Negociações entre o Irão e os EUA estão “suspensas” ou “a ritmo acelerado”, conforme as fontes
Num contexto em que a linha do tempo é cada vez mais difícil de seguir com um mínimo de precisão, ao longo da tarde desta segunda-feira foi sucessivamente noticiado pelas agências internacionais que o Irão suspendeu as negociações com os Estados Unidos destinadas a pôr fim à guerra devido às violações de cessar-fogo no Líbano. Momentos depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não tinha sido informado sobre essa suspensão – o que, a ser verdade, coloca em causa toda a gestão da diplomacia norte-americana – mas que, se isso fosse verdade, “não haverá problema”.
“É lógico, porque eles são melhores negociadores do que combatentes. Mas não nos informaram sobre isso”, disse Donald Trump em declarações à televisão norte-americana NBC News. Se Teerão abandonou a mesa de negociações “não haveria problema nenhum”. Mais tarde, o mesmo presidente, o dos Estados Unidos, afirmou que as negociações com o Irão continuam e a um “ritmo acelerado”. “As negociações com a República Islâmica do Irão prosseguem a um ritmo acelerado”, escreveu Donald Trump nas redes sociais.
Algures nesta insalubre linha do tempo, Trump disse ainda, segundo as agências internacionais, que as partes em confronto “falaram demais”, pelo que “manter o silêncio seria muito bom”, embora tenha assegurado em seguida que esta falta de comunicação não significa que os Estados Unidos vão “começar a lançar bombas por todo o lado”. “Manteremos o bloqueio”, assegurou, antes de reiterar que pode “esperar todo o tempo que as autoridades iranianas quiserem”. “Estão a perder uma fortuna”, acrescentou Trump – no que, a acreditar nas notícias, acontece basicamente em todo o lado.
Paragem iraniana
A equipa de negociação iraniana tomou a decisão de suspender “o diálogo e a troca de mensagens através de intermediários” com a administração norte-americana, alegando que o acordo de cessar-fogo conversado inclui o território libanês – onde Israel continua a evoluir de sul para norte, o que já levou alguns analistas a ponderarem que a incursão só acabará em Beirute, a capital.
As autoridades iranianas assinalaram que não haverá mais conversações até que seja garantida a cessação das operações das Forças de Defesa de Israel contra o Líbano e a retirada total das tropas israelitas das zonas ocupadas no país, dizia a agência iraniana Tasnim – numa altura em que a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU convocada pela França para debater a matéria ainda não tinha começado.
“O Irão considera que ultrapassar as linhas vermelhas no Líbano e em Gaza equivale a uma guerra direta” e, “em resposta, está determinado a conduzir operações defensivas” e a “abrir novas frentes”, declarou o exército.
Algures no tempo, Donald Trump, disse ter obtido um compromisso do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e do grupo xiita libanês Hezbollah para cessarem os confrontos, depois de contactar com ambos os lados. Trump afirmou nas redes sociais que teve uma conversa “muito boa” com o Hezbollah através de intermediários, e que o grupo libanês “cessará completamente o fogo” contra Israel. “Israel não os atacará e eles não atacarão Israel”, declarou.
No meio de toda esta perfeita balbúrdia, Irão e Estados Unidos voltaram a trocar ataques às primeiras horas de segunda-feira, com o bombardeamento norte-americano a Goruk e à ilha de Qeshm e a resposta iraniana contra a base de onde partiu o ataque. Os Estados Unidos acabaram por anunciar que realizaram ataques durante o fim-de-semana no sul do Irão, visando sistemas de radar e controlo de drones.
As operações foram realizadas “no sábado e no domingo em resposta a ações agressivas do Irão, incluindo o abate de um drone MQ-1 norte-americano que operava em águas internacionais”, dizia o Centcom, o comando militar norte-americano.
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