Vice-PR do Brasil critica “clã Bolsonaro” após decisão dos EUA sobre grupos criminosos
O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, criticou esta sexta-feira a família Bolsonaro, após os Estados Unidos anunciarem que vão classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
“O que eu lamento nesse episódio é que, infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país”, afirmou Alckmin em conferência de imprensa em São Paulo ao comentar a medida anunciada por Washington, que entra em vigor em 5 de junho.
Embora não tenha citado nominalmente Flávio Bolsonaro, a declaração é uma crítica ao senador e pré-candidato à Presidência do Brasil nas eleições de outubro, e ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA, tendo perdido o mandato na Câmara dos Deputados.
Flávio reuniu-se esta semana, em Washington, com o Presidente norte-americano, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, ocasião em que defendeu a classificação das duas maiores fações criminosas do Brasil como terroristas.
O presidente brasileiro, Lula da Silva, e a diplomacia brasileira, são contrários a esta classificação, por entenderem que a medida pode dar origem a operações militares no território brasileiro, o que afeta a soberania nacional.
Alckmin sugeriu que a repercussão da medida, celebrada por Flávio Bolsonaro, estaria a ser utilizada politicamente, após semanas de desgaste do bolsonarista por causa da revelação do seu envolvimento com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“Para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, aí ficam gerando factoides, factos novos, para desviar a atenção da questão do Banco Master, que é gravíssima do ponto de vista de corrupção e de sonegação”, afirmou.
O portal “The Intercept Brasil” revelou que o então banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Áudios do senador Flávio Bolsonaro e pré-candidato à Presidência do Brasil nas eleições de outubro mostram que ele pediu a Vorcaro o pagamento da verba e que o banqueiro chegou a pagar 64 milhões de reais (10,9 milhões de euros).
Uma das conversas aconteceu em novembro passado, um dia antes do então banqueiro ser preso pela polícia brasileira por fraude financeira ligada ao Banco Master.
Ainda na conferência de imprensa, Alckmin afirmou que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pode gerar impactos económicos negativos para o Brasil sem produzir efeitos concretos no combate ao crime organizado.
“Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”, declarou.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou que pretende designar as duas maiores fações criminosas do Brasil como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs), ampliando sanções e restrições financeiras contra os grupos.
O vice-presidente defendeu ainda as ações do Governo brasileiro no combate às organizações criminosas, citando a recente aprovação da chamada “lei antifação” pelo Congresso Nacional.
“Novos crimes foram listados, aumento das penas para o crime organizado e dificuldade da progressão penitenciária, da progressão de pena. Então, todo empenho no combate ao crime organizado”, disse.
Geraldo Alckmin também destacou operações recentes da Polícia Federal e da autoridade tributária e aduaneira do país contra esquemas bilionários do PCC de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal ligados ao setor de combustíveis.
“A Operação Carbono Oculto não pegou só quem estava ali na ponta, mas pegou toda a cadeia envolvendo importadores, navios, refinarias”, afirmou.
Alckmin recordou que uma nova fase da investigação, denominada “Fluxo Oculto”, foi realizada na quinta-feira para asfixiar financeiramente a organização criminosa.
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