WRC, Rali do Japão: Elfyn Evans a caminho da 2ª vitória do ano
Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) termina o segundo dia do Rali do Japão na liderança, nada perdendo, antes pelo contrário, face a como tinha terminado o primeiro dia de prova. O galês da Toyota resistiu a tudo o que lhe ‘atiraram’ e ainda viu o seu mais forte oponente da manhã, Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) ter novo acidente quando já tinha recuperado algum tempo para o líder do rali, com Evans inclusivamente a aumentar em algumas décimas o avanço para Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1), que é agora segundo, isto quando ainda falta o derradeiro dia de prova.
Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) é terceiro, longe da frente, Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) recuperou até ao quarto lugar e a toyota mesmo perdendo um carro importante, continua a ter quatro carros na frente dos Hyundai. O melhor classificado da equipa sul coreana é Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) a mais de dois minutos da frente, seguindo-se Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) a mais 11.8s. Hayden Paddon (Hyundai i20 N Rally1) e Jon Armstrong (Ford Puma Rally1) completam o lote dos Rally1, Joshua McErlean (Ford Puma Rally1) está fora do top 10 atrás de Nikolay Gryazin (Lancia) e Alejandro Cachón (Toyota) os dois homens da frente do WRC2 que estão separados por 5.7s.
Quando a noite caiu sobre o parque de assistência, o balanço do dia era inequívoco. Evans resistira a tudo: ao ataque de Solberg pela manhã, ao acidente do sueco que reconfigurou a frente da prova, ao desgaste dos pneus, ao calor e até a um susto na última super-especial.
Ogier permanecia como perseguidor direto, mas mais frustrado do que ameaçador. Pajari saía reforçado, não tanto por mexer com a luta pela vitória, mas porque finalmente encontrara o andamento que lhe faltava. E o sábado de Fujioka e das florestas japonesas acabava assim: com a Toyota a controlar tudo, mas com leituras muito diferentes dentro da mesma equipa — um líder sólido, um perseguidor sem resposta e um terceiro homem a crescer no momento em que o rali entra no dia decisivo
Sami Pajari fechou o dia em alta no Rali do Japão, assinando a dobradinha nas duas passagens pela super-especial de Fujioka e confirmando o crescimento de andamento ao longo da tarde, mas foi Elfyn Evans quem saiu mais forte na luta pela geral, mantendo a liderança para o derradeiro dia com 17,8 segundos de vantagem sobre Sébastien Ogier. O galês resistiu à pressão do colega de equipa, mesmo depois de um susto junto às barreiras na última classificativa. Pelo meio, a especial voltou a expor as diferentes leituras do dia: Ogier terminou frustrado com os pneus e sem capacidade para responder, Pajari encontrou finalmente a velocidade que procurava, e atrás deles houve piões a mais, afinações por resolver e pilotos a lidar com o equilíbrio precário entre espetáculo e controlo.
Filme do dia
A manhã já tinha deixado o rali num ponto sensível. Oliver Solberg entrou no sábado a atacar e ganhou a primeira especial do dia, Obara 1, por 3,2 segundos sobre Evans. O sueco, ainda assim, admitiu que podia ter rodado mais depressa, depois de um pequeno erro num entroncamento. Evans respondeu pouco depois em Ena 1, ganhou 1,4 segundos ao colega de marca e esticou a margem na geral para 13,9 segundos. Ogier melhorou sensações com o Toyota, mas continuou sem acompanhar o ritmo dos dois da frente, enquanto Takamoto Katsuta começava a recuperar terreno e Thierry Neuville acumulava sinais claros de desconforto com um Hyundai instável, sem equilíbrio e cada vez menos competitivo com pneus duros.
A terceira especial da manhã, Mt. Kasagi 1, voltou a mexer com a frente da prova. Katsuta foi o primeiro a lançar uma referência sólida, Fourmaux apareceu logo depois e assumiu o comando provisório, mas rapidamente se percebeu que a luta verdadeira estava mais atrás. Neuville cedeu muito tempo e revelou já nessa altura um problema no travão de mão. Pajari não encontrou o que precisava no troço. Ogier fez uma parte final forte e colocou-se na frente, mas Solberg voltou a atacar e bateu o francês por 2,3 segundos. Ainda assim, Evans limitou os danos: perdeu 3,3 segundos para Solberg, mas conservou a liderança do rali, agora reduzida para 10,6 segundos. O galês saiu da especial a queixar-se de um carro demasiado solto e pediu mudanças.
Foi aí que o sábado mudou de guião. Na segunda passagem por Mt. Kasagi, depois de Fourmaux, Katsuta e Neuville cumprirem o troço com leituras diferentes sobre o desgaste dos pneus e a sujidade crescente, Solberg surgiu novamente em ritmo forte. Estava a ganhar tempo a Ogier e também a Evans quando saiu largo de uma esquerda, bateu com a traseira direita numa árvore e ficou parado. O Toyota ficou danificado na suspensão traseira e a luta pela vitória perdeu o protagonista que mais tinha abanado a liderança de Evans durante a manhã.
Mais tarde, o sueco explicou que encontrou cortes escorregadios e lama, travou ligeiramente tarde e acabou por tocar no poste, insistindo que não estava a correr riscos diferentes dos do resto do fim de semana.
Ogier, ao chegar ao fim da especial e saber do abandono, foi seco: não ficou surpreendido e considerou que o risco tomado tinha sido demasiado alto.
Com Solberg fora de cena, a estrada abriu-se de novo para a luta interna da Toyota. Ogier ganhou a especial por nove décimos sobre Katsuta e subiu ao segundo lugar da geral. Evans perdeu tempo ao passar pelo carro de Solberg e admitiu-o no final, mas manteve o controlo da prova com 14,6 segundos de avanço. Ao mesmo tempo, a especial acabou interrompida com bandeira vermelha devido à saída de estrada de Diego Domínguez, cujo carro ficou numa posição instável. A dupla saiu sem ferimentos, mas o incidente obrigou à neutralização.
Antes da reta final do dia, o calor tornava-se um fator cada vez mais relevante. A Hankook assumia que aquele era provavelmente o teste mais duro da época em asfalto, com o piso a poder chegar aos 50 graus. Esse dado ajuda a explicar muito do que se seguiu em Obara 2. McErlean entrou a queixar-se outra vez dos travões, ainda com pedal mole e pouca confiança na descida. Armstrong mostrou progresso com o acerto. Paddon começou a adaptar-se melhor ao carro. Fourmaux queixou-se de pneus e travões a sobreaquecer. Katsuta foi claramente mais eficaz, mesmo gerindo os pneus. Neuville, por seu lado, voltou a sofrer: a traseira demasiado rígida não funcionava como esperado, o travão de mão falhou nos últimos quilómetros e o belga insistia que estava no limite do que o carro lhe permitia fazer.
Na frente, Pajari foi o primeiro a colocar uma marca realmente forte em Obara 2. Limpou bem a especial, sem excessos, e bateu Katsuta por 3,6 segundos. Ogier perdeu 5,2 segundos para o finlandês e admitiu ter sido muito perturbado pela luz intensa e intermitente no final da classificativa. Evans, em contraste, fez aquilo que precisava: ficou 2,1 segundos atrás de Pajari, mas 3,1 à frente de Ogier. Com isso, voltou a aumentar a vantagem no topo da geral, agora para 17,7 segundos. Ogier começava a ficar sem margem e sem resposta.
Os tempos da WRC2 também iam ajudando a compor o retrato do dia. Cachón forçava para recuperar terreno, Gryazin respondia mesmo com problemas e algum nervosismo, Yamamoto consolidava uma exibição muito madura rumo ao pódio da categoria, e a diferença entre os primeiros mantinha-se viva para o último dia. Mas o palco principal já estava montado para o fecho do sábado em Fujioka, uma super-especial curta onde os décimos contam, mas onde o que realmente pesa é a forma como cada piloto chega ao fim de um dia longo.
Na primeira passagem por Fujioka, McErlean complicou a própria vida com um donut a mais e abriu com um tempo muito alto. Armstrong aproveitou, foi 6,6 segundos mais rápido e deixou uma observação curiosa: aquela especial tinha pouco de “super” no sentido tradicional e muito de troço a sério, com velocidades elevadas e apoio aerodinâmico bem visível. Paddon assumiu a liderança provisória, Fourmaux perdeu tempo com mais um extra no espetáculo, Katsuta bateu o neozelandês por dois décimos e Neuville, apesar de um dia muito complicado, conseguiu ser seis décimos mais rápido do que o japonês. Ainda assim, foi Pajari quem realmente marcou a especial, com 1.50,4, uma passagem limpa e eficaz. Ogier ficou a 0,4 segundos. Evans cedeu 1,3 segundos ao finlandês e 0,9 ao francês. Não perdia a liderança, mas via a margem descer para 19,1 segundos.
A sensação, nessa altura, era clara. Ogier estava vivo apenas porque Pajari e as especiais curtas lhe davam algum oxigénio, mas o francês não escondia o desânimo. Em Obara 2 já tinha deixado escapar um “não é recuperável”. Fujioka reforçava essa ideia: o multicampeão continuava sem o ritmo necessário para inverter o rumo do rali, sobretudo por causa da luta constante com os pneus. Pajari, ao contrário, estava finalmente a transformar sensações em números.
Na segunda passagem por Fujioka, o filme repetiu-se com pequenas variações. McErlean voltou a fechar sem grande brilho e assumiu que o dia tinha sido complicado, marcado por um furo e por dificuldades para encontrar ritmo. Armstrong, novamente mais rápido, reforçou a ideia de evolução e voltou a elogiar o potencial destes Rally1 em estradas rápidas. Paddon terminou o dia com uma leitura positiva, satisfeito com o passo dado em frente e cada vez mais adaptado ao Hyundai, sem mexer no setup. Fourmaux desta vez fez o número certo de donuts, ganhou a Paddon por três décimos e resumiu o dia como agradável, embora frustrante em termos de rendimento. Katsuta fechou a especial dois décimos na frente do francês e explicou a melhoria com uma palavra: reset. Neuville, com um carro que nunca lhe deu confiança, conseguiu ainda assim uma boa ponta final, mas voltou a sublinhar o mesmo problema de sempre: faltavam-lhe sensação, feedback e equilíbrio, e sempre que tentava mudar o estilo de condução nada resultava.
Depois chegaram os três Toyota que definiam a história do sábado. Pajari repetiu o golpe, marcou 1.48,6 e conquistou a segunda especial consecutiva em Fujioka. O finlandês, muito satisfeito com a tarde, admitiu que procurava mais andamento e que o encontrou, fechando o dia com duas vitórias em troços e uma recuperação clara de confiança. Ogier respondeu com 1.49,0, a apenas quatro décimos, mas sem alterar o estado de espírito. “Viemos para lutar pela vitória e não estamos a lutar”, reconheceu, convencido de que um único troço tinha comprometido o seu rali e de que, a partir daí, nunca teve o ritmo necessário para recuperar, sobretudo por causa do comportamento dos pneus.
Evans fechou a estrada com o rali nas mãos, mas não sem um último aviso. O líder da geral aproximou-se demasiado das barreiras, escapou por pouco e completou a super-especial com o quinto melhor tempo, em 1.50,3. Cedeu 1,3 segundos a Ogier, mas segurou o essencial: a liderança para o último dia, agora com 17,8 segundos de margem. A reação foi tão sóbria quanto a condução que tem mostrado neste rali: não havia espaço a desperdiçar, era preciso continuar da mesma forma e pensar no domingo.
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