RallySpirit: Edição especial dedicada à Subaru
A edição de 2026 assume ainda um simbolismo especial ao surgir como uma “Subaru Special Edition”, evocando o legado da marca japonesa nos ralis, particularmente através do mítico Subaru Impreza, modelo que continua a apaixonar os adeptos pelo inconfundível som do motor boxer e pelas históricas cores azul e amarelo que marcaram gerações. Quase uma dezena de exemplares com ADN de competição estarão presentes na prova, dando um brilho ainda mais especial ao evento.
Os primeiros Subaru no WRCA história da Subaru no Mundial de Ralis foi fantástica durante década e meia. A primeira vitória surgiu apenas em 1993, mas a partir daí foi sempre a subir até ao topo da modalidade, com os títulos de pilotos de Colin McRae em 1995, Richard Burns em 2001, bem como três títulos de Construtores entre 1995 e 1997. Mas antes, muito antes, já os Subaru competiam no Mundial de Ralis, nos anos 80.Tudo começou duma forma muito modesta, com uma participação de dois carros em 1980, no Rali Safari no Quénia. E assim foi durante algum tempo, com participações esporádicas com uma operação não oficial, baseada no Japão, utilizando o exigente Rali Safari como campo de exposição pública.O nome Subaru era pouco conhecido fora da indústria automóvel, naqueles dias, mas a persistência das atividades de competição, desde o início dos anos 80 até ao final de 2008, foi a base para a criação de uma das mais importantes lendas do automobilismo.Vamos saber como tudo começou.
Construir ‘zeros’A história conta-nos que a Fuji Heavy Industries, o grupo mãe da marca Subaru, começou como um Laboratório de Investigação Aeronáutica, em 1915, chefiado por Chikuhei Nakajima. Em 1932, a empresa foi reorganizada como Nakajima Aircraft Company, Ltd e logo se tornou num grande fabricante de aeronaves, para o Japão, durante a 2ª Guerra Mundial. A Nakajima Aircraft foi reorganizada no final da segunda grande guerra, passando a denominar-se Fuji Sangyo Co, Ltd. Em 1946, a empresa criou a Fuji Rabbit, uma scooter, a partir de peças sobressalentes de aviões do tempo da guerra. Em 1950, a Fuji Sangyo foi dividida em 12 corporações menores, sendo que entre 1953 e 1955, cinco dessas empresas e outra recém formada, decidiram fundir-se para formar a Fuji Heavy Industries. Este, um nome que já diz muito à maioria dos adeptos dos ralis…
Colin McRae na Subaru: Os tempos do Grupo APoucos pilotos têm tanto impacto junto dos fãs dos ralis como o malogrado Colin McRae. Considerado como um dos mais rápidos e instintivos pilotos da história, o escocês só conseguiu vencer um título, mas conquistou uma legião de adepto. E, na sua longa carreira de piloto, é quase inevitável não o associar à Subaru, principalmente com a fabulosa decoração da tabaqueira 555.
As oito épocas de Colin McRae ao volante dos Subaru da Prodrive não o tornam no piloto que mais competiu pela marca, já que esta marca pertence a Petter Solberg, que correu pela equipa por mais meia época. Solberg venceu mais ralis do WRC pela Subaru, mas o consenso geral é que o piloto da Subaru que mais marcou pelo seu virtuosismo ao volante dos carros preparados pela Prodrive foi McRae.Foi McRae que deu à equipa a sua primeira vitória numa prova do Campeonato Mundial de Ralis, e foi McRae o primeiro piloto a vencer o Campeonato do Mundo para a Subaru. A história de McRae e da Prodrive é uma lenda com três lados, um piloto e o carro que conduziu e a equipa que desenvolveu e alinhou esses carros. O patrão da Prodrive era David Richards, e ColinMcRae nunca perdeu o respeito pela pessoa que fez mais que qualquer outra para o ajudar a desenvolver a sua carreira.
O telefonema que fez uma nascer uma estrelaColin disse-me como a sua carreira foi virada do avesso. O momento particular que colocou Colin no caminho de uma das mais famosas carreiras no desporto foi um telefonema. “Foi esta chamada que o David Richards fez em 1991, convidando-me para pilotar os seus carros. Antes de ir para a Prodrive, era o meu pai (Jimmy) que mantinha a minha carreira. Costumava competir ao volante de um Sierra Cosworth, e estávamos em dificuldades. 1990 foi um ano de altos e baixos, que terminou com um sexto lugar no Rali RAC, e até o David ligar tudo indicava que 1991 fosse um ano semelhante. Finalmente, aquela chamada significou que a minha carreira iria ficar firmemente assente. Foi o ponto de viragem.” 1991 centrou-se na pilotagem dos Legacy no Campeonato Inglês, 1992 assistiu a uma mistura de ralis em Inglaterra e participações selecionadas no mundial, e Colin venceu o Open Britânico de Ralis. A ligação entre Colin e a Prodrive para o futuro na modalidade estava claramente em construção. 1993 foi uma época passada exclusivamente a aprender mais eventos do WRC, na esperança que a Subaru lançasse o novo modelo Impreza, desenvolvido para ser utilizado na competição mundial. Mas a Subaru não estava pronta para o fazer até estar totalmente convencida que a Prodrive conseguia ter uma equipa suficientemente boa para alinhar com ele. A situação era clara. A não ser que conseguissem vencer com o Legacy, não haveria Impreza no WRC, o que implicava que toda a atividade competitiva e muito do futuro comercial da Prodrive era incerto.
Entretanto, a carreira de Colin na Prodrive estava a desenvolver-se a um ritmo muito positivo. Começou no Rali Talkland, no último fim-de-semana de Fevereiro de 1991, que venceu, seguindo-se o Circuito da Irlanda, aonde também venceu. De facto, Colin venceu quatro eventos naquele ano, ao volante de um Legacy patrocinado pela Rothmans, conquistando o Campeonato Britânico graças à curiosa regra em que as suas quatro vitórias contaram mais que o total de pontos superior do seu rival Russell Brookes. Em 1992, McRae conquistou novamente o título com a pontuação máxima, graças às suas seis vitórias, e o seu primeiro pódio no WRC, com um segundo lugar no Rali da Suécia. Em 1993, os dias no Campeonato Inglês tinham ficado para trás, tendo Richard Burns ocupado o sue lugar. Tempos emocionantes seguiam-se, enquanto as tensões relativas ao Impreza se desenvolviam, já que Colin deu à Prodrive o impulso que precisava, uma vitória no WRC com o Legacy. Tal aconteceu na Nova Zelândia. Os dias do Impreza tinham finalmente chegado, e um capítulo muito especial para a Prodrive e para Colin havia começado.
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