Economia global desacelera com crise energética, mas IA amortece impacto
A crise energética provocada pela guerra EUA/Israel-Irão vai provocar um desaceleramento do crescimento da economia global este ano.
A Fitch reduziu em 0,2 pontos a sua previsão para este ano de crescimento, estimando agora 2,4% de aumento.
A agência de notação financeira destaca que os indicadores têm sido revistos em baixa com a inflação a subir e a penalizar os salários, afundando o consumo das famílias e a aumentar os custos das empresas.
Apesar da crise na energia, o investimento de inteligência artificial (IA) e o comércio global, com destaque para as exportações asiáticas, mantém a perspetiva de crescimento acima de 2% para este ano.
“O choque no preço do petróleo está a impactar as perspetivas de crescimento global e a aumentar os riscos negativos. Mas também estamos a assistir a um ‘boom’ muito elevado no investimento global em tecnologia o que está a amortecer o impacto no curto prazo, particularmente na Ásia”, disse Brian Coulton, economista-chefe da Fitch.
A revisão em baixa tem lugar depois de já ter cortado as perspetivas de crescimento para este ano dos EUA (1,9%) e da zona euro (0,9%). Já a China vê a sua estimativa a subir 0,3 pontos para 4,6%, dada a “resiliência notável nas exportações”.
Depois de 14 semanas fechado, o estreito de Ormuz só deverá reabrir em julho, prevê a Fitch que reviu em 17 dólares a sua estimativa para o preço do barril este ano: 87 dólares.
Apesar do seu impacto negativo, a crise petrolífera atual, é “menos severa” do que os choques petrolíferos da década de 70, quando o preço do barril atingiu 170 dólares em 1979 (preços atuais). O peso do petróleo no PIB mundial também foi cortado para metade desde a década de 80.
Num cenário mais adverso, com o petróleo mais elevado e as condições de crédito mais difíceis, o crescimento dos EUA pode ser de apenas 0,8%, de 0,3% na zona euro e de 3,4% na China.
Olhando para o investimento em tecnologia, este disparou 18% no primeiro trimestre nos EUA e “existe evidência de investimento rápido em tecnologia” noutros países. As importações de bens de capital dispararam quase 30% também nos EUA.
Já as exportações de chips contribuíram para fortes primeiros trimestres na Coreia do Sul e Taiwan, com a China a vender mais tecnologia.
As vendas de chips a nível global subiram 80% em março com o aumento das vendas.
A Fitch prevê que o BCE suba taxa em 25 pontos base em junho, mas que serão revertidas no próximo ano, com a Fed a manter as taxas este ano, para seguir com cortes em 2027.
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