Family offices com património líquido de 2,7 mil milhões priorizam resiliência e diversificação em 2026, aponta relatório global da UBS
Os family offices em todo o mundo estão a adoptar uma postura mais cautelosa e estratégica perante um cenário marcado por tensões geopolíticas e volatilidade económica. É o que mostra o UBS Global Family Office Report 2026, hoje divulgado pelo banco suíço, que inquiriu 307 family offices em mais de 30 mercados, com um património líquido médio de 2,7 mil milhões de dólares.
Os conflitos geopolíticos surgem como o principal risco, tanto a curto como a longo prazo, ao mesmo tempo que aumentam as preocupações com os níveis de dívida global e o risco de recessão. Em resposta, os family offices estão a adotar uma abordagem prudente de médio prazo, privilegiando a diversificação entre classes de ativos, moedas e geografias.
Pela primeira vez, 60% dos family offices planeiam alterar a sua alocação estratégica de ativos nos próximos 12 meses, representando o valor mais elevado alguma vez registado pelo UBS. O movimento reflete uma procura por maior seletividade e proteção, em vez de alterações abruptas de carteira.
O relatório aponta ainda uma reavaliação da exposição ao dólar norte-americano. Cerca de 65% dos inquiridos esperam um enfraquecimento da confiança no dólar enquanto moeda de reserva, o que tem levado à adoção de estruturas multimoeda com maior peso para o euro e o franco suíço. Apesar desta diversificação cambial, a América do Norte continua a concentrar a maior fatia dos investimentos. Ainda assim, verifica-se um movimento estrutural para reduzir o risco de concentração, com planos de aumentar a exposição à Ásia-Pacífico, Grande China e Europa Ocidental.
A inteligência artificial mantém-se como o tema de investimento dominante da década. Cerca de 65% dos family offices já têm alocações ao longo da cadeia de valor de IA, incluindo infraestrutura de centros de dados, plataformas de software e produtores de semicondutores. Mesmo com preocupações sobre valorizações, a tendência é manter ou reforçar a exposição. Sectores como energia e recursos naturais, infraestruturas e saúde potenciada por IA também ganham espaço, com 37%, 37% e 33% de interesse, respetivamente.
Já os criptoativos permanecem como uma alocação de nicho. Apenas 24% dos family offices investem no segmento, geralmente com posições próximas de 1% da carteira. Entre os que já estão expostos, contudo, 44% consideram cripto parte da sua alocação estratégica.
“Este relatório mostra que os family offices continuam ajustando portfólios de forma medida — diversificando entre ativos, moedas e regiões, enquanto mantêm exposição a temas de longo prazo como a inteligência artificial com maior seletividade”, afirmou Benjamin Cavalli, Head de Strategic Clients & Global Connectivity do UBS Global Wealth Management. Acrescentando que “muitos estão a considerar reduzir exposição ao dólar ou planeiam diversificar regionalmente, mas ativos norte-americanos claramente continuam representando a maior fatia das alocações”.
O estudo destaca ainda avanços na profissionalização destas estruturas: 68% já adotam processos formais de medição de desempenho financeiro e 60% operam com comités de investimento. Apesar disso, persistem lacunas relevantes de governação. Menos de metade conta com estruturas formais de supervisão ao nível do conselho, e apenas 35% têm um plano de sucessão definido para o próprio family office. A preparação da próxima geração também é um desafio, segundo o UBS, já que só 27% possuem processos estruturados para formar herdeiros para funções futuras.
Para Carlos Santos Lima, UBS Country Head Portugal, “os resultados do relatório deste ano estão muito alinhados com os temas que têm surgido nas nossas conversas com clientes em Portugal. Num contexto marcado por incerteza geopolítica e fragmentação dos mercados, os investidores estão cada vez mais focados na resiliência, na diversificação e na criação de valor a longo prazo.”
“Observamos que os clientes demonstram uma forte capacidade de adaptação às condições de mercado em evolução, a par de uma sofisticação crescente e de uma perspetiva global. Há um interesse crescente em temas estruturais de investimento de longo prazo, combinado com uma abordagem disciplinada à gestão de risco. A plataforma global do UBS e a sua conectividade internacional posicionam-nos de forma única para apoiar os clientes com insights diferenciados, experiência internacional e soluções personalizadas num panorama de investimento cada vez mais complexo”, acrescenta.
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