O que valorizam os portugueses na escolha de um empregador?
O salário, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e as perspetivas de progressão na carreira continuam a liderar as prioridades dos trabalhadores portugueses na escolha de um empregador, segundo os resultados da edição de 2026 do Randstad Employer Brand Research, conduzido pela Randstad Portugal.
O estudo, considerado o maior a nível mundial sobre marca empregadora, revela uma tendência consistente nas expectativas dos profissionais, mas também expõe um desfasamento significativo entre essas expectativas e a realidade oferecida pelas empresas.
De acordo com os dados agora divulgados, 68% dos trabalhadores apontam o salário e os benefícios como o fator mais determinante, seguido de muito perto pelo equilíbrio entre vida profissional e pessoal, referido por 67% dos inquiridos. A progressão na carreira surge logo depois, com 65%, enquanto o ambiente de trabalho agradável (63%) e a segurança no emprego (58%) completam o conjunto das principais prioridades.
Apesar de o salário continuar a ocupar o topo das preferências, é também o aspeto mais criticado na avaliação que os trabalhadores fazem dos seus empregadores atuais. Este fator surge apenas na 12.ª posição, evidenciando uma discrepância clara entre aquilo que os profissionais procuram e aquilo que encontram. Também a progressão na carreira e o apoio ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional apresentam lacunas relevantes.
O estudo mostra ainda que esta realidade tem impacto direto na mobilidade laboral. Nos últimos seis meses, 12% dos profissionais mudaram de emprego e 23% admitem fazê-lo no próximo semestre. Entre os principais motivos para a mudança destacam-se a remuneração considerada insuficiente, ou seja baixa (50%), a falta de oportunidades de progressão e as dificuldades em manter um equilíbrio saudável entre trabalho e vida pessoal.
A crescente valorização do equilíbrio entre vida profissional e pessoal é transversal a diferentes gerações, embora com nuances distintas. Os profissionais mais jovens tendem a valorizar cargas de trabalho mais equilibradas e expectativas mais realistas, enquanto os trabalhadores com mais de 35 anos dão maior importância a aspetos relacionados com saúde, bem-estar e apoio familiar. Um bom ambiente de trabalho, tempo adequado de descanso e modelos flexíveis são apontados como elementos-chave para garantir esse equilíbrio.
Ainda assim, a flexibilidade no trabalho continua limitada em Portugal. Apenas cerca de três em cada dez profissionais trabalham remotamente, pelo menos de forma parcial, um número que evidencia margem para evolução num contexto em que a flexibilidade é cada vez mais valorizada.
Na procura de novas oportunidades, o portal Net-Empregos mantém a liderança como principal plataforma utilizada pelos candidatos, seguido pelo LinkedIn, redes de contactos pessoais e redes sociais. As diferenças geracionais também se fazem sentir neste campo, com os mais jovens a recorrerem cada vez mais a ferramentas digitais, Google Jobs e soluções baseadas em inteligência artificial, enquanto os profissionais mais experientes continuam a privilegiar métodos tradicionais.
O estudo identifica ainda as empresas mais atrativas para trabalhar em Portugal, com o Grupo Nabeiro – Delta Cafés a ocupar novamente o primeiro lugar do ranking. Seguem-se a Microsoft e a The Navigator Company. O top 10 inclui ainda a Siemens, a OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, a Bosch, a Nestlé, a RTP – Rádio e Televisão de Portugal, o Banco de Portugal e a CUF.
Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, os resultados apontam para uma mensagem clara: os profissionais portugueses procuram mais do que estabilidade e remuneração. Esperam condições que promovam o bem-estar, oportunidades reais de desenvolvimento e uma experiência de trabalho alinhada com as suas expectativas pessoais e profissionais.
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