado inversamente (15%). Cada aeroporto recebeu uma pontuação de 5 a 10, sendo que uma pontuação mais alta equivale a um aeroporto mais seguro.
“Os dados combinam o desempenho do verão de 2025, que teve peso de 70% na pontuação com o primeiro trimestre de 2026, que representou 30% do resultado final, garantindo uma base tão atual como sazonalmente relevante”, disse o CEO da AirAdvisor.
Anton Radchenko sublinhou ainda a importância dos viajantes conhecerem os seus direitos porque há casos em que cancelamentos ou perdas de ligações de voos podem gerar indemnizações. Por exemplo uma ligação perdida devido a atraso ou cancelamento por parte da companhia aérea, com partida de um aeroporto da União Europeia (UE), pode dar direito a uma compensação fixa de 250 euros, 400 euros ou 600 euros, dependendo da distância do voo, além de reencaminhamento ou reembolso total. Um regulamento aplica-se independentemente da nacionalidade da companhia aérea.
No caso dos Estados Unidos, disse o mesmo responsável, “não existe” uma compensação legal fixa por atraso, mas os reembolsos por voos cancelados e a compensação por embarque negado “são garantidos” pelos regulamentos do Departamento de Transportes dos Estados Unidos. “Nestes casos, o passageiro deve documentar o atraso no portão de embarque e apresentar uma reclamação diretamente ao Departamento de Transportes se a companhia aérea não cumprir as suas obrigações”, referiu o CEO da AirAdvisor. Mas Anton Radchenko sublinhou que esta proteção jurídica “só é válida” se os voos tiverem sido reservados sob um bilhete único. “Caso o consumidor compre bilhetes separados para criar a sua própria escala, as transportadoras tratam as reservas como contratos independentes, ficando o utilizador por sua conta e risco, sem direito a assistência ou remarcação gratuita. Em Portugal, o prazo legal para reclamar estas compensações retroativamente estende-se até três anos”, sublinhou.
O CEO da AirAdvisor salientou que “em aeroportos de alto risco, uma ligação de 90 minutos não é garantia de segurança, o passageiro deve reservar pelo menos duas a três horas em datas de pico do verão”. Anton Radchenko salientou também a importância de “pedir assistência antes de pagar qualquer despesa porque as companhias aéreas devem fornecer refeições e alojamento durante atrasos significativos”, referindo que “essas solicitações podem ser feitas no balcão de atendimento da companhia e o cliente não deve esperar que lhe seja oferecido”.
O CEO da AirAdvisor disse ainda que “o consumidor guarde tudo, cartões de embarque, notificações de atraso na porta de embarque, recibos. Tudo isto se torna prova caso seja necessário solicitar uma indemnização”.
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