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CIP revê em baixa crescimento do PIB para 1,5% em 2026 devido à energia e subida dos juros

CIP revê em baixa crescimento do PIB para 1,5% em 2026 devido à energia e subida dos juros

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal e o ISEG reviram em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para 2026, que passa de 1,8% para 1,5%, segundo o Barómetro de Conjuntura Económica divulgado esta quinta-feira, 28 de maio. A revisão reflete o impacto da persistente subida dos preços da energia e a expectativa de um aumento das taxas de juro pelo Banco Central Europeu já em junho.
O relatório de maio aponta um cenário misto para o segundo trimestre.
Em abril, a confiança dos consumidores caiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu o valor mais baixo desde novembro de 2023. A indústria transformadora e os serviços também registaram uma degradação nas perspetivas das empresas. Em contrapartida, os setores da construção e obras públicas e do comércio a retalho melhoraram, o que levou a uma ligeira recuperação do indicador de clima económico do INE.
Entre os dados setoriais já disponíveis para abril, o consumo de cimento e o comércio de automóveis destacaram-se com uma evolução muito positiva.
Para a totalidade do ano de 2026, é natural que as perspetivas para o crescimento da economia portuguesa acompanhem a tendência de revisão em baixa observada na generalidade das economias europeias, uma vez que persiste a alta do petróleo, do gás natural e de diversas matérias-primas, depois da subida rápida dos preços registada em março.
Para Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, a revisão em baixa acompanha a tendência observada na generalidade das economias europeias. “Persiste a alta do petróleo, do gás natural e de diversas matérias-primas, depois da subida rápida dos preços registada em março”, afirmou.
Na avaliação de Rafael Alves Rocha, mantêm-se o risco de uma repercussão mais permanente e generalizada do choque negativo na oferta dos bens energéticos, com reflexos inevitáveis sobre as perspetivas de crescimento para 2026.
A CIP mantém o alerta para o risco de uma repercussão mais permanente do choque energético, com reflexos inevitáveis sobre o crescimento de 2026. A situação pode agravar-se com a subida das taxas diretoras do BCE. “A verificar-se este aumento das taxas de juro, ele agravará ainda mais o impacto negativo do choque energético na economia”, referiu o diretor-geral, acrescentando que esse cenário se mantém mesmo que venha a ser alcançado um acordo de paz no Médio Oriente.
Como contraponto às tendências globais negativas, o Barómetro destaca a entrada na fase final de execução do Programa de Recuperação e Resiliência. O PRR já reforçou o crescimento do investimento em Portugal no primeiro trimestre e, se mantiver o ritmo de execução que o Governo espera até ao final do ano, será um contributo central para sustentar o crescimento da economia nacional.
Segundo a CIP, esse efeito poderá atenuar a quebra de confiança dos consumidores registada nos últimos meses.
O comunicado sublinha que o cenário para 2026 continua dependente da evolução dos preços da energia e da política monetária europeia.

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