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Estudo: 64% dos portugueses cortaram em atividades de bem-estar por razões financeiras

Estudo: 64% dos portugueses cortaram em atividades de bem-estar por razões financeiras

O dinheiro deixou de ser apenas uma questão de gestão doméstica para se tornar um dos principais determinantes do bem-estar dos portugueses. Um novo estudo encomendado pela Revolut e realizado pela Dynata conclui que a saúde financeira tem hoje um impacto direto na saúde mental, nos hábitos de consumo, no descanso e até nas relações sociais dos cidadãos.
Segundo os dados recolhidos, 90% dos portugueses admitem que a sua situação financeira influencia diretamente o seu bem-estar emocional. O estudo sugere ainda que Portugal poderá estar a enfrentar uma crescente vaga de ansiedade financeira pois 22% dos inquiridos afirmam que pensar em dinheiro é uma fonte diária de stress, percentagem que sobe para 27% entre os cidadãos com idades compreendidas entre os 45 e os 54 anos.
Apesar deste cenário, a maioria dos portugueses está a adotar medidas para reforçar a sua estabilidade financeira. Cerca de 81% acompanham regularmente as suas despesas diárias, 69% fazem planeamento financeiro e 40% mantêm um orçamento ativo para controlar os gastos.
Um dos dados mais expressivos do estudo está relacionado com aquilo que os investigadores descrevem como um verdadeiro “fosso no bem-estar”. Cerca de 64% dos portugueses já interromperam ou evitaram atividades relacionadas com o seu bem-estar devido aos custos associados.
Entre as atividades mais afetadas encontram-se inscrições em ginásios, consultas de terapia e aplicações de meditação. O resultado, segundo o estudo, é um paradoxo crescente: o dinheiro tornou-se simultaneamente uma das maiores fontes de stress e um obstáculo ao acesso às ferramentas que ajudam a combatê-lo.
A perceção da felicidade também parece estar a mudar. Para 64% dos portugueses, o dinheiro não compra felicidade de forma direta, mas a segurança financeira é considerada essencial para alcançar uma vida mais tranquila e satisfatória.
Quando questionados sobre as medidas que mais poderiam melhorar o seu bem-estar, 76% apontam para a necessidade de um rendimento mais elevado. No entanto surgem igualmente outras prioridades, como uma educação financeira mais clara (28%) e melhores apoios ou benefícios financeiros disponibilizados pelas entidades empregadoras (22%).
Dinheiro ainda é tabu
Apesar de reconhecerem a importância de falar sobre dinheiro, muitos portugueses continuam a encarar o tema como um assunto delicado. O estudo conclui que 73% consideram o dinheiro um tabu social significativo.
Ainda assim, há sinais de mudança. Mais de metade dos inquiridos (51%) afirma sentir-se relativamente confortável a discutir a sua situação financeira com amigos e colegas, o que poderá indicar uma evolução gradual rumo a uma maior transparência.
Além disso, 80% acreditam que uma conversa mais aberta sobre finanças pessoais ajudaria as pessoas a tomar melhores decisões financeiras.
O estudo diz que o stress financeiro está também a afetar a qualidade do descanso. Embora o sono e o descanso sejam considerados uma das principais prioridades para manter uma vida equilibrada, quase um quarto dos portugueses admite que as preocupações com dinheiro são o principal fator responsável pelas noites mal dormidas.
O estudo identifica ainda diferenças geracionais significativas na forma como os portugueses aprendem a gerir as suas finanças. Entre os jovens dos 18 aos 24 anos, 35% recorrem às redes sociais e a influenciadores como principal fonte de educação financeira. Em contraste, apenas 4% dos maiores de 65 anos seguem essa tendência.
No entanto, a aprendizagem financeira continua a ser feita sobretudo através da experiência própria pois 60% dos portugueses afirmam ter aprendido a gerir dinheiro através de erros pessoais, superando largamente a educação formal (20%) e a orientação familiar (45%).
Para Ignacio Zunzunegui, Head of Growth da Revolut para o Sul da Europa, os resultados demonstram que o bem-estar financeiro passou a ser uma dimensão central da qualidade de vida.
“O bem-estar financeiro já não diz apenas respeito à economia. Molda diretamente a saúde das pessoas, a sua paz mental e a capacidade de aproveitarem o dia a dia. Durante anos, o bem-estar foi associado a rotinas e ao autocuidado. Mas, para os portugueses, a verdadeira base do bem-estar é sentirem que têm o controlo do seu dinheiro”, refere Zunzunegui.
O responsável acrescenta que a evolução dos serviços financeiros deve passar por oferecer mais clareza e ferramentas que permitam às pessoas gerir melhor as suas finanças e reduzir a pressão associada às preocupações económicas.
Com o aumento do custo de vida e a crescente preocupação com a estabilidade financeira, o estudo sugere que o dinheiro está a assumir um papel cada vez mais central na definição da qualidade de vida dos portugueses. Mais do que uma questão económica, a gestão financeira tornou-se uma questão de saúde, bem-estar e tranquilidade.

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