Luis Cidade teve convite de uma equipa da ELMS para testar um LMP3: “compromisso que tenho é o CPTT. Depois logo se vê…”
Luis Cidade, atual líder isolado do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno (CPTT) após as três primeiras rondas da temporada, está a consolidar-se como um dos nomes emergentes do automobilismo português. Depois de um percurso iniciado no karting, o piloto de Matosinhos encontrou no TT o palco para confirmar a velocidade e a consistência que já tinha demonstrado nas pistas, assumindo-se agora como candidato ao título absoluto.
Aos comandos de um Can-Am e navegado por Valter Cardoso, Cidade chega a esta fase da época embalado por uma sequência de resultados que começou a ganhar expressão na segunda metade de 2025. O piloto destaca a evolução técnica da estrutura e a estabilidade competitiva alcançada nos últimos meses como fatores determinantes para o atual momento de forma.
Do karting internacional ao todo-o-terrenoAntes da afirmação no TT, Luis Cidade construiu carreira no karting desde muito jovem e chegou mesmo a competir com nomes que hoje integram a elite da Fórmula 1. “Lutei em pista com eles em Portimão quando estava dedicado ao karting, onde aprendi muito”, recorda, referindo-se a pilotos como Max Verstappen, Charles Leclerc ou Esteban Ocon.
O piloto de Matosinhos chegou também a realizar, aos 12 anos, um teste em Itália a convite da equipa de Fernando Alonso, experiência que considera marcante no seu percurso. Ainda assim, os custos associados à progressão nos monolugares acabaram por travar essa ambição, levando-o anos mais tarde a reencontrar-se no todo-o-terreno, modalidade à qual chegou por ligação familiar à Can-Am.
Evolução técnica abriu caminho aos resultadosA adaptação ao TT não foi imediata, mas a progressão revelou-se sustentada. Segundo o piloto, o processo de desenvolvimento do carro demorou cerca de um ano, sobretudo devido a problemas de travões que condicionaram a confiança em prova. “Desde o ano passado tenho um carro fantástico, super competitivo e a garantia da melhor assistência por parte da South Racing”, afirma.
Essa evolução traduziu-se em resultados de relevo em 2025. Cidade venceu a sua classe na Baja de Portalegre e foi segundo da geral, antes de fechar a época com uma vitória histórica nas 24 Horas TT de Fronteira, tornando-se no primeiro piloto a triunfar à geral num SSV naquela prova. “Foi um fim de semana muito especial, com um resultado histórico”, sublinha.
Ambição passa pelo título e por novos desafiosApesar da liderança no CPTT, o piloto mantém o discurso prudente e centra-se na consistência corrida a corrida. O objetivo principal passa pela luta pelo campeonato, sem afastar a possibilidade de regressar ao Rali de Marrocos e preparar, a médio prazo, uma estreia no Dakar. “Claro que gostava, mas tenho de ter todas as condições reunidas”, refere.Cidade valoriza ainda a parceria com o navegador Valter Cardoso, a quem atribui parte importante do rendimento da equipa. “Está sempre a puxar por mim. É também um dos meus segredos”, diz.
Em paralelo, o piloto revelou ter recebido recentemente um convite de uma equipa do European Le Mans Series para testar um LMP3. Para já, porém, garante que o foco permanece intacto: “O compromisso que tenho comigo e com a minha equipa é o CPTT. Depois logo se vê.”
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