ANF lança oferta de aquisição das obrigações convertíveis da Farminveste para reforçar estrutura de capital do grupo e reduzir dívida
A ANF- Associação Nacional das Farmácias lançou uma oferta de aquisição das obrigações convertíveis da Farminveste, num movimento que visa reforçar a estrutura de capital do grupo e reduzir dívida.
A operação abrange as “Obrigações 2022-2026” e oferece aos obrigacionistas a possibilidade de venderem os títulos à ANF, que depois os converterá em ações de categoria B da Farminveste.
A ANF propõe a aquisição das 933.969 obrigações ainda em circulação, com valor nominal global de 4,67 milhões de euros, após a operação de troca realizada em 2025. O objetivo é apoiar a consolidação financeira da Farminveste e dar aos investidores uma alternativa adicional ao reembolso ou à conversão direta dos títulos.
Cada obrigação dá direito, no total, a 5,11875 euros, valor que inclui o nominal de 5 euros, um prémio em numerário de 0,02165 euros (correspondente a 0,433% do valor nominal unitário das Obrigações) e juros corridos de 0,0971 euros.
“A contrapartida corresponde assim a um montante global de 5,02165 euros por Obrigação, a pagar na Data de Liquidação, que representa, em termos relativos, 100,433% do seu valor nominal. Na Data de Liquidação, a Oferente pagará ainda os juros corridos desde a última data de pagamento de juros relativos às Obrigações, ou seja, desde 20 de janeiro de 2026, inclusive, até à referida Data de Liquidação, exclusive, no valor de 0,0971 euros por Obrigação considerando a correspondente taxa de juro de 4,75%. O montante total de 5,11875 euros por Obrigação a receber por cada titular de Obrigações que declare a sua aceitação da Oferta corresponde, em termos práticos, a uma antecipação integral do valor do capital e dos juros devidos na data de vencimento das Obrigações”, segundo do documento.
Isto é, na prática, a ANF antecipa em cerca de 33 dias o montante que seria pago na maturidade, sem penalização para o titular que aceitar oferta.
“As Obrigações, emitidas pela Farminveste – SGPS têm valor nominal unitário de cinco euros e conferem uma remuneração a uma taxa de juro fixa anual de 4,75%, com pagamento de juros semestral e postecipado e cálculo na base 30/360. Estas Obrigações incorporam ainda um direito de conversão em ações de categoria B da Farminveste (Ações), na proporção de uma Obrigação por uma Ação, exercível nos termos previstos na documentação aplicável, ambas com o mesmo valor nominal unitário de cinco euros. Em caso de não conversão, o reembolso ocorre ao valor nominal na data de reembolso, a 20 de julho de 2026, sendo que, independentemente do exercício ou não do direito de conversão, serão pagos os juros, no valor de 0,11875 euros por cada título, na mesma data”, lê-se no documento publicado no site da CMVM.
O assessor financeiro da operação é o CaixaBI e a contrapartida incorpora um prémio face à cotação recente das ações da Farminveste. O banco de investimento lembra no entanto a baixa liquidez do título em bolsa. O documento destaca ainda que a decisão de aderir ou não deve depender da avaliação individual de cada obrigacionista sobre o valor da conversão face ao reembolso ou à contrapartida proposta.
A oferta decorre entre as 08h30 de 25 de maio de 2026 e as 15h30 de 12 de junho de 2026. O apuramento de resultados está previsto para 15 de junho, a liquidação para 17 de junho e a conversão das obrigações adquiridas pela ANF para 23 de junho.
“Prevê-se que o apuramento do resultado ocorra o primeiro dia útil após o termo do Período da Oferta, designadamente no dia 15 de junho de 2026, salvo eventuais adiamentos ao calendário da Oferta que sejam comunicados. Os resultados da Oferta serão apurados pelo Caixa – Banco de Investimento”, lê-se no comunicado.
Segundo o documento, mesmo que a ANF adquirisse a totalidade das obrigações, a sua participação na Farminveste não chegaria ao limiar de 90% para mecanismos de aquisição potestativa, ficando num máximo de 87,51%. O cenário extremo de aquisição e conversão da totalidade dos títulos implicaria ainda uma diluição de cerca de 4,42% para os atuais acionistas.
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