PSI derrapa 2,9% em maio em contraciclo com os mercados internacionais
Os mercados financeiros internacionais prolongaram em maio a forte trajetória de recuperação iniciada no mês anterior, consolidando um crescimento a “duas velocidades” onde a Europa e a Ásia lutam por acompanhar o dinamismo imparável de Wall Street. Contudo, a grande exceção do mês foi a Bolsa de Lisboa. Segundo a mais recente análise da Maxyield, o principal índice português, o PSI, fechou o mês de maio a perder 2,9%, fixando-se nos 9.076,5 pontos e navegando em contraciclo com as valorizações globais.
Fatores internos e externos explicam a exceção do índice da bolsa de Lisboa.
A quebra mensal do PSI interrompeu o bom momento que se vivia na praça portuguesa, mantendo o índice na fasquia dos [9.000 – 10.000 pontos] — níveis que não eram vistos há 18 anos. De acordo com a Maxyield, este comportamento dualista face ao estrangeiro justifica-se por razões internas e externas.
A nível interno, maio foi o mês alto da dividend season em Portugal. A habitual correção técnica das cotações após a distribuição de dividendos (com uma dividend yield média ponderada de 3,9%) penalizou fortemente o índice. A isto somou-se uma época de resultados do primeiro trimestre de 2026 considerada “pouco entusiasmante” (duas cotadas apresentaram prejuízos e seis registaram quedas nos lucros) e uma desaceleração do volume médio diário transacionado.
A nível externo, o PSI sofreu o contágio negativo do setor energético e petrolífero a nível global, indústrias que têm um peso esmagador (45%) no índice português. Tudo por causa do impacto da guerra no Médio Oriente.
Em contrapartida, Lisboa não beneficiou tanto da forte rotação para o setor bancário que liderou os ganhos na Europa, dado o menor peso da banca no índice nacional.
Apesar do recuo mensal, o PSI acumula uma valorização de 9,8% desde o início do ano (em linha com os 9,8% do MSCI World) e regista um ganho homólogo robusto de 22,8% face a maio de 2025. No entanto, a associação de pequenos investidores avisa que “a dinâmica de crescimento vem perdendo força” devido à forte volatilidade e alternância de meses positivos e negativos desde fevereiro.
Jerónimo Martins afunda mais de 11%; BCP lidera ganhos
O mês de maio foi marcado por uma banda de variação muito ampla em Lisboa. Das 16 cotadas que compõem o índice de referência, 12 registaram perdas e apenas quatro conseguiram fechar no “verde”.
A Jerónimo Martins liderou as quedas com um tombo de 11,2%, seguida de perto pela Galp (-6,6%), NOS (-6,3%), REN (-6,2%), EDP (-5,9%) e CTT (-5,4%). A maioria destas empresas tinha registado um forte desempenho em abril e procedeu ao pagamento de dividendos em maio.
Em sentido inverso, o Millennium BCP destacou-se com uma valorização de 7%, superando inclusive a maioria dos seus pares bancários europeus. Seguiram-se a Semapa (+2,4%), a Corticeira Amorim (+1,9%) e a Navigator (+1,7%). No acumulado do ano, a NOS mantém a liderança das valorizações (+31,1%), enquanto a Teixeira Duarte regista a maior quebra (-32,3%).
No “Segundo Mercado” (small caps), o destaque do mês foi a aprovação, em Assembleia Geral no dia 29 de maio, da saída voluntária da Vista Alegre da negociação em mercado regulamentado, acentuando a redução progressiva deste segmento em Portugal.
EUA fixam máximos históricos e emergentes disparam com os ‘chips’. Europa a meio gás e Ásia com comportamento misto
Longe do cenário cinzento de Lisboa, os mercados internacionais viveram um mês de maio fulgurante. Nos Estados Unidos, a robusta época de resultados do primeiro trimestre levou os principais índices a novos recordes absolutos. O S&P 500 subiu 5,1% no mês (acumulando +10,7% no ano) e o tecnológico Nasdaq disparou 8,4% em maio, elevando os ganhos anuais para 16,1%. O índice Russell 2000, das empresas de menor capitalização, acompanha a tendência com uma subida anual de 17,6%.
O índice global MSCI World avançou 4,4% no mês, impulsionado não só por Nova Iorque, mas também pelo excelente desempenho do índice MSCI Emerging Markets, que escalou 9,5% em maio (+24,8% no ano). Este forte avanço dos mercados emergentes foi catalisado pelas economias produtoras de semicondutores (chips), matéria-prima essencial para a atual vaga de inovação tecnológica mundial.
Já o benchmark europeu Stoxx 600 avançou 2,4% em maio (+5,7% no ano), demonstrando uma trajetória positiva, mas visivelmente “sem energia” para acompanhar o ritmo norte-americano. Na Europa, os mercados de Itália (FTSE BIM) e de Espanha (IBEX 35, que subiu 3,3% no mês) superaram a média europeia. Apesar da recuperação espanhola, a Maxyield nota que o PSI português continua a apresentar um posicionamento anual (9,8%) superior ao do IBEX 35 (6,1%).
Na Ásia, o cenário foi misto. Enquanto a Coreia do Sul, o Japão e a Austrália fecharam o mês no terreno positivo, os mercados da China e da Índia registaram perdas mensais. O mercado chinês, em particular, continua a mostrar-se “sem gás” para acompanhar os rivais ocidentais.
Junho traz decisões críticas dos Bancos Centrais
Após um mês de maio sem reuniões de política monetária por parte da Reserva Federal norte-americana (FED), do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco de Inglaterra (BoE), o mês de junho promete trazer volatilidade acrescida aos mercados.
A reunião da Fed de 16 e 17 de junho desperta particular interesse, sendo a primeira a ser presidida pelo novo líder da instituição, Kevin Warsh.
Os investidores aguardam com expectativa o novo forward guidance e a gestão das divisões internas entre as alas dovish (mais flexível) e hawkish (mais agressiva) do regulador norte-americano.
Antes disso, a 11 de junho, o BCE de Christine Lagarde comunicará a sua decisão mensal sobre os juros na Zona Euro.
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