Petróleo: “desenvolvimentos significativos” no Médio Oriente podem provocar “movimentos mais expressivos” nos preços
O CEO da ActivTrades Europe, Ricardo Evangelista, alertou esta segunda-feira que “permanece o potencial para movimentos mais expressivos” no preço do petróleo caso ocorram “desenvolvimentos significativos” no Médio Oriente.
O preço do petróleo sofreu oscilações significativas entre esta segunda e terça-feira. Na segunda-feira a matéria-prima valorizou 7%, depois dos confrontos entre Estados Unidos e Irão, no fim-de-semana, e a possibilidade do fim do cessar-fogo entre os dois países.
O Irão confirmou na segunda-feira que tinha cortado as negociações diretas com os Estados Unidos depois dos ataques israelitas ao Líbano, na segunda-feira. As forças iranianas chegaram mesmo a ameaçar colocar um fim ao cessar-fogo com os norte-americanos caso Israel continuasse a atacar os libaneses.
Mas esta terça-feira o panorama mudou levando a que o brent caia 1,41% para os 93,64 dólares e o crude desvalorize 1,38% para os 90,89 dólares. Tal se deve a uma nova esperança de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irão, com abertura do Estreito de Ormuz. O Presidente norte-americano, Donald Trump, em declarações à ABC News, referia que um acordo poderia acontecer na próxima semana.
“Os preços do petróleo Brent recuaram ligeiramente no arranque da sessão de terça-feira, negociando em torno dos 93 dólares por barril. Os investidores têm razões para estar simultaneamente otimistas e cautelosos quanto às perspetivas de uma paz duradoura entre os Estados Unidos e o Irão, que permita a normalização do tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz. Ao longo do fim de semana surgiram notícias de ataques militares por parte de ambos os lados, enquanto na segunda-feira a agência noticiosa iraniana informou que Teerão tinha suspendido as comunicações com os intermediários norte-americanos. Ao mesmo tempo, o Presidente dos Estados Unidos reafirmou a sua convicção de que um acordo para prolongar o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz continua alcançável”, referiu Ricardo Evangelista.
“Neste contexto, os preços do Brent continuam a negociar dentro do intervalo relativamente estreito observado ao longo da última semana, aproximadamente entre os 90 e os 96 dólares por barril. No entanto, permanece o potencial para movimentos mais expressivos caso ocorram desenvolvimentos significativos. Os investidores estarão também atentos à divulgação, ainda hoje [terça-feira], do relatório do American Petroleum Institute sobre as reservas de crude nos Estados Unidos. Desvios significativos nos níveis de reservas reportados poderão igualmente influenciar os preços globais do petróleo”, considera o CEO da ActivTrades Europe.
Analista prevê petróleo nos 180 dólares
Já há quem projete o preço petróleo em 180 dólares caso não exista acordo e se recomece o combate no Médio Oriente.
O chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, Jorge León, no programa da CNBC ‘Squawk Box Europe’, salienta que caso se confirme esse cenário isso “significaria uma grave recessão económica global, principalmente na Europa e nos países emergentes da Ásia”.
Mas foi traçado também um cenário mais otimista. “Os Estados Unidos e o Irão chegam a acordo sobre tudo, incluindo a questão nuclear e a reabertura do Estreito de Ormuz [local por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial]. Nesse caso, os preços cairiam rapidamente para cerca de 70 dólares por barril até ao final do ano”, disse Jorge León.
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