CEO da Optimize diz que vai continuar a comprar ações da Martifer e rejeita as críticas às ordens acima do preço da OPA da Visabeira
O jornal Eco escreveu hoje que o fundo Portugal Golden Opportunities da Optimize quer quase duplicar os 4,5% que tem da Martifer para travar a OPA da Visabeira e diz que isso pode custar-lhe 2 milhões de euros e “deixar o fundo encurralado”, já o potencial investimento é de 9 milhões de euros que se soma à posição que o fundo já detém na empresa.
Pedro Lino, CEO da Optimize rejeita as críticas ao fundo Portugal Golden Opportunities e às ordens de compra de ações da Martifer acima do preço da OPA da Visabeira, e anuncia ao Jornal Económico que vai continuar a comprar ações.
A Optimize Investment Partners veio assim público responder ao artigo do Eco que descrevia a aposta da gestora na Martifer como “uma jogada de alto risco”, contestando as premissas do texto e reafirmando a intenção de avançar com a compra de quatro milhões de ações da metalúrgica de Oliveira de Frades a 2,25 euros — acima dos 2,057 euros oferecidos pela Visabeira Indústria na OPA em curso.
“Não temos medo de defender os interesses dos nossos clientes, e não somos ‘jogadores’. Somos uma equipa que tem feito um trabalho notável em prol do investimento”, afirmou Pedro Lino, CEO da Optimize, em declarações ao Económico.
Segundo o Eco, o objetivo dos gestores do Portugal Golden Opportunities é impedir que a Visabeira Indústria, braço industrial do grupo Visabeira de Fernando Campo Nunes, consiga retirar a Martifer de bolsa ao preço que fixou para a Oferta Pública de Aquisição (OPA), os 2,057 euros por ação, que se traduz num prémio de 6,5% face à cotação média dos 6 meses anteriores ao lançamento da oferta preliminar, e que tanto os acionistas minoritários como associações de investidores e analistas de mercado consideram muito abaixo do valor justo da empresa.
Recorde-se que a Associação Portuguesa de Acionistas Minoritários (APAM ) manifestou a sua preocupação com os termos da Oferta Pública de Aquisição lançada pela Visabeira Indústria sobre a Martifer, em particular com a contrapartida de 2,057 euros por ação, que a Associação considera não refletir adequadamente o valor económico da empresa nem proteger de forma suficiente os acionistas minoritários.
O Eco considera que a jogada do Portugal Golden Opportunities invoca as táticas dos grandes fundos ativistas norte-americanos como a Elliott Investment Management ou a Starboard Value. Mas lembra que a Optimize é uma gestora de ativos portuguesa de dimensão modesta, que está a gerir, em grande medida, o dinheiro de clientes que subscreveram um fundo de Golden Visa à procura de retorno de capital estável, não de confrontos societários como sucede com esses gigantes de Wall Street.
“Não é sorte, casino ou ‘jogo’, é estratégia e visão de longo prazo”, sublinhou o CEO.
A resposta da gestora começa pela defesa do historial do fundo Portugal Golden Opportunities, que detém uma participação de 4,5% na Martifer. Segundo Pedro Lino, o fundo acumula uma valorização superior a 77% desde janeiro de 2022, superando o S&P 500, e conquistou por dois anos consecutivos o prémio de melhor fundo multiativos em Portugal nos Euronext Awards — tudo isto com 25% da carteira alocada a obrigações.
O Portugal Golden Opportunities detém atualmente 4,5 milhões de ações da Martifer, numa posição equivalente a 2,6% do valor global do fundo. Esta posição tem sido construída desde junho do ano passado.
O Eco escreve que Pedro Lino e Carlos Pinto, gestores do Portugal Golden Opportunities, são o rosto maior do bloqueio à OPA da Visabeira sobre a Martifer, tendo para isso a correr uma ordem de 4 milhões de ações da empresa 2,25 euros que, a concretizar-se, dá ao fundo uma posição de 8,5% da Martifer mas sem garantias de que, mesmo assim, a oferta possa ser chumbada, por causa das ações próprias da Martifer. A empresa detém 2.215.910 ações próprias, equivalentes a 2,22% do capital e o prospeto da OPA diz que esses títulos integram o universo de valores mobiliários abrangidos pela oferta, ou seja, para efeitos do cálculo do limiar dos 90% necessário para lançar uma aquisição potestativa, estando por isso dentro do perímetro da OPA.
“Neste artigo falam-se de perdas quando se ignoram dividendos, para além de se considerarem valores de aquisição incorretos”, sublinha Pedro Lino.
O CEO do Optimize rejeitou também a premissa de que a eventual falta de liquidez das ações da Martifer, em caso de insucesso da OPA, constituiria necessariamente um problema para os subscritores do fundo. “Não é drama nenhum ficar com empresa não cotada ou com pouca liquidez, desde que a rentabilidade esperada seja boa. É por essas e por outras que os portugueses continuam com medo de investir”, argumentou, numa crítica implícita ao que considera ser uma narrativa que alimenta a aversão ao risco dos investidores nacionais.
O Portugal Golden Opportunities é estruturado como um fundo multiativos aberto, classificado como UCITS, a classe de fundos europeus com mais regulação e proteções para o investidor, que investe pelo menos 60% em ações de empresas com sede em Portugal e pelo menos 80% dos ativos em ações e títulos de dívida portugueses.
Sobre a acusação de desvio de mandato — o artigo do Eco invocava o conceito de style drift para questionar a adequação da estratégia ativista a um fundo UCITS destinado a clientes de Golden Visa —, o CEO foi direto: “Fala-se em quebra do mandato de gestão, sem os investidores serem avisados, ignorando que as regras dos fundos UCITS permitem que o fundo tenha até 10% de ativos não cotados. Ou seja, uma ignorância total que não posso deixar de passar em branco.”
Aproveitando a resposta, Pedro Lino enquadrou a Optimize num contexto mais amplo, descrevendo-a como “a maior sociedade gestora de fundos independente e portuguesa”, depois de ter duplicado os ativos sob gestão. “Todas as outras são estrangeiras, o que me deixa muito orgulhoso do trabalho que temos e vamos continuar a desenvolver”, afirmou.
O CEO aproveitou também para criticar a cobertura ao setor, alegando que a Optimize é sistematicamente ignorada nas comparações de PPR publicadas pelo jornal, apesar de gerir “o melhor PPR a 5 anos, de risco 5, em Portugal”.
Compras vão continuar
A Optimize confirmou que manterá as ordens de compra dos quatro milhões de ações da Martifer a 2,25 euros, numa posição que, a concretizar-se, elevará a participação do fundo para cerca de 8,5% do capital da empresa — tornando-o no maior acionista individual fora do acordo parassocial entre a Visabeira, a I’M SGPS e a Mota-Engil, que controlam 85,59% do capital.
A OPA decorre entre 18 de maio e 3 de junho de 2026, com os resultados a ser conhecidos a 5 de junho, incidindo sobre 14.412.198 ações, representativas de 14,41% do capital social da Martifer. Segundo informação pública, caso a Visabeira consiga adquirir pouco mais de 4,4 milhões de ações, poderá ultrapassar o limiar de 90% e avançar com a aquisição potestativa, retirando a Martifer de bolsa.
O anúncio preliminar da OPA da Visabeira Indústria sobre a Martifer foi anunciado a 6 de agosto do ano passado. A oferta abrange 14,41% do capital social da empresa (mais de 14,4 milhões de ações) a uma contrapartida de 2,057 euros por título e decorre de um acordo entre a Visabeira, a I’M SGPS (dos irmãos Martins) e a Mota-Engil, que em conjunto já controlam 85,59% do capital da empresa.
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