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BPCE está na fase final para comprar a GamaLife

BPCE está na fase final para comprar a GamaLife

O Groupe BPCE, banco francês que comprou o Novobanco, está a negociar em exclusividade a compra da seguradora GamaLife, que o fundo de private equity Apax Partners pôs à venda no fim do ano passado, apurou o Jornal Económico.
Tal como foi noticiado, a Apax Partners contratou o UBS e a Nomura para encontrar compradores para a GamaLife, seguradora nascida da transformação da GNB Vida, adquirida ao Novobanco em 2019.
Na corrida estavam ainda a seguradora Generali (dona da Tranquilidade) e o banco italiano BFF. Estes tinham sido os três selecionados para a segunda fase na corrida à compra da GamaLife, tal como noticiou a Reuters no ano passado. A Reuters referia que a Apax Partners avaliava a seguradora GamaLife em cerca de 600 milhões de euros.
Contactada, a GamaLife não comenta. O BPCE também não comentou.
A GamaLife tem um contrato de distribuição exclusivo de seguros de vida, poupança e reforma até 2039. Isto porque a aquisição de 100% da GNB Vida (hoje GamaLife) por fundos da Apax Partners, em outubro de 2019, foi acompanhada de contratos de distribuição exclusivos com a rede Novobanco, incluindo ainda o Novobanco Açores e o Banco Best.
O closing do negócio de venda da GamaLife ao Groupe BPCE (fusão da Caisse d’Épargne e Banque Populaire), que é esperado em breve, segundo as nossas fontes, volta assim a pôr a GamaLife no universo do Novobanco, cumprindo uma tendência crescente na Europa: a de os bancos voltarem a comprar seguradoras devido a alterações europeias nas regras contabilísticas, conhecidas como “Danish Compromise”.
Esta regra, que terá sido criada precisamente por pressão dos bancos franceses, facilita a consolidação entre bancos e seguradoras (bancassurance), ao aliviar a carga de capital. Ao internalizar a oferta de seguros, as instituições transformam produtos de proteção em extensões do seu ecossistema de poupança.
Depois de anos em que as regras europeias forçavam os bancos a saírem do capital das seguradoras, o movimento inverteu-se. Hoje, um pouco por toda a Europa, os bancos estão a voltar a comprar operações de seguros. Tudo porque a União Europeia aprovou o chamado “Danish Compromise” (Compromisso Dinamarquês), uma norma prudencial europeia que permite aos bancos ponderar pelo risco — em vez de deduzir integralmente aos fundos próprios — as suas participações significativas em empresas de seguros.
O “Compromisso Dinamarquês” reduz o ónus para os bancos de possuírem uma empresa de seguros, permitindo-lhes manter capital ligado a participações em seguros com base numa ponderação de risco, em vez de as deduzir na totalidade do seu capital. A ideia é que a regulamentação rigorosa do setor segurador elimina a necessidade de uma dedução total do capital.
Na prática, favorece o regresso dos bancos à integração de operações de seguros, deixando de depender de acordos com seguradoras.
Fontes próximas da empresa consideram “normal” a atenção dada à GamaLife, dados os “fortes resultados alcançados nos últimos anos, reforçados pela sua entrada no mercado italiano”.
GamaLife com lucros a caírem 48,2% em 2025
A GamaLife encerrou o exercício de 2025 com um resultado líquido de 32,6 milhões de euros, abaixo dos 62,9 milhões registados no ano anterior, num contexto marcado pela redução dos ativos por impostos diferidos após alterações às taxas de IRC em Portugal. Apesar da descida de 48,2% nos resultados líquidos, a seguradora reportou um rácio de solvabilidade previsto de 270%, acima dos 246% registados em 2024. Isto apesar de a seguradora Vida pretender distribuir 70 milhões de euros ao seu acionista, a gestora de fundos Apax Partners.
A produção total da seguradora situou-se nos 475 milhões de euros em 2025. Em Portugal, os contratos de investimento cresceram 44%, para 218 milhões de euros, enquanto os contratos de seguro recuaram 40%, para 125 milhões. Em Itália, a produção total manteve-se praticamente estável nos 132 milhões de euros, apoiada pelo novo negócio, que compensou o efeito de redução gradual da carteira existente. No mercado italiano, a seguradora anunciou o reforço da parceria com a Banca Macerata e iniciou uma nova cooperação estratégica com a Banca Popolare del Cassinate, alargando a sua rede de distribuição no país.
Durante o ano, a empresa reforçou também a sua estrutura de financiamento, através da emissão de 125 milhões de euros em obrigações Tier 2 com maturidade de 10,25 anos e cupão de 5,25%. A operação substituiu uma emissão anterior de 45 milhões em obrigações subordinadas perpétuas, resgatadas em junho de 2025.
A GamaLife, com sede em Lisboa, foi fundada em 2019 pela Apax e adquiriu a carteira italiana de seguros de vida e pensões do Zurich Insurance Group em 2022. A aquisição de 2022 incluiu um portefólio de apólices de seguro de vida e fundos de pensões que totalizaram 7 mil milhões de euros.

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