Riqueza das famílias portuguesas cresce 29% desde 2020 impulsionada pela valorização da habitação
A riqueza líquida das famílias portuguesas aumentou de forma significativa entre 2020 e 2024, impulsionada sobretudo pela subida dos preços da habitação, segundo os principais resultados da quinta edição do Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal em conjunto com o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os dados, recolhidos entre março e junho de 2024 no âmbito do projeto europeu Household Finance and Consumption Survey (HFCS), mostram que a riqueza líquida média das famílias cresceu cerca de 29% em termos reais face a 2020, atingindo os 298,4 mil euros. Já a riqueza líquida mediana fixou-se nos 151,8 mil euros, registando igualmente uma subida de cerca de 29%.
A residência principal continua a ser o ativo mais relevante no património das famílias, representando aproximadamente 56% dos ativos reais em 2024. O estudo conclui que os grupos com menor riqueza líquida correspondem às famílias com menor taxa de propriedade da habitação própria, nomeadamente aquelas em que o indivíduo de referência está desempregado ou tem menos de 35 anos.
Em contraste, nas famílias com níveis de riqueza mais elevados, os outros imóveis e os negócios por conta própria assumem um peso significativo nos ativos reais. Esta realidade é particularmente visível entre os agregados de maior rendimento e entre famílias cujo indivíduo de referência trabalha por conta própria ou possui formação superior.
O inquérito revela ainda que a riqueza financeira das famílias portuguesas continua fortemente concentrada em depósitos bancários, incluindo certificados de aforro e do Tesouro, refletindo a elevada aversão ao risco dos agregados familiares.
No que diz respeito ao endividamento, 41,6% das famílias tinham algum tipo de dívida em 2024. Entre as famílias endividadas, a mediana da dívida situava-se nos 35,3 mil euros. Ainda assim, a proporção de famílias com níveis elevados de endividamento diminuiu face aos valores observados em anos anteriores.
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