CGTP-IN estima que greve geral teve uma adesão “muito significativa” em vários setores
A CGTP-IN estima que a greve geral teve uma adesão muito significativa em vários setores, com centenas de locais de trabalho parados ou com taxas de participação elevadas até às 18h00, incluindo indústria, transportes, administração local, saúde e educação. A CGTP garante que em muitos casos, a paralisação foi total ou próxima da totalidade, sobretudo em unidades industriais, serviços municipais, escolas e hospitais, segundo a listagem divulgada pela estrutura sindical.
Na informação compilada pela CGTP-IN/DIF até às 18h00, surgem múltiplas empresas e serviços com “produção parada”, “encerrado” ou com adesões de 100%, 95%, 90%, 80% e 70%, o que indica um impacto amplo da paralisação. Entre os exemplos registados estão unidades da indústria transformadora, operadores de resíduos, autarquias, transportes públicos, estabelecimentos de saúde e escolas em várias regiões do país.
A listagem mostra forte incidência na indústria, com casos de produção parada em empresas como Exide Technologies, Bosch, APTIV, Visteon, Forvia Faurecia e outras unidades ligadas ao setor automóvel e metalomecânico. Na administração local, multiplicam-se referências a serviços de recolha de lixo, higiene urbana, oficinas, estaleiros, transportes municipais e atendimento encerrado ou com adesão total. No ensino, surgem várias escolas, jardins de infância e agrupamentos encerrados.
Na saúde, a CGTP regista adesões elevadas em hospitais e unidades locais de saúde, incluindo blocos operatórios, consultas, urgência, enfermarias e serviços de apoio, com vários casos acima dos 70% e alguns a chegar aos 100%. Nos transportes, aparecem referências a operadoras e estruturas como Carris, Metropolitano de Lisboa, TCB, Transdev, Busway, Rede Expressos e serviços ferroviários, igualmente com forte adesão ou serviços mínimos.
Na sua Intervenção, Tiago Oliveira, Secretário-geral da CGTP-IN, disse que “hoje os trabalhadores, de norte a sul do país, realizam uma grande Greve Geral. Isto porque enfrentamos um dos mais sérios ataques aos direitos dos trabalhadores das últimas décadas. Um pacote laboral que o Governo pretende fazer avançar e que representa um retrocesso profundo nas relações de trabalho”.
Tiago Oliveira sublinhou que “há quem tente apresentar este pacote laboral como uma necessidade fundamental, como uma modernização necessária da legislação do trabalho. Mas, quando retiramos os slogans e analisamos o conteúdo, percebemos rapidamente o que está verdadeiramente em causa: facilitar despedimentos, aumentar a precariedade, enfraquecer a contratação coletiva e limitar a capacidade dos trabalhadores se organizarem e lutarem pelos seus direitos. Vejamos alguns exemplos concretos”.
“O Governo pretende que um trabalhador despedido ilegalmente possa deixar de ser reintegrado na empresa, mesmo quando um tribunal lhe dá razão. Repito: mesmo quando o tribunal dá razão ao trabalhador! Sabem o que isto quer dizer, camaradas? Que a justiça deixa de funcionar para quem a procura e que a injustiça de um ato deixa de recair sobre quem o pratica, passando a recair sobre quem o sofre. Mas isto está no pacote laboral. É o objetivo da legalização do despedimento sem justa causa. É o propósito de despedir, mas é também a ameaça do despedimento sem justa causa para chantagear os trabalhadores, obrigando-os a aceitar todas as prepotências e todas as injustiças porque, dirá o patrão, se não aceitas, vais para a rua”, referiu o líder da CGTP.
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