W2RC, Desafio Ruta 40: fim abrupto de um sonho para João Ferreira
A notícia que nunca queremos dar ecoa agora com um tom de ‘drama’: João Ferreira, em plena ascensão rumo ao triunfo, viu o seu destino ser brutalmente alterado. Num lance de um infortúnio quase cruel, o piloto português foi protagonista de um insólito e violento embate frontal com o veículo do brasileiro Lucas Moraes no Desafio Ruta 40.
O silêncio que se seguiu ao impacto foi ensurdecedor, e embora Ferreira ainda tenha tentado desafiar a adversidade, os danos sofridos foram irremediáveis. A etapa, que prometia ser um passo importante para a glória, transformou-se num amargo abandono.
Numa altura em que o pódio – pelo menos – parecia uma certeza, e a liderança na geral estava nas suas mãos, as ambições de João Ferreira foram estilhaçadas num instante. Contudo, a chama da sua determinação não se apagou; ele continuará em prova, não para lutar pela classificação, mas para demonstrar o potencial inegável que vinha a confirmar em terras argentinas, agora sob o manto de uma resiliência forjada na desilusão.
“Entrámos bem na especial, com um ritmo forte nas pistas e também nas primeiras dunas, mas acabámos por ficar ligeiramente atolados numa zona mais complicada. Conseguimos recuperar tempo e vínhamos novamente num bom ritmo até termos um toque frontal com o Lucas Moraes, que seguia em sentido contrário ao nosso. Ainda não tivemos oportunidade de perceber exatamente o que aconteceu, porque tudo se passou muito rápido, mas felizmente estamos todos bem (eu, o Filipe, o Lucas e o Denis). Depois do incidente, conseguimos continuar, embora com algumas dificuldades, mas acabámos por ficar sem direção assistida, sendo obrigados a desistir. Estamos tristes, mas vamos partir para a quarta etapa por forma a mostrar que estamos com um bom ritmo e que tínhamos condições para sair da Argentina com mais um bom resultado”, explicou João Ferreira já no Bivouac.
A quarta etapa da competição ergue-se agora como um novo desafio, marcada por uma montanha-russa de ritmos, atravessando as paisagens imponentes e implacáveis do norte de Mendoza.
Logo no alvorecer da tirada, o percurso ascende vertiginosamente, desafiando os 3000 metros de altitude, numa secção que é um verdadeiro hino aos ralis clássicos: estradas sinuosas que serpenteiam como cobras, cotovelos apertados que ameaçam engolir os mais incautos e precipícios profundos que sussurram perigo.
Os caminhos montanhosos cedem lugar a rios secos, e o traçado, de uma crueldade calculada, afasta-se das pistas em inúmeras ocasiões, exigindo dos concorrentes uma atenção quase sobrenatural a cada mudança de direção, para não se perderem no labirinto e validarem cada waypoint.
Na parte final, a corrida mergulha num rio seco, onde zonas de uma técnica apurada irão extrair até à última gota a condição física dos pilotos e a resistência hercúlea das máquinas. Os derradeiros quilómetros serão novamente um teste de fogo nos tradicionais “guadales” de San Juan, rápidos e impiedosamente exigentes, um cenário digno de um final épico, onde a determinação de João Ferreira será posta à prova mais uma vez.
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