BPF mobiliza 10,75 mil milhões em instrumentos de investimento para 32 mil empresas e regista lucros consolidados de 10 milhões
O Banco Português de Fomento (BPF) apresentou esta segunda-feira publicamente os impactos e os resultados financeiros relativos ao exercício de 2025, bem como a atividade operacional registada nos primeiros cinco meses de 2026.
O balanço global traduz um crescimento na escala de atuação da instituição liderada por Gonçalo Regalado, rumo à consolidação como o banco soberano de Portugal e como “peça central na execução das políticas públicas de investimento e dinamização do tecido empresarial nacional”, segundo as palavras do CEO do banco.
No plano financeiro e de rentabilidade, o BPF alcançou um resultado líquido individual de 7,8 milhões de euros em 2025 (caiu 57% face a 2024) e ficou abaixo dos 8,2 milhões que estavam orçamentados. O ROE fixou-se nos 1,86% e um rácio de capital CET1 de 78%.
O produto bancário recuou de 44 milhões em 2024 para 40,6 milhões de euros em 2025. O orçamentado estava em 51,7 milhões de euros. Tudo porque a margem financeira caiu 47% para 9,2 milhões. As comissões subiram 33% e os custos operacionais subiram 27% para 22,5 milhões de euros.
O ativo total cresceu 13% para 773,5 milhões.
Se analisada a atividade numa perspetiva consolidada — que engloba as participadas Portugal Ventures, Fomento Fundos e SOFID —, o resultado líquido do Grupo BPF fixou-se nos 10 milhões de euros. O que traduz uma queda de 50,5% face a 2024 (20,2 milhões de euros).
Segundo o banco, este desempenho financeiro foi fortemente condicionado por uma conjuntura económica de descida generalizada das taxas de juro de mercado, o que motivou uma quebra de 51% nos juros e rendimentos similares, penalizando a margem financeira individual para os 9,2 milhões de euros. Em contrapartida, esta contração foi mitigada pelo sólido crescimento de 33% na receita de comissões líquidas, que atingiu os 32,3 milhões de euros, impulsionada pelo alargamento das operações de gestão do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR) e pelas comissões de garantia associadas ao programa europeu InvestEU e à linha InvestExport. O balanço individual reflete ainda um aumento estratégico de 13% no ativo total, que escalou para os 773,5 milhões de euros. O lucro do exercício foi igualmente influenciado pelo reforço prudencial de 4,4 milhões de euros em provisões líquidas, justificadas pela constituição de novas linhas de garantia e por acções de conformidade associadas ao encerramento do anterior quadro comunitário PT 2020 e a linhas de apoio da pandemia.
Mas Gonçalo Regalado e o CFO, Miguel Alves sublinharam o slogan: “O Banco de Fomento, mais do que resultados, é impacto”.
Do ponto de vista da eficácia e da penetração económica, o grande destaque do mandato reside na capacidade de mobilização financeira. Desde janeiro de 2025, o Banco Português de Fomento mobilizou mais de 10,75 mil milhões de euros em instrumentos de investimento e financiamento, prestando apoio direto a mais de 32 mil empresas nacionais. Este fluxo financeiro distribui-se de forma estruturada: 8.600 milhões de euros foram canalizados em garantias distribuídas por cerca de 30 mil operações; 1.100 milhões de euros materializaram-se em subvenções atribuídas a 1,8 mil empresas; 750 milhões de euros traduziram-se em investimento de capital em 200 empresas; e 400 milhões de euros foram injetados sob a forma de crédito direto a oito projetos de cariz estruturante.
Adicionalmente, no decurso do ano de 2025, a execução do PRR sob tutela do BPF atingiu a marca de 98% através do FdCR , assegurando que os fundos europeus chegassem efetivamente à economia real e impulsionando Portugal para o “Top 5” do ranking europeu de relevância e impacto dos bancos de fomento face ao PIB, salientou o CEO do Banco de Fomento.
“Com os instrumentos de Capital, a execução dos programas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) registou uma forte aceleração, passando de 28% em 2024 para 98% em 2025, evidenciando, num único ano, uma execução praticamente integral. Nos financiamentos com Garantia Pública, destaque para a redução do tempo médio de decisão de 49 dias para entre 2 a 5 dias; para as mais de 150 mil empresas com 42 mil milhões de euros de garantias pré-aprovadas; mais de 10 milhões de consultas no Portal Banca; e para o Índice de satisfação de clientes (NPS) de 80%.
Gonçalo Regalado anunciou que a Comissão Europeia comunicou formalmente a aprovação do prolongamento do mandato e da atividade do BPF até ao final de 2032. O enquadramento inicial fixava o termo de atuação regulatória para 31 de dezembro de 2025. Com o aval de Bruxelas, o banco promocional vê o seu perímetro e quadro regulamentar prorrogados “em plena conformidade com as regras europeias de auxílios de Estado”.
O BPF garante que manterá o foco estratégico em suprir falhas de mercado previamente identificadas, utilizando mecanismos de auxílio enquadrados em regulamentos de isenção, regimes específicos e regras de minimis.
A prorrogação garante também que as operações realizadas em condições normais de mercado obedeçam ao princípio do investidor privado em economia de mercado (Market Economy Operator), salvaguardando medidas de concorrência e evitando distorções no setor financeiro tradicional (anti-crowding out).
Com estabilidade regulatória assegurada no longo prazo, um resultado líquido positivo que atesta o rigor de gestão e mais de 10,75 mil milhões de euros mobilizados, o Banco Português de Fomento diz que entra no seu novo ciclo estratégico com os alicerces necessários para continuar a alavancar a inovação, a transição climática e o crescimento sustentável das empresas em Portugal.
“Investimos em tecnologia, apostámos na introdução da inteligência artificial, simplificámos processos, desburocratizámos procedimentos, conectámos o Banco com o Estado, ligámos o Banco às Empresas e aproximámos o Banco dos Empresários. Os Empresários passaram a ser o Santo Graal do BPF, o alfa e o ómega da nossa atuação. Cumprimos a nossa missão”, refere Gonçalo Regalado.
Ambição para 2026
Os indicadores dos primeiros cinco meses de 2026 apontam para a continuidade da trajetória de crescimento e impacto do BPF registada no ano passado com a perspetiva de um novo ano recorde do BPF, segundo banco.
No final de maio, o Banco atingiu 4,3 mil milhões de euros de atividade acumulada e cerca de 16 mil empresas apoiadas, distribuídos da seguinte forma: 2,960 mil milhões de euros em garantias nacionais (14 mil Empresas), 1,1 mil milhões de euros em subvenções atribuídas (1,8 mil empresas), 39 milhões de euros em investimentos de capital (20 empresas) e 208 milhões de euros em financiamento de Banca de Investimento (três Projetos).
Share this content:


Publicar comentário