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F1, Fernando Alonso: “Perdemos quase uma década de corridas puras”

F1, Fernando Alonso: “Perdemos quase uma década de corridas puras”

A era híbrida da F1 nunca foi unânime (o que realmente foi unânime na F1?) mas as críticas às exigências técnicas, aos custos, ao som e à utilização das unidades motrizes sempre se fizeram ouvir de forma mais ou menos intensa desde 2014. Fernando Alonso foi duro nas suas críticas e disse que perdemos quase uma década, ou mesmo mais, de corridas puras. O piloto da Aston Martin também expressou ceticismo quanto às reformas regulamentares em discussão para o futuro.
A Fórmula 1 debate atualmente alterações ao regulamento técnico de 2026, que entrou em vigor com críticas generalizadas por não ter convencido em pista. No centro da discussão está a distribuição de potência entre a parte térmica e a elétrica: o atual regulamento de 2026 assenta numa repartição 50/50, mas uma proposta de divisão 60/40 para 2027 tem gerado divisões entre equipas, a FIA e a própria F1. Refira-se que, em abril, todas as partes chegaram já a acordo sobre ajustes ao regulamento de 2026 — redução da regeneração máxima e aumento do pico de potência elétrica —, numa admissão tácita de que havia problemas a corrigir.
Alonso, o piloto com mais experiência na grelha e o que mais conceitos distintos experimentou ao longo da carreira, considera que o ADN destes regulamentos continua a premiar quem é mais lento nas curvas, independentemente das alterações que possam ser introduzidas.

No que respeita às ultrapassagens, o asturiano mantém uma visão muito crítica, considerando que as passagens em reta proporcionadas pela bateria adicional não constituem verdadeiras ultrapassagens, sem qualquer comparação com as obras de arte do passado, como a sua célebre ultrapassagem a Schumacher na curva 130R de Suzuka em 2005.
“Estou à espera. Mas o ADN destes carros é sempre igual e vai premiar quem vai devagar nas curvas” disse Alonso. “Não vai mudar, por muito que nos ouçam. Estas regras foram pensadas com a ideia de que tudo caminharia para a eletrificação, mas isso não tem a ver com as corridas. As corridas são um animal diferente.”
“Vamos regressar, sim. E haverá mais no futuro. Mas desde 2014, com a era do turbo, o que aconteceu é que perdemos quase uma década — ou mesmo mais — de corridas puras. Só podes ultrapassar em retas. Tens mais bateria e é mais fácil. Mas não é uma ultrapassagem. Tens mais bateria, os outros entram em clip e não vão conseguir passar. Com toda essa potência elétrica adicional esquivas-te e passas.”
Será justo pensar que perdemos quase dez anos de corridas?
O arranque da era híbrida foi de facto penoso e assistimos a um domínio quase sem precedentes da Mercedes. Mas já nos tempos dos V10 e dos V8 assistimos a eras de domínio que se tornaram cada vez mais frequentes. A qualidade das corridas não foi a melhor nos primeiros anos, mas gradualmente foram melhorando. Faltava a agilidade e a agressividade dos monolugares anteriores, mas sobrava velocidade e potência. Criaram-se unidades motrizes que são um hino à capacidade técnica e ao engenho. Infelizmente, a tecnologia não teve grande repercussão nas nossas estradas. Mas a F1 fez o que sempre fez: tentou ir para lá do limite, explorar novos territórios. E conseguiu fazê-lo sem perder muito da sua essência.
Portanto, dizer que perdemos quase uma década de corridas puras pode ser algo exagerado. Tivemos colheitas menos boas… como sempre aconteceu, sobretudo com mudanças de regulamentos técnicos. As dores de crescimento da era híbrida foram por vezes intensas, mas culminaram com a memorável temporada de 2021. Nesse ano, pouco ou nada se falou de motores baterias.
Mas 2026 traz um problema extra. Se até agora, apesar de gostarmos mais ou menos do motor, do chassi, da filosofia aerodinâmica, o piloto tinha de dar tudo para chegar ao sucesso, atualmente a necessidade de gestão de energia afasta a F1 da sua essência. E aí, sim, é preciso ter cuidado. Pode haver quem acredite que se perdeu uma década de corridas. Pode haver quem discorde totalmente ou em parte. Mas em 2026 ficou claro para todos o que não queremos ver: uma F1 a meio gás.
Foto: MPSA
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