Administração Trump regressa à retórica de Taiwan e da Gronelândia
Uma semana depois de ter iniciado uma visita de Estado à China, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que prepara uma conversa com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, uma decisão que os analistas classificam como contrária ao aparente bom entendimento que resultou do encontro com o seu homólogo chinês, Xi Jinping. Ou então, como dizem vários comentadores, a cimeira foi um ‘flop’ e Trump está a tratar de a deixar para trás, sendo certo que a questão de Taiwan é, como Xi Jinping deixou bem claro, central no relacionamento entre as duas maiores economias do mundo.
A conversa abre um precedente que até agora não existia: os presidentes norte-americanos costumam abster-se de conversar (pelo menos que seja do conhecimento público) com o presidente da ilha sobre a qual a China tem interesses hegemónicos. É certo que Trump falou com a anterior presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, no final de 2016 – mas na altura era apenas o vencedor das eleições presidenciais e não presidente empossado dos Estados Unidos. Para todos os efeitos, a conversa com Lai Ching-te não será do agrado de Xi Jinping e servirá, disso ninguém duvida, para lançar nova carga de tensão sobre as relações China-EUA. Espera-se uma reação ou uma qualquer medida retaliatória da parte de Pequim.
“Vou falar com ele”, disse Trump na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, “Falo com todos… Vamos trabalhar nisso, no problema de Taiwan”. Em resposta, e de acordo com a agência Reuters, o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan afirmou que o presidente ficaria feliz em conversar com o líder norte-americano. Recorde-se que, depois da conversa de 2016, o governo chinês apresentou uma queixa à administração norte-americana.
Outra vez a Gronelândia
Por outro lado, o enviado especial dos EUA para a Groenlândia afirmou que é hora de Washington “retomar as rédeas” na ilha do Ártico. Em visita ao território, a primeira desde sua a nomeação em dezembro de 2025, Jeff Landry afoirmou que “acho que é hora de os Estados Unidos retomarem a presença na Gronelândia. A Groenlândia precisa dos Estados Unidos”. “Acho que o presidente fala sobre aumentar as operações de segurança nacional e repovoar certas bases na Gronelândia”, disse, citado pela agência France-Presse.
No auge da Guerra Fria, os norte-americanos chegaram a ocupar 17 instalações militares na ilha, mas fecharam-nas ao longo dos anos e atualmente têm apenas uma – a base de Pituffik, no norte do território. Segundo informações recentes, a proposta dos Estados Unidos é abrirem três novas bases no sul. Um acordo de defesa datado de 1951 e atualizado em 2004, permite que Washington aumente o número de efetivos e de instalações militares na ilha, desde que informe a Dinamarca e o governo autónomo da Gronelândia com antecedência.
Em janeiro, e depois de uma forte polémica com a Dinamarca e com a União Europeia – polémica essa de que a NATO tentou manter-se à parte – Trump recuou face às ameaças de anexar o território e aceitou a criação de um grupo de trabalho EUA-Dinamarca-Gronelândia para tratar do assunto. Na altura de maior tensão entre as partes, vários exércitos europeus aumentaram a sua presença na ilha, tentando provar aos Estados Unidos que a defesa do território é central nas suas preocupações de segurança comum – mas os Estados Unidos de Trump estão convencidos que a segurança interna a si só diz respeito, não sendo, por isso, passível de ser entregue a terceiros.
O enviado dos EUA, que também é o governador republicano do Estado de Louisiana, chegou a Nuuk, capital da Gronelândia, no domingo, mas não enquanto visitante oficial. Mesmo assim, reuniu com o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen e com o ministro das Relações Exteriores, Mute Egede.
Em entrevista publicada no jornal diário gronelandês ‘Sermitsiaq’, Landry alimentou o sonho de independência do território. “Acredito que existem algumas oportunidades incríveis que podem realmente tirar os habitantes da Gronelândia da dependência e levá-los à independência. Acho que o presidente dos Estados Unidos gostaria de ver o país tornar-se economicamente independente. E acho que isso é possível”, disse.
Landry viajou acompanhado por um médico norte-americano que declarou à emissora dinamarquesa TV2 estar ali para “avaliar as necessidades médicas” da Gronelândia.
Acordo Irão-EUA sem apoio de Israel
Os Estados Unidos acreditam haver progressos nas negociações de paz com o Irão, mas as divergências com Israel sobre a matéria ameaçam inviabilizar a diplomacia. Segundo o jornal ‘Semafor’, Donald Trump teria tido uma conversa tensa com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que criticou duramente a proposta de paz que está em cima da mesa e é trabalhada pelo Paquistão. É claro para os analistas que Israel não quer a paz com o Irão, uma vez que isso iria comprometer as suas declaradas intenções de mudar o regime e de impedir que o Estado xiita continue a contar com mísseis que possam atingir o território israelita.
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