Banco central de Moçambique mantém taxa MIMO em 9,25%. Previsão da inflação revista em alta
O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique manteve nos 9,25% a taxa de juro de política monetária (designada taxa MIMO).
A decisão foi tomada esta segunda-feira, dia 25 de maio, e é justificada com a “prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e o consequente impacto sobre a cadeia logística e oferta de bens, bem como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, lê-se num comunicado emitido pelo banco central.
Em contraste com a decisão tomada para a taxa MIMO (taxa de Mercado Monetário Interbancário de Moçambique), introduzida em 2017, o Governador Rogério Zandamela, o Vice-Governador e Administradores do Banco de Moçambique, que compõem o CPMO, anunciaram o aumento do coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 29% para 39%, “visando absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar maior pressão inflacionária”. O coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda estrangeira mantém-se em 29,5%.
Previsão da inflação revista em alta
Na sessão ordinária desta segunda-feira, o CPMO reviu em alta a previsão da inflação. “No curto e médio prazo, antevê-se uma aceleração da inflação, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente. A previsão da inflação reflete os efeitos diretos e indiretos do ajustamento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos, da intermitência no seu fornecimento e da inflação importada, não obstante a estabilidade do Metical e a fraca atividade económico”, é referido no mesmo comunicado consultado pelo JE.
A inflação anual fixou-se em 4,4%, em abril, acima dos 3,4% registados em março.
De acordo com o órgão, os riscos e incertezas associados às projeções dos números da inflação “continuam a agravar-se”. “A nível doméstico, evidenciam-se riscos e incertezas quanto à magnitude dos efeitos indiretos do aumento dos preços dos combustíveis sobre a cadeia logística e a oferta de bens; ao ritmo de reposição da capacidade produtiva na sequência das inundações que assolaram o país no primeiro trimestre do ano; e aos efeitos do agravamento do risco fiscal, com destaque para os atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado”.
“A nível externo, destacam-se as incertezas quanto à duração e magnitude do impacto do conflito geopolítico no Médio Oriente sobre a cadeia logística e a oferta de bens, bem como sobre os preços dos produtos energéticos e alimentares”.
Ainda segundo o banco central moçambicano, também o “endividamento público e os atrasados da dívida interna e externa mantêm-se elevados, afetando o normal funcionamento do mercado financeiro e a liquidez bancária”.
A dívida pública interna (excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora) ascende a 493,1 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 18,5 mil milhões em relação a dezembro do ano passado.
“A direção da política monetária continuará condicionada à avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projeções da inflação”, finaliza o CPMO.
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