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EUA: ações em máximos e yield a 30 anos abaixo dos 5%

EUA: ações em máximos e yield a 30 anos abaixo dos 5%

Esta semana, Wall Street voltou a renovar máximos históricos, enquanto a yield das obrigações do Tesouro dos EUA a 30 anos recuou, descendo abaixo da fasquia psicológica dos 5%, depois de na semana passada ter chegado perto dos 5,20%. O movimento evidenciou um alívio dos receios inflacionistas e da pressão sobre as taxas de juro de longo prazo, reforçando a expectativa de que a Reserva Federal não suba os juros nos próximos meses.
O índice S&P 500 regressou aos máximos históricos, impulsionado sobretudo pelas tecnológicas e pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial. O setor dos semicondutores e das memórias voltou igualmente a destacar-se, com várias empresas a renovarem máximos históricos em bolsa, beneficiando das fortes expectativas de procura associadas à expansão da IA generativa. A Micron Technology, uma das principais fabricantes de memórias, alcançou pela primeira vez uma capitalização bolsista de 1 bilião de dólares, acumulando uma valorização de quase 10 vezes nos últimos 12 meses.
O recuo dos rendimentos do Tesouro dos EUA abriu caminho para uma postura mais risk-on dos investidores, aliviando os custos de financiamento da economia norte-americana, incluindo crédito hipotecário, dívida empresarial e, sobretudo, contas públicas. A dívida pública dos EUA é atualmente de quase 39,2 biliões de dólares, o equivalente a cerca de 120% do PIB nominal. Taxas de juro mais elevadas aumentam significativamente a despesa anual com juros da dívida, uma rubrica que em 2025 rondou os 1,3 biliões de dólares, aproximando-se de programas como o Medicare, cuja despesa anual supera os 1,8 biliões de dólares.
Foi precisamente o receio de inflação persistente, agravado pela subida do petróleo e pelas tensões no Médio Oriente, que levou os investidores a exigir gradualmente yields mais elevadas nos últimos três meses. O mercado começou a recear um cenário em que a Fed fosse obrigada a manter juros elevados durante mais tempo ou até voltar a subir taxas. Atualmente, segundo a FedWatch Tool, a probabilidade de a Fed manter as taxas de juro inalteradas ao longo de 2026 é de 54%, enquanto a possibilidade de uma subida de 25 pontos base, para um intervalo entre 3,75% e 4%, é de 46%.
Assim, a estabilização geopolítica tornou-se também um imperativo financeiro. Um conflito prolongado no Médio Oriente, e o risco associado ao bloqueio do Estreito de Ormuz, poderiam alimentar por mais tempo uma nova escalada inflacionista e empurrar novamente as yields soberanas para máximos, agravando os custos de financiamento da economia norte-americana. Para os EUA, isso significaria um aumento ainda maior da despesa com juros da dívida pública e pressão acrescida sobre o já elevado défice orçamental, à volta dos 6% do PIB nos últimos anos.
A queda dos preços do petróleo acelerou já perto do final da semana, com o crude a descer cerca de 4 dólares por barril depois de notícias de que Washington e Teerão teriam alcançado um memorando de entendimento para prolongar o cessar-fogo por 60 dias e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. O acordo, avançado pelo Axios, aguarda ainda aprovação final de Donald Trump.
Apesar do otimismo, os mercados permanecem vulneráveis a mudanças rápidas nas expectativas sobre juros, inflação ou tensões geopolíticas. Ainda assim, o saldo da semana acabou por favorecer os ativos de risco, ditando novos máximos históricos nos EUA, enquanto na Europa os principais índices acionistas seguem a cerca de 2% dos recordes.

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