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Acordo Irão-EUA pode estar para breve

Acordo Irão-EUA pode estar para breve

A Casa Branca não espera que um eventual acordo para encerrar a guerra com o Irão venha a ser concluído em breve, uma vez que a aprovação pela liderança iraniana, incluindo o Líder Supremo Mojtaba Khamenei, pode levar vários dias, refere a imprensa norte-americana. Embora a administração Trump esteja otimista sobre a possibilidade de um acordo, também reconhece dificuldades. “Estamos numa posição muito boa, mas existem maneiras de o acordo poder ser prejudicado”, disse uma fonte do jornal ‘Axios’.
Aparentemente, a pressa foi substituída por um cuidado mais apertado sobre o que constará do processo: Trump disse aos representantes norte-americanos para “não se precipitarem” no acordo com o Irão, afirmando nas redes sociais que “ambos os lados devem ter calma e fazer tudo da maneira correta”. Entretanto, o bloqueio naval dos Estados Unidos “permanecerá em pleno vigor até que o acordo seja alcançado, certificado e assinado”. Há ainda detalhes a serem definidos, mas a natureza lenta e opaca do sistema de tomada de decisões do Irão pode atrasar o acordo por mais alguns dias. “Ainda há discussões sobre detalhes específicos. Algumas palavras são importantes para nós, outras são importantes para eles”, disse a fonte do ‘Axios’. “Entendemos que o líder supremo, Mojtaba Khamenei, aprovou a estrutura geral do acordo. Se isso se tornará um acordo, ainda é uma questão em aberto”.
Em paralelo, a comunicação social iraniana acusa os Estados Unidos de “criarem obstáculos” às negociações. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou este domingo que o Irão está “pronto para assegurar ao mundo que não procura armas nucleares”, mas enfatizou que os negociadores “não farão concessões quando se trata da honra e da dignidade do nosso país”.
A questão do urânio enriquecido continua em aberto. Os norte-americanos estão convencidos que os iranianos acabarão por aceitar entregar o urânio – estimado em dois mil quilos e não apenas os 450 quilos enriquecidos a níveis próximos dos utilizados em armas nucleares. “Tudo isso fará parte da discussão”. O Irão parece ter-se comprometido a discutir uma moratória sobre o enriquecimento de urânio, mas as partes ainda precisam de negociar a duração dessa moratória. “Queremos ver um compromisso substancial em relação ao abandono do enriquecimento de urânio. Acreditamos que o conseguiremos. Estamos satisfeitos com o ponto em que nos encontramos em relação aos compromissos gerais referentes à questão do enriquecimento”, disse a mesma fonte. O que está previsto é que quanto mais o Irão ceder em relação ao enriquecimento de urânio e ao material nuclear, mais alívio das sanções receberá da parte norte-americana.
Outra parte potencialmente polémica do acordo é a posição de Israel. O país tem sido sistematicamente envolvido no processo de negociações, mas deixou claro que está profundamente preocupado com partes do acordo e duvida que o líder supremo do Irão o aprove. No sábado, Trump assegurou ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu que preservará a sua liberdade de ação contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano. Netanyahu afirmou posteriormente em comunicado que Trump “reafirmou o direito de Israel de se defender contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano”.
O acordo proposto oferece, segundo relatos não-oficiais, o alívio das sanções ao Irão e o desbloqueio de até 20 mil milhões de dólares em ativos congelados (12 mil milhões estão no Qatar) em troca da reabertura do Estreito de Ormuz e da concordância em negociar o programa nuclear nos próximos 60 dias, a partir de 5 de junho, no Paquistão.
O líder supremo do Irão e o Conselho de Segurança Nacional precisam de aprovar o acordo proposto. Há ainda cláusulas que precisam de ser esclarecidas antes que o memorando de entendimento possa ser enviado para essas instâncias superiores para ratificação, o que já foi comunicado aos mediadores paquistaneses.
Os países do Golfo, assim como o presidente turco, Recep Erdogan, e o presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, pressionaram Trump por telefone no sábado, aconselhando-o a desistir de retomar os bombardeamentos ao Irão.
A agência de notícias iraniana Fars, próxima da Guarda Revolucionária Islâmica, declarou que o estreito permanecerá sob controlo iraniano. Em comunicado citado pela agência lê-se que “a gestão do estreito, a determinação da rota, do horário, do método de passagem e a emissão de autorizações continuarão monopólio da República Islâmica do Irão”. No sábado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão afirmou que a futura governação do estreito é uma questão a ser negociada entre o Irão, na margem norte, e Omã, na margem sul, e que os Estados Unidos não são chamados a envolverem-se no assunto.
Mike Pompeo, ex-diretor da CIA e secretário de Estado durante o primeiro mandato de Trump, denunciou o acordo proposto como sendo muito semelhante ao que os negociadores de Barack Obama alcançaram em 2015, o que, na sua opinião, seria uma vantagem para a Guarda Revolucionária. Aliás, a linha dura dos republicanos tem-se concentrado nessa crítica: no final de uma guerra cara, a administração Trump arrisca um entendimento que deixa o Irão no mesmo patamar em que estava à data da assinatura do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). Trump e o seu atual secretário de Estado, Marco Rubio, contestam esta leitura republicana, afirmando que, no final, o Irão deixará de constituir uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. A linha dura republicana acha que o Irão devia ser muito mais duramente tratado pela administração Trump.

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