Redion nasce com 5,8 mil milhões de euros: “A realidade já não cabia dentro da Europ Assistance”
A Europ Assistance mudou de nome e passa a chamar-se Redion, uma alteração que reflete a transformação e a escala global que o negócio atingiu, onde quase metade da atividade já decorre fora da Europa. Em entrevista ao Jornal Económico, Paula Casa Nova — General Manager Portugal e Group Chief Brand, Communication and ESG Officer — explica as razões estratégicas por trás desta evolução, o impacto da inteligência artificial no setor da proteção e o plano para manter a confiança dos clientes portugueses após 33 anos de história no mercado nacional.
Nova identidade global une operações do Grupo Generali em mais de 190 países, revela Paula Casa Nova que sublinha que a Redion nasce com mais de 12.000 colaboradores e 5,8 mil milhões de euros de volume de negócios anual (ano fiscal de 2025). “É a nº 1 a nível mundial em benefícios para colaboradores — na sequência da aquisição da Swiss Life Network no início de 2026 — e a nº 2 em assistência e seguros de viagem”, afirmou.
Porquê o novo nome da Europ Assistance?
A nova marca é Redion. Lê-se “Ready On” e traduz exatamente o nosso posicionamento: estar sempre prontos e sempre ligados, Always Ready, Always On. Desde logo porque o nosso serviço assenta em pessoas sempre prontas a intervir, em qualquer momento e em qualquer lugar, das nossas equipas até à nossa rede global de prestadores, como médicos, mecânicos, enfermeiros ou cuidadores. E depois porque as nossas capacidades digitais estão permanentemente ligadas, permitindo ativar, acompanhar e gerir o serviço de forma contínua. Mais do que um novo nome, Redion exprime, de forma clara, a combinação entre presença humana e capacidade tecnológica que caracteriza hoje o nosso modelo.
“Europ deixava de refletir uma operação em que 45% da atividade já acontece fora da Europa, e ‘Assistance’ descrevia apenas parte do que fazemos hoje”
A Europ Assistance existe há décadas. O que tornou inevitável esta decisão de mudar de marca agora?
Destaco duas razões. Em primeiro lugar, o nome “Europ Assistance” já não representava a dimensão atual do negócio. “Europ” deixava de refletir uma operação em que 45% da atividade já acontece fora da Europa, e “Assistance” descrevia apenas parte do que fazemos hoje. E depois porque, mais do que uma simples mudança de nome, estamos a dar visibilidade a uma realidade empresarial que já existe e que tem vindo a ser construída de forma consistente nos últimos anos.
Desde 2023, com a criação da Generali Care, passámos a operar com uma única governação e uma estratégia integrada que reúne a Europ Assistance, a Generali Employee Benefits, os serviços de saúde do Grupo e as soluções de seguros embedded. Esta integração deu origem a uma plataforma global, com cerca de 5,8 mil milhões de euros de volume de negócios, com operações em mais de 190 países e crescimento sustentado, que já funciona como um único sistema operacional, suportado por uma base tecnológica, uma rede de parceiros e uma estratégia de dados comuns.
O momento decisivo para revisitar a marca surge com a aquisição da rede Swiss Life Employee Benefits, que nos posiciona como o número um mundial em benefícios para colaboradores, reforçando significativamente a escala e a relevância internacional do grupo. Perante esta nova dimensão, tornou-se evidente que a marca Europ Assistance já não conseguia refletir a realidade do grupo: por um lado, porque a atividade se diversificou muito para além da assistência tradicional; por outro, porque a presença internacional ultrapassa há muito a sua origem europeia. Neste contexto, a criação de uma nova marca foi uma decisão estratégica: não para mudar o que somos, mas para traduzir com rigor aquilo que já nos tornámos — uma plataforma global, integrada e preparada para crescer numa lógica cada vez mais digital e internacional.
Apresentaram a mudança de marca como refletindo “uma realidade global que há muito ultrapassou o nome Europ Assistance — em geografia, em serviços e em ambição estratégica”. A frase “a realidade já não cabe dentro da marca” é muito direta. Consegue dar-nos um exemplo concreto em que o nome Europ Assistance passou a ser uma limitação?
Há um exemplo muito simples: atualmente, quase metade da nossa atividade acontece fora da Europa, em mercados como América do Norte, Ásia-Pacífico, Médio Oriente ou América Latina. Nesses mercados, o nome “Europ” criava frequentemente uma perceção geográfica limitada, que já não correspondia à realidade da empresa.
Por outro lado, a expressão “Assistance” tornou-se redutora face à evolução do negócio. Em muitas dessas interações, éramos obrigados a começar por clarificar que a nossa oferta vai muito além da assistência tradicional — incluindo áreas como benefícios para colaboradores, seguros e serviços de saúde, que hoje representam a maior parte da nossa atividade. A mudança para Redion permite-nos alinhar a marca com aquilo que já somos na prática: uma plataforma global de serviços de care, proteção e assistência, muito mais ampla e integrada.
O que muda para a seguradora com a nova marca?
Muda sobretudo a forma como nos apresentamos ao mercado e a capacidade de expressar uma identidade única e global, com maior clareza, escala e coerência. A operação, os serviços, as equipas e o compromisso com clientes e parceiros mantêm-se e isso é importante sublinhar.
Ao mesmo tempo, a nova marca ajuda-nos a acelerar uma transformação que já está em curso: maior integração tecnológica, mais digitalização, mais utilização de dados e inteligência artificial, e uma experiência cada vez mais simples para clientes e parceiros. Internamente, também é um movimento de alinhamento cultural. Redion permite reunir diferentes atividades sob uma mesma visão, uma mesma linguagem e os mesmos valores: Caring, Collaborative, Agile, Reliable e Experts.
“A Redion faz parte do Grupo Generali e reúne, sob uma única identidade e proposta, as atividades da Europ Assistance e da Generali Employee Benefits (GEB). Em Portugal, o Grupo Redion integra ainda a AdvanceCare e a Esumédica”
A nova marca nasce com um volume de negócios de 5,8 mil milhões de euros. Que ambição de crescimento está associada a este rebranding nos próximos cinco anos?
Desde logo, importa sublinhar que a Redion faz parte do Grupo Generali e reúne, sob uma única identidade e proposta, as atividades da Europ Assistance e da Generali Employee Benefits (GEB). Em Portugal, o Grupo Redion integra ainda a AdvanceCare e a Esumédica.
A Redion nasce assim com mais de 12.000 colaboradores, operações em mais de 190 países e 5,8 mil milhões de euros de volume de negócios anual (ano fiscal de 2025). É a nº 1 a nível mundial em benefícios para colaboradores — na sequência da aquisição da Swiss Life Network no início de 2026 — e a nº 2 em assistência e seguros de viagem.
Agora, a nossa ambição é crescer. E temos bons motivos para estar confiantes quanto a essa ambição. Em primeiro lugar, o nosso historial: temos vindo a crescer a um ritmo sustentado há vários anos, e de forma diferenciada — os seguros e a assistência cresceram a uma taxa média de 13% ao ano nos últimos seis anos. Isto não é por acaso; é o resultado de um modelo que funciona.
Em segundo lugar, operamos em setores estruturalmente dinâmicos: a mobilidade internacional e as viagens a recuperar fortemente após a Covid, a proteção social para os colaboradores de multinacionais a tornar-se estratégica para os responsáveis de RH, os serviços de saúde na Europa impulsionados pelo envelhecimento demográfico, os seguros integrados a crescer a dois dígitos. Acompanhamos o crescimento dos nossos clientes, e isso por si só é um motor poderoso.
Por fim, a nossa capacidade de ganhar quota de mercado de forma consistente, sustentada por uma proposta claramente diferenciadora: excelência na qualidade técnica e simplicidade na experiência para clientes e parceiros — aquilo que no Grupo designamos como Excellent and Easy. Mais do que um objetivo isolado, o rebranding reforça esta trajetória, dando-nos uma plataforma mais clara, coerence e preparada para acelerar o crescimento nos mercados onde atuamos.
A digitalização é um pilar explícito desta mudança? Em termos práticos, o que muda na experiência do cliente?
Sim, é um pilar central. A Redion coloca a tecnologia, os dados e a inteligência artificial no centro do seu desenvolvimento com um duplo objetivo: melhorar de forma significativa a rapidez e a qualidade dos serviços e proporcionar experiências mais simples e personalizadas. Mas com uma nuance importante: digitalizamos o acesso ao serviço, não o serviço em si.
Na prática, o cliente terá respostas mais rápidas, com apoio da inteligência artificial na triagem e gestão de processos, acesso digital mais simples e contínuo, incluindo acompanhamento dos pedidos em tempo real e uma experiência mais consistente em qualquer geografia ou canal. Ao mesmo tempo, mantemos aquilo que é essencial no nosso setor: a possibilidade de falar com uma pessoa sempre que necessário. A tecnologia reforça o serviço — não substitui o contacto humano.
A plataforma está a desenvolver as suas próprias soluções tecnológicas para transformar a experiência de assistência, complementando a experiência humana e as redes de parceiros que sempre estiveram no centro da atividade. Em todas as situações críticas — desde o repatriamento médico a um acidente de trabalho — a inteligência artificial apoia a tomada de decisão humana; não a substitui.
Em Portugal, a Europ Assistance tem o seu reconhecimento consolidado. Qual é o maior risco desta transição no mercado português e como está a gerir esse risco?
O principal desafio é assegurar uma transição que preserve a confiança construída ao longo de 33 anos no mercado nacional, junto dos nossos parceiros e clientes, garantindo que a mudança de marca é percebida como uma evolução natural do percurso da empresa.
A gestão desta transição está a ser feita de forma progressiva e estruturada, com uma comunicação clara sobre o racional da mudança e sobre o que efetivamente muda e, sobretudo, o que se mantém. Em todos os casos, a prioridade é absoluta: assegurar total continuidade. Ou seja, o nome muda, mas tudo o que é essencial — equipas, contatos, contratos e níveis de serviço — permanece exatamente igual.
Há números da atividade em Portugal que queira partilhar?
Em Portugal, registámos, em 2025, cerca de 2,5 milhões de chamadas, assegurando uma operação contínua, ágil e próxima dos nossos clientes. A nossa rede manteve uma trajetória consistente de crescimento e reforço, contando atualmente com mais de 7.500 prestadores na área de viagem e mais de 1.250 parceiros nas áreas médica, mobilidade e lar.
No âmbito da assistência automóvel, a evolução digital tem sido determinante para o aumento da eficiência do serviço: 55% dos pedidos são já resolvidos através de canais digitais e 84% dos reboques são acionados de forma digital. Estes resultados refletem a solidez da nossa operação, o compromisso das nossas equipas e a robustez de uma rede que continua a evoluir para estar sempre onde os nossos clientes mais precisam.
“Para já, as prioridades são tornar-nos uma empresa digital e orientada para os dados e a IA. Esta é a transformação mais estrutural e alimenta todas as outras”
Há planos de expansão de serviços ou de headcount em Portugal associados ao lançamento da nova marca?
A nossa prioridade é crescer de forma sustentável e eficiente, em que a evolução do número de colaboradores pode ser uma consequência, mas não um objetivo que temos nesta altura. A aposta está em acelerar o crescimento.
Para já, as prioridades são tornar-nos uma empresa digital e orientada para os dados e a IA. Esta é a transformação mais estrutural e alimenta todas as outras. E depois pretendemos acelerar o crescimento em todas as nossas linhas de negócio, com especial rigor na conquista de novos clientes e no desenvolvimento das contas existentes.
Daqui a dez anos, como quer que esta mudança de marca seja recordada?
Gostaria que fosse recordada como a mudança que impulsionou e projetou para uma nova escala uma realidade que já existia. Num mercado onde a promessa é a mesma em todo o lado, gostaria que a nossa principal diferenciação se resumisse a duas palavras: Excelência e Simplicidade. Excelência na qualidade técnica do que fazemos. Sem esforço na simplicidade da relação, tanto para o parceiro que nos distribui como para o cliente.
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