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Consórcio quer integrar “prescrição cultural” no SNS e criar rede nacional entre saúde e cultura

Consórcio quer integrar “prescrição cultural” no SNS e criar rede nacional entre saúde e cultura

Universidades, autarquias, museus, profissionais de saúde e entidades públicas apresentaram esta segunda-feira, na Universidade do Porto, um modelo-piloto que pretende integrar atividades artísticas e culturais nas políticas de saúde em Portugal. A iniciativa, liderada pelo Consórcio da Prescrição Cultural, ambiciona lançar as bases de uma futura estratégia nacional nesta área, atualmente em preparação pela Direção-Geral da Saúde (DGS).
O projeto reúne a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em articulação com museus municipais do Norte, autarquias, a Direção-Geral da Saúde, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos e a CCDR-Norte.
O objetivo, segundo Fátima Vieira, vice-reitora da Universidade do Porto para a Cultura e Museus, passa por “institucionalizar em todo o país uma rede ativa” capaz de integrar a chamada prescrição cultural no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Na prática, trata-se de permitir que profissionais de saúde possam encaminhar utentes para atividades culturais estruturadas — como música, dança, teatro, escrita criativa ou visitas a museus — acompanhadas por mediadores e ajustadas às necessidades de cada pessoa.
A proposta defende que estas intervenções sejam integradas no ciclo de cuidados, com monitorização e produção de evidência científica sobre os seus efeitos no bem-estar e na saúde mental. O consórcio sublinha ainda a importância de formação especializada para profissionais das áreas da saúde, psicologia, artes, educação e museologia.
A DGS já constituiu um grupo de trabalho para definir uma estratégia nacional de “saúde e cultura”, e o modelo agora apresentado pretende influenciar esse desenho, consolidando uma abordagem estruturada e sustentável.
A nível europeu, a prescrição cultural tem vindo a ganhar expressão desde os anos 1990, com origem no Reino Unido, onde começou a ser utilizada como complemento às respostas tradicionais de saúde. Hoje, várias experiências internacionais reconhecem o papel das artes na promoção do bem-estar, uma perspetiva também valorizada pela Organização Mundial da Saúde.
No Porto, o movimento já tem expressão prática. A Universidade do Porto criou em 2025 uma unidade curricular dedicada à prescrição cultural, dirigida a estudantes de áreas como saúde, psicologia, artes plásticas, museologia e ciências da educação. Paralelamente, decorre um projeto-piloto no âmbito do programa BambUP, focado na promoção da saúde mental.
O 3.º Encontro Internacional de Prescrição Cultural, que decorre hoje no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, junta académicos, profissionais de saúde e artistas para discutir práticas, evidência científica e modelos de implementação. O encontro inclui sessões, workshops e apresentações, sendo aberto ao público mediante inscrição.
A aposta do consórcio passa agora por testar e consolidar um modelo que possa ser replicado a nível nacional, colocando a cultura como recurso complementar no sistema de saúde.

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