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CEO do BPCE: “O plano é ter produtos de seguros para vender aos clientes do Novobanco”

CEO do BPCE: “O plano é ter produtos de seguros para vender aos clientes do Novobanco”

O presidente executivo do BPCE Groupe, Nicolas Namias, estava em Lisboa na inauguração do escritório da Natixis, juntamente com Etienne Huret, CEO do Natixis em Portugal, quando foi questionado pelos jornalistas sobre a intenção de comprar a seguradora GamaLife.
Sobre o alegado interesse do BPCE na compra da seguradora GamaLife, o CEO recusou tecer comentários diretos sobre o negócio. Mas, confirmou que o modelo de “bancassurance” (bancasseguros) — amplamente bem-sucedido em França, onde o grupo produz soluções de seguros para os seus clientes bancários — é o modelo que pretendem replicar em Portugal no futuro, disponibilizando produtos de seguros aos clientes do Novobanco.
Na resposta o CEO do BPCE, dono do Novobanco, explicou que em França são seguradora também, e fazem bancassurance. “Produzimos produtos de seguros e soluções de seguros para os nossos clientes bancários. Isso é o que nós chamamos em França bancaassurance. Posso dizer que queremos replicar isso aqui, em Portugal, onde neste momento somos só um banco, o Novobanco. Amanhã, é claro, o plano é ter os produtos de seguros para vender aos clientes bancários. Há muitas maneiras de fazer isso. Eu descobri esta manhã no jornal uma maneira era possível de fazer isso. Eu não comento [a operação noticiada pelo Jornal Económico]”, disse Nicolas Namias.
O Natixis em Portugal é um grande centro de excelência e inovação tecnológica e financeira do grupo bancário francês Groupe BPCE, e até hoje estava só localizado no Porto, empregando mais de 3.000 profissionais de dezenas de nacionalidades e prestando suporte global a toda a rede internacional do banco. Hoje abriu um escritório em Lisboa, na Expo, que já emprega 150 pessoas.
Etienne Huret, CEO do Natixis em Portugal, disse que “somos 3.300 pessoas e neste momento temos aproximadamente 200 vagas abertas e eu acredito que vamos alcançar 4.000 pessoas em um período de 24 a 30 meses [até ao fim de 2029], porque nós estamos a trabalhar com nossos colegas em muitos projetos, em França e na Europa em geral; nos Estados Unidos; e na Ásia também”.
O CEO do BPCE, Nicolas Namias, explicou que “a aquisição do Novobanco faz parte de um projeto de crescimento [do BPCE] e nós estamos aqui para desenvolver e fazer crescer o Novobanco. Esse é o sentido desta aquisição, e esse é o sentido dessa integração”.
A liderança do grupo sublinhou que a recente aquisição é, fundamentalmente, um projeto de crescimento. O Novobanco manterá a sua identidade como uma instituição bancária portuguesa, localizada e com autonomia, operando dentro do enquadramento estratégico e sob a supervisão do BPCE. “O Novobanco manter-se-á como um banco português, localizado em Portugal e com a sua autonomia, mas, claro, no framework da estratégia do BPCE e sob supervisão do BPCE. Essa estratégia é dedicada a desenvolver sinergias de receitas entre o Novobanco e o BPCE”
O grande objetivo passa por desenvolver sinergias de receita entre as duas instituições, colocando a experiência global do BPCE ao serviço dos clientes do Novobanco para enriquecer a relação comercial. Nas grandes empresas através do reforço da atuação do Natixis Corporate & Investment Banking (CIB) e nas PME (Pequenas e Médias Empresas), onde o  Novobanco detém uma quota de mercado de 18% neste segmento, o BPCE planeia alavancar esta posição utilizando a experiência do grupo em leasing e factoring, sendo o BPCE o maior prestador deste tipo de serviços na Europa, disse o CEO do BPCE.
Na segmento de particulares, o grupo pretende aplicar a sua robustez em gestão de ativos (asset management) — área onde se posiciona como um dos maiores operadores europeus — e em crédito ao consumo (consumer finance) para servir os clientes portugueses.
“Queremos uma integração dedicada a desenvolver o Novobanco. Esse é o meu objetivo, essa é a minha vontade”, disse Nicolas Namias.
Sem querer avançar com o investimento na abertura do Natixis em Lisboa, o CEO, Etienne Huret, disse que tinham investido com imóvel com o fundo Orion Capital  e em talento. “Mas não há um valor em euros sobre tudo isso”, disse.
O CEO do Natixis em Portugal clarificou que a equipa de liderança é a mesma para os dois centros, o do Porto e Lisboa.
O Natixis é um Banco de Investimento incorporado no BPCE e Nicolas Namias, questionado sobre se o banco de investimento ia operar em Portugal, de forma autónoma ou inserido no Novobanco, explicou que o Natixis CIB já serve clientes portugueses, “principalmente clientes franceses que atuam em Portugal, ou clientes portugueses quando atuam em França. A ideia é ter o Netixis CIB a trabalhar para clientes portugueses em Portugal. Ou, é claro, também clientes internacionais que investem em Portugal”.
Questionada sobre o volume financeiro investido nesta expansão, a administração optou por não revelar valores em euros concretos, destacando que o foco tem sido o investimento em talento e em infraestruturas imobiliárias, este último com o apoio da Orion Capital.
A expansão para Lisboa não irá, de acordo com os responsáveis, esvaziar ou colocar em risco o centro de competências já consolidado no Porto (onde o grupo emprega mais de 3.000 pessoas). A equipa de liderança da Natixis em Portugal é única e partilhada, com os membros do Comité Executivo a dividirem-se regularmente entre as duas cidades. O plano passa por manter equipas de engenharia, operações e finanças distribuídas geograficamente, focando-se em recrutar o talento onde quer que ele esteja.
Esclarecendo a evolução da marca, foi recordado que o centro tecnológico e de operações em Portugal foi batizado como Natixis em 2017 porque, à data, as atividades internacionais do grupo estavam concentradas sob essa insígnia. Com o tempo, o centro diversificou as suas competências (da tecnologia para todas as áreas de negócio) e passou a servir todas as empresas do Grupo BPCE.
No que toca à atividade de Banca de Investimento (Natixis CIB), esta continuará a operar de forma articulada com o grupo para apoiar clientes internacionais a investir em Portugal e clientes nacionais com atividade em França, sem se fundir diretamente na estrutura do Novobanco, mas trabalhando em estreita colaboração.

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