Instituições mundiais alertam para escassez de petróleo este verão se Ormuz não normalizar
Agência Internacional de Energia (AIE), Organização Mundial do Comércio (OMS), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial alertam para uma potencial escassez de petróleo este verão, caso o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz não seja rapidamente normalizado.
Numa declaração conjunta, os líderes das quatro organizações – Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI, e Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, – alertam para a diminuição a um ritmo recorde dos stocks globais de petróleo devido à grande perda de carregamentos que passam pelo Estreito de Ormuz e para as consequências desse facto.
“Os stocks globais de petróleo diminuem a um ritmo recorde para fazer face às perdas da oferta no Estreito de Ormuz. Se o fluxo de navios não retornar ao normal, a contínua e rápida diminuição dos stocks antes do pico da procura de verão no Hemisfério Norte representa um risco acrescido para a segurança do abastecimento de combustível, as condições de mercado e a resiliência da economia em geral”, afirmam, após uma reunião realizada esta quinta-feira, 28, no âmbito do grupo de coordenação de alto nível criado em abril para maximizar a resposta de suas instituições aos impactos energéticos, comerciais e económicos da guerra no Oriente Médio.
A guerra no Médio Oriente gera impactos “substanciais e altamente assimétricos” no fornecimento de energia, na segurança alimentar e na atividade económica em diversos países e regiões. E, embora a economia global continue demonstrando resiliência”, os efeitos do conflito “afetam desproporcionalmente os países mais vulneráveis”, afetados sobremaneira pelo aumento dos combustíveis e dos fertilizantes, o que eleva a incerteza e faz crescer os riscos no emprego.
“O aumento dos preços dos fertilizantes é particularmente preocupante, dado que muitos países estão a entrar na época das sementeiras”, afirmam AIE, OMS, FMI e Banco Mundial.
O Estreito de Ormuz, fundamental para o transporte global de petróleo e gás, tem sido o trunfo do Irão na resposta à campanha militar dos Estados Unidos e Israel iniciada a 28 de fevereiro. O Irão não só declarou o encerramento do Estreito, como atacou instalações petrolíferas nos vizinhos Koweit, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar, afetando o fornecimento global de energia.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse que decidiria este sábado sobre um possível acordo com o Irão para prolongar o cessar-fogo em vigor, que necessitaria de incluir a abertura do Estreito de Ormuz e o desmantelamento da capacidade de Teerão de produzir armas nucleares.
O relógio da escassez de petróleo está em contagem decrescente, alertava a 8 de Maio, o Jornal Económico: crise energética vai agravar-se, com o mundo a caminho de choque petrolífero histórico, se guerra não acabar.
Share this content:



Publicar comentário